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Aos 75 anos Pedro Canavarro acredita que o futuro passa pelo humanismo

Aos 75 anos Pedro Canavarro acredita que o futuro passa pelo humanismo

Ex-eurodeputado, dirigente associativo, homem de cultura e figura incontornável da vida de Santarém nas últimas décadas foi alvo de homenagem por um grupo de amigos.

Edição de 16.05.2012 | Sociedade
Historiador e homem de cultura, Pedro Passos Canavarro sente-se, aos 75 anos de vida, “mais livre” e acredita que o mundo está a viver um momento de mudança que abre caminho ao humanismo e à verdade. O homem que militou e chegou a presidir a um partido que tinha a balança como símbolo e a renovação como lema (o Partido Renovador Democrático, PRD) acredita que apenas a seriedade, a verdade e o humanismo podem combater “a oficialização do medo” que “leva ao ódio e à destruição”. Esse medo “advém do temor perante o novo” que representa “o fim de uma sociedade” e que leva muitos a quererem fechar-se e apenas sobreviver, disse à agência Lusa.Homem do mundo, manteve sempre a ligação com Santarém, a terra onde nasceu, envolvendo-se activamente em numerosas instituições, criando outras, numa vontade de realizar até sentir que “outros poderiam fazer melhor”. Assim acontece com o seu sonho mais recente, a Fundação Passos Canavarro _ Arte, Ciência e Cultura, criada propositadamente em 2000, na entrada do século XXI, e já praticamente nas mãos do filho mais velho, António.Pedro Canavarro tem-se dedicado à escrita e a guiar aqueles que o visitam na casa junto às Portas do Sol onde vive e que transformou em Casa-Museu, abrindo ao público o espaço adquirido em 1841 na Alcáçova de Santarém pelo seu trisavô Passos Manuel e que acolheu Almeida Garrett nas suas Viagens na Minha Terra, numa “partilha de conhecimento” com o outro. “Agora estou muito mais envolvido no sonho do tempo que me resta, no encontro com a essência, a verdade, a coerência”, disse.O historiador, que na quarta-feira, 9 de Maio, Dia da Europa, celebrou 75 anos de vida, acolheu com naturalidade o jantar com que um grupo de amigos promoveu na sexta-feira para assinalar a data em Santarém.Para Pedro Canavarro, a sua passagem pela política, no partido que teve como figura inspiradora o general Ramalho Eanes, foi mais um acto de cultura, num percurso que o levou ao Parlamento Europeu (sendo o primeiro cidadão a candidatar-se por um partido de outro país, a Liga do Norte italiana).Sublinhando que a história do PRD “ainda não foi feita”, Pedro Canavarro disse à Lusa que o partido não teve vida longa (menos de uma década) porque os valores que defendia eram “quase utopia perante a realidade da vida política”.A aproximação a Ramalho Eanes, então Presidente da República, deu-se no período em que foi comissário geral da XVII Exposição de Arte Ciência e Cultura, organizada sob os auspícios do Conselho da Europa e que teve como tema “Os Descobrimentos Portugueses e a Europa do Renascimento”.Essa exposição, que “beneficiou” do contacto próximo que teve com a cultura japonesa nos dois anos em que foi leitor de português em quatro universidades de Tóquio, foi “marcante” pela experiência de liderar “uma equipa imensa” e diversa e por ter sido a primeira a abrir-se a países que não eram membros do Conselho da Europa, como o Japão, o Canadá, os Estados Unidos, o Brasil, a Polónia, frisou. A passagem pelo Japão, “ainda muito jovem”, deu-lhe a capacidade de viver o valor do silêncio, da verdade, “de dar tempo ao tempo”.
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