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Francisco Simões

44 anos, marceneiro, Chamusca

A crise é só para os que trabalham. Os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Eles enchem os bolsos com a nossa falta de dinheiro

Edição de 16.05.2012 | Agora falo eu
Que significado tem para si a Festa da Ascensão?É uma festa da Chamusca, uma tradição de há muitos anos de que gosto muito. Todos os anos tento acompanhar a festa do princípio ao fim mas a minha participação é mais como assistente porque tenho muito medo dos bois (risos). Na Quinta-feira da Ascensão vejo sempre a entrada dos toiros a partir de um sítio onde sei que estou seguro.Já alguma vez foi a Fátima a pé?Por acaso não. Nunca me vi aflito para fazer uma promessa dessas. Já lá fui várias vezes, mas de carro. Noto com agrado que os peregrinos que encontro estão mais disciplinados, usando coletes reflectores para serem vistos ao longe pelos automobilistas. As súbitas mudanças climatéricas preocupam-no?Sim, principalmente pelo impacto negativo que têm na agricultura. Sem chuva, nada cresce. Há bastantes problemas porque os furos estão cada vez mais reduzidos e os agricultores têm bastantes problemas em regar as culturas. Mesmo o que choveu em Abril não é suficiente para minimizar a seca. Já está farto de ouvir falar da crise?A crise é só para os que trabalham. Os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Eles enchem os bolsos com a nossa falta de dinheiro.Já deixou de acreditar nos políticos?Nunca acreditei. Nunca fazem o que prometem. É pena que sejamos todos a pagar pelos erros deles. Mas vou votar sempre. Sou contra quem não vota. Se não votarem estão a votar nos que ganham. Nota na Chamusca a fuga às portagens?Sim, há bastante mais tráfego desde que a A23 foi portajada, especialmente de camiões porque os custos são elevados. Não basta o preço a que está o gasóleo, quanto mais a despesa das portagens... A passagem de pesados pelo meio da vila é constante com todas as consequências que isso acarreta. Eu também fujo das portagens. Tem pena que a sua profissão seja uma das que está em extinção?Sim. Gosto muito do que faço. Sou marceneiro há 25 anos, aprendi com o Sr. Abel (Lucas) e é uma pena que as gerações mais novas não peguem nisto, gostam mais de estudar. Mas não é só nesta actividade que isto acontece. Qualquer dia ninguém sabe fazer nada. Se mandasse na Câmara o que trazia para a Chamusca?Estamos um bocado esquecidos porque não há muitas fábricas onde as pessoas possam trabalhar. Acabaram com a fábrica do tomate, com a do tijolo... Basicamente não há indústria para empregar as pessoas a não ser nos supermercados. É adepto das redes sociais?Fujo disso a sete pés. Nunca me seduziu. Gosto mais de falar cara a cara. E acho que há pessoas que expõem a sua vida demasiado e acabam por sofrer as consequências.Qual é a frase feita que lhe ocorre mais por estes dias?Eles comem tudo e não deixam nada (risos)…

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