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Câmara de Santarém no sétimo lugar das que mais devem a fornecedores

Câmara de Santarém no sétimo lugar das que mais devem a fornecedores

Coruche, Constância e Vila Franca de Xira são as únicas autarquias na região que pagam a tempo e horas, não registando qualquer factura com mais de 90 dias a 31 de Dezembro de 2011.

Edição de 09.05.2012 | Política
A Câmara de Santarém surge no sétimo lugar da lista nacional que reporta a evolução dos pagamentos em atraso dos municípios, tendo em final de Dezembro de 2011 um total de 27,5 milhões de euros de dívidas com mais de 90 dias a fornecedores de bens e serviços. Acima da autarquia ribatejana encontravam-se apenas os municípios de Portimão, Gaia, Fundão, Évora, Funchal e Loulé.Mais abaixo, no vigésimo lugar da tabela, encontrava-se o município do Cartaxo, com 19,6 milhões de euros de dívidas a fornecedores com mais de 90 dias, seguindo-se, 25 lugares abaixo, a Câmara de Torres Novas com 8,4 milhões de pagamentos em atraso.No campo oposto aparecem Coruche, Constância e Vila Franca de Xira, exemplos de municípios no país que honram os seus compromissos e que pagam a tempo e horas aos seus fornecedores. A informação disponibilizada pelo Ministério das Finanças permite obter uma panorâmica da saúde financeira dos municípios a nível nacional e constatar que, na região, apenas esses três não tinham pagamentos em atraso com mais de 90 dias.Os dados reportam-se a 31 de Dezembro de 2011 e constatam ainda que há outros municípios muito perto do zero de dívidas com mais de 90 dias, casos de Abrantes e Benavente, com 100 mil euros cada. Abaixo de um milhão de euros de dívidas com mais de 90 dias estavam ainda os municípios de Salvaterra de Magos (400 mil euros), Alpiarça (500 mil), Almeirim e Mação (700 mil) e Golegã (900 mil).A meio da tabela estavam Rio Maior (1,1 milhões), Alcanena (1,2), Sardoal, Ferreira do Zêzere (1,7), Entroncamento (3,6), Vila Nova da Barquinha (4,2) e Azambuja (4,3). Acima da barreira dos cinco milhões de euros de pagamentos vencidos há mais de 90 dias figuravam as câmaras de Tomar (5,2), Ourém (5,3) e Chamusca (6,6).... dívidas para todos os gostosCentenas de entidades tinham a receber mais de 39 milhões de euros da autarquia no final de 2011. Do Minho ao Algarve, não existe parte do território nacional onde não haja credores.A Câmara Municipal de Santarém ainda não liquidou à Associação Comercial local o subsídio de 15 mil euros com que se comprometeu em 2002 referente à instalação de iluminações de Natal na cidade. Dez anos é realmente muito tempo para se cumprir compromissos mas muitas outras facturas aguardam há anos para serem pagas às centenas de credores da autarquia. Esse é apenas um pequeno e elucidativo exemplo encontrado entre as 387 páginas com a descrição das dívidas que o município tinha no final do ano passado.Tal como o algodão, o relatório e contas da autarquia de 2011 não engana: é de 39 milhões de euros mais uns pozinhos a dívida a fornecedores de bens e serviços a 31 de Dezembro de 2011. E, quatro meses passados, o panorama não se alterou substancialmente. Juntas de freguesia, associações de todas as espécies, clubes desportivos, hospitais, construtoras, órgãos de comunicação social, escolas, bombeiros, universidades, entidades estatais, outros municípios e até o próprio presidente da autarquia, Moita Flores (com um crédito de 1707 euros), figuram na lista.Percebe-se perfeitamente a razão pela qual o autarca que dizem estar a caminho de Oeiras se insurge quando a oposição aponta que o valor global da dívida da Câmara de Santarém atingiu a barreira psicológica dos 100 milhões de euros. É daqueles feitos que ninguém gosta de protagonizar. Mas pior devem sentir-se muitos dos credores, como a Resitejo (associação de tratamento de resíduos) que tinha a haver 2,4 milhões de euros no final de 2011, a Rodoviária do Tejo, que tinha a embolsar 723 mil euros ou a EDP com 603 mil euros.Muitas dívidas vêm de anteriores mandatos e há empresas credoras que entretanto entraram em insolvência ou cessaram actividade, como é o caso das construtoras António Jorge Lda. e João Salvador Lda. que deixaram créditos no valor de 138 mil euros e de 132 mil euros, respectivamente.Juntas e bombeiros a arderAs associações e entidades viradas para o serviço social não escapam, citando-se como exemplos o Centro Social Interparoquial de Santarém e a Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém, com verbas a receber na ordem dos 97 mil euros e 113 mil euros respectivamente. Os bombeiros voluntários estão também a arder com verbas avultadas: Pernes (227 mil euros); Santarém (216 mil euros); Alcanede (74 mil euros).Obviamente que o incumprimento dos compromissos se reflecte na gestão das entidades credoras e não é por falta de reclamações que, por exemplo, as juntas de freguesia não vêem saldadas as contas antigas, respeitantes a transferências mensais acordadas, a obras e até a apoios prometidos pela câmara para participarem em eventos como os cortejos de Carnaval ou na Rainha das Vindimas. A Junta do Vale de Santarém tinha no fim do ano 234 mil euros a haver, a de São Salvador 229 mil e a de Abrã 215 mil. Estes são alguns exemplos mais elucidativos.Pelo meio do extenso rol encontram-se ainda entidades conhecidas como a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, com 266 mil euros a receber, a Assembleia Distrital de Santarém, com 24,4 mil euros, e outras menos previsíveis, como a Associação de Gestores Culturais do Algarve que tem a embolsar uns míseros 90 euros. O que prova que a fama das dificuldades financeiras da Câmara de Santarém já chega longe.
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