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Morreu o realizador que aprendeu a amar o cinema em Ourém

Fernando Lopes viveu até aos 12 anos na cidade onde foi homenageado em Junho passado
Edição de 09.05.2012 | Sociedade
Morreu no dia 2 de Maio em Lisboa, cidade onde fez toda a sua vida adulta, mas foi em Ourém, onde esteve entregue aos cuidados de uma tia até aos 12 anos, que Fernando Lopes aprendeu a amar o cinema, arte a que se rendeu e onde se afirmou como um dos melhores do nosso país. Para a posteridade ficam filmes como “Belarmino” (1964), “Uma abelha na chuva” (1971) ou “O Delfim” (2002). O mundo das artes prestou-lhe as devidas honras na hora da despedida, recordando um homem que “marcou o novo cinema europeu”, como referiu o actor Rogério Samora, ou “um homem de consensos a quem o novo cinema português deve muito”, como disse o realizador António-Pedro Vasconcelos.Em Junho do ano passado, em entrevista a O MIRANTE, durante uma breve passagem pelo concelho de Ourém para receber a medalha de ouro municipal, Fernando Lopes recordou a terra que conheceu nos seus primeiros anos.Fernando Lopes nasceu em Alvaiázere, mas com quatro anos foi viver para a então Vila Nova de Ourém. Quem o acolheu em sua casa foi a tia Margarida, cujo último nome já não se recordava, uma cinéfila do seu tempo, “bem preparada culturalmente”. Foi graças a ela, recordou o cineasta, que deu a sua entrada nas obras de Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis, entre outros grandes escritores portugueses. “No fim de aprender a ler, ela obrigou-me a lê-los. Agradeço-lhe. Abriu-me os olhos”.Foi com a tia Margarida que também se deu a sua introdução no mundo do cinema. Acompanhando a veia cinéfila da tia, todos os fins-de-semana ia com ela ao então Cine-teatro. “Há dois filmes que me marcaram desse tempo: «Os carrascos também morrem» (1943) e «30 segundos sobre Tóquio» (1944)”, lembrou na altura.Uma longa e valiosa carreiraO cineasta morreu aos 76 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, vítima de doença prolongada. Fernando Lopes integrou a equipa inicial de jovens profissionais que fundou a RTP - em cujo quadro técnico ingressou em 1957, ano do início das emissões - e foi director do Canal 2, que chegou mesmo a assumir o seu nome, “Canal Lopes”, sob a presidência de João Soares Louro, entre o final da década de 1970 e o início da seguinte. Na RTP, Fernando Lopes fundou ainda o Departamento de Co-Produções Internacionais.Em 1959, tornou-se bolseiro do Fundo de Cinema Nacional, indo estudar para a London School of Film Technic, no Reino Unido, onde obteve o diploma de realização de cinema, e estagiado na BBC, a televisão pública britânica. Em 1965, Fernando Lopes foi estagiar para Hollywood, onde permaneceu seis meses. No regresso, realizou “Uma abelha na chuva” (1971), baseado no romance homónimo de Carlos de Oliveira, que juntamente com “Belarmino” e “O Delfim” (2002), acabariam por tornar-se as obras mais conhecidas da filmografia do realizador.Fernando Lopes leccionou no Curso de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e dirigiu a revista Cinéfilo, com António-Pedro Vasconcelos, editada no início da década de 1970. “Estará sempre entre os melhores dos melhores da história do cinema em Portugal”, afirmou o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas.

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