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Estudantes de Vila Franca com menos vícios por falta de dinheiro

Estudantes de Vila Franca com menos vícios por falta de dinheiro

Jovens bebem e fumam menos porque os pais estão a cortar nas mesadas

Os alunos do concelho de Vila Franca de Xira estão a fumar e a beber menos. A culpa é da crise e dos pais, que estão a cortar nas mesadas e a deixar os jovens sem dinheiro. A situação foi debatida numa sessão na Escola Secundária Alves Redol

Edição de 16.05.2012 | Sociedade
A crise económica que afecta as famílias está a ter efeito nos vícios dos alunos das escolas do concelho de Vila Franca de Xira. Os pais estão a cortar nos valores das mesadas e os estudantes estão a consumir menos álcool e o tabaco. Alguns já cortaram completamente com os gastos em álcool e tabaco. Quem o diz são as principais associações de jovens da região, que se reuniram na última semana na Secundária Alves Redol em Vila Franca de Xira para debater o tema, num ciclo de conversas organizado pela câmara municipal. Os consumos estão a diminuir mais à custa da crise do que das campanhas de prevenção que se realizam com frequência, admitem os responsáveis e os alunos.Manuel tem 17 anos, é aluno na secundária Alves Redol e no último mês viu o dinheiro da mesada que os pais lhe dão passar dos 50 para os 20 euros por mês. “Mal chega para comer quanto mais para as noitadas. Tenho cortado nos gastos e apenas tenho bebido uma imperial por cada noite em que saio. Noutras noites divide-se uma garrafa de vinho entre três ou quatro amigos e dá para a noite toda”, admite a O MIRANTE. Sabe que não deve beber, mas diz que num grupo onde todos bebem não é socialmente aceite ter sumo no copo. As raparigas têm cortado no álcool mas descobriram outro vício: o tabaco. Rute Borrego, coordenadora do projecto Consumos do Conselho Nacional da Juventude, diz estar “alarmada” com a quantidade de raparigas abaixo dos 16 anos que já fumam. “São mais que os rapazes. E isso tem consequências graves ao nível da saúde, porque estas raparigas serão futuras mães. Estamos a pôr em perigo as futuras gerações”, alerta. As estatísticas da União Europeia mostram que por cada dez alunas seis fumam regularmente. É o caso de Diana, também aluna da secundária Alves Redol. Fez 18 anos em Fevereiro e já fuma. Mas começou a travar cigarros aos 15 anos. “Começou por brincadeira, como forma de me afirmar perante os outros. Depois o vício agarrou. Tenho fumado menos porque não tenho dinheiro. Quando fico sem tabaco vou pedindo uns cigarros aos amigos”, revela.Dentro dos jovens quem mais consome são os alunos provenientes de estratos sociais mais desfavorecidos. “Tem a ver com a falta de cultura em saúde e um maior desejo de afirmação social. Quem tem mais dinheiro gasta menos a beber e a fumar”, garante Rute Borrego. Para Francisco Antunes, 21 anos, vogal da direcção da Associação Académica de Lisboa, o problema está na falta de fiscalização. “A crise ajuda a reduzir o consumo mas não basta. Podem existir as campanhas que forem precisas, de sensibilização nas escolas e na rua, mas é preciso que se cumpra a lei. De nada vale toda a preocupação se depois os bares continuam a vender as bebidas a menores de 16 anos e a polícia não fiscaliza”, lamenta.
Estudantes de Vila Franca com menos vícios por falta de dinheiro

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