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Sempre fui uma Maria rapaz e gostava de ter sido polícia

Sempre fui uma Maria rapaz e gostava de ter sido polícia

Fátima Gregório, 41 anos, presidente da Junta de Freguesia de Marinhais

Fátima Gregório nasceu no dia 26 de Outubro de 1970. A presidente da junta de Marinhais, concelho de Salvaterra de Magos, sempre sonhou ser polícia, mas não conseguiu passar nos testes físicos. Largou o emprego como engenheira agro-alimentar na Direcção Geral de Veterinária, em Santarém, para se candidatar à junta. Não se arrepende. Prefere andar na rua e ver os problemas com os próprios olhos, do que ficar encerrada no gabinete. É casada e tem dois filhos. Nos tempos livres gosta muito de fazer piqueniques com toda a família.

Edição de 09.05.2012 | Três Dimensões
Passei a minha infância nos pomares a apanhar fruta. Gostava muito de andar a brincar descalça, sempre com bolas e carros. Era muito Maria Rapaz. Uma das melhores recordações que guardo era quando ia de carroça com os meus avós para um ribeiro que existia no meio do mato tomar banho e pescar. O meu pai ia de mota vender peixe, enquanto a minha mãe andava a pé. Passaram depois para o negócio da fruta. Eu ajudava-os nos pomares e eles depois iam vender a fruta no mercado da Castanheira do Ribatejo. Não tinham grandes posses, mas conseguiram juntar para me darem uma casa, tal como ao meu irmão. O meu pai ainda me pagou o curso durante três anos. O meu grande sonho era ser polícia. Mal acabei o 12º ano concorri para a Escola Superior de Polícia, em Lisboa. Não consegui chegar sequer aos testes psicotécnicos porque reprovei nos físicos. Passei em todos os exercícios menos nas barras. Tinha de fazer cinco, mas só consegui três. Este desejo vinha dos filmes de acção que costumava ver na televisão. Também lia muito livros de aventuras, como “Os Cinco” da Enid Blyton. Nunca gostei de estar parada. Sempre quis ganhar o meu próprio dinheiro. O meu primeiro emprego foi num clube de vídeo em Marinhais. Estava a tirar matemática à noite em Benavente e aproveitava o dia para estudar. Depois de tirar o bacharelato em Engenharia Agro-alimentar na Escola Superior Agrária em Santarém também não consegui arranjar logo um emprego e estive durante um ano e meio a trabalhar numa loja de roupa de criança no Porto Alto. A partir dos 18 anos já queremos a nossa independência. Mais tarde, quando já estava grávida da minha filha, regressei à escola para tirar a licenciatura do mesmo curso. A “loucura” de concorrer para presidente de junta partiu do desafio de um amigo. O vereador João Santos (PS) fez-me a proposta de encabeçar uma lista. Fiquei surpreendida, mas depois de conversar com o meu marido decidimos avançar. Pedi uma licença sem vencimento da Direcção Geral de Veterinária onde estava a trabalhar desde 1996 como engenheira agro-alimentar em Santarém. O que mais me custa no meu trabalho diário de presidente de junta é não ter dinheiro para ajudar as pessoas a resolverem os seus problemas. Não sei como será ainda o futuro, mas gostaria de me recandidatar para poder fazer mais alguma coisa pela freguesia. Sou uma presidente de junta mais de rua do que de gabinete. Temos cada vez mais papéis para assinar. A burocracia não acaba. Estou pronta para ajudar em tudo e quando é preciso até vou atender ao balcão. Mas o que mais gosto é de estar na rua com as pessoas e de ver os problemas com os meus próprios olhos. Não gosto de me ficar só pelo telefone. Sou uma pessoa muito dada, gosto de conversar com toda a gente. Depois de deixar os meus filhos na escola, dou sempre uma volta de carro pela freguesia para ver como estão as coisas. Deito-me sempre muito tarde. Depois do trabalho na junta, ainda ajudo os meus dois filhos, de 7 e 13 anos, com os trabalhos de casa. Gosto de os acompanhar nos estudos. Não gosto muito de cozinhar a não ser que esteja para aí virada. Opto muito pelos grelhados e também gosto de pratos com bacalhau. Mas isto é nos dias em que não tenho reuniões de trabalho. O meu marido, a mãe e a sogra também dão uma ajuda na casa sempre que é necessário. De vez em quando fazemos piqueniques. É uma forma de ter um dia diferente sem precisar de se gastar muito dinheiro. Eu e o meu marido também damos um passeio com as crianças ao fim-de-semana. Mas a vida está cada vez mais difícil e o ano passado nem sequer chegamos a ir de férias. Não se consegue grandes poupanças e nós somos muito precavidos. Não gastamos mais do que aquilo que temos. Tento ser uma pessoa optimista. Gosto muito de acreditar nas pessoas e de olhá-las de frente. Não sou uma pessoa de gerar muitas antipatias. Tento sempre dar-me bem com toda a gente. Não gosto de traições nem de mentiras. Sou do signo Escorpião e se alguém me apunhala nas costas é a pior coisa que me podem fazer. Eduarda Sousa
Sempre fui uma Maria rapaz e gostava de ter sido polícia

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