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Jovem que morreu após ser agredido por causa de 40 euros era quem ajudava o pai incapacitado

Jovem que morreu após ser agredido por causa de 40 euros era quem ajudava o pai incapacitado

Rapaz acusado de homicídio foi libertado a meio do julgamento porque autópsia aponta outras causas
Edição de 16.05.2012 | Sociedade
O jovem toxicodependente que morreu após ter sido agredido por outro jovem por causa de uma dívida de 40 euros era a grande ajuda do pai que estava incapacitado por causa de dois AVC (Acidente Vascular Cerebral). O caso está em julgamento e o jovem Vasco Rafael, de 21 anos, acusado da morte de António Afonso, e que estava em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Lisboa, foi agora libertado porque o Tribunal de Benavente decidiu alterar a qualificação jurídica de homicídio para crime de ofensas à integridade física qualificada, que tem uma moldura penal menos grave.António Afonso, 27 anos, vivia numa pequena casa no Porto Alto, freguesia de Samora Correia, concelho de Benavente. Os vizinhos descrevem-no como um jovem calmo e reservado. A autópsia revelou que a morte de António Afonso não resultou necessariamente das agressões de Vasco. Ninguém dá a cara para conversar sobre António Afonso. O clima de tensão em que está a decorrer o julgamento no Tribunal de Benavente e o medo de represálias leva os entrevistados a pedirem o anonimato. António Afonso era um jovem reservado e pacato. Não chegou a concluir o 9º ano, mas ninguém lhe aponta má vida. Trabalhou junto de uma entidade bancária, a promover os seus cartões nalgumas empresas da região, e mais tarde como vendedor de objectos que ia comprar a armazéns. Os últimos descontos da segurança social datam de 2010. Depois da separação da mãe, passou a residir só com o pai. António ajudava-o nalgumas tarefas fundamentais em casa. Há mais de um ano que tinha entrado no mundo da droga, mas segundo o que O MIRANTE apurou nunca se tinha metido em problemas com outras pessoas. Socorria-se da mãe que o ajudava sempre a pagar algumas dívidas. Há seis anos que namorava com uma jovem também do Porto Alto. Ia várias vezes por dia ao café A Fragata comprar cigarros. “Entrava, pedia uma sandes e uma cerveja e sentava-se a comer calado. Era uma pessoa muito pacata”, conta um frequentador do café. No dia 7 de Abril de 2011 quando se dirigiu mais uma vez à Fragata, por volta das 15h30, de bicicleta já não voltaria a sair. Vasco Rafael, segundo o Ministério Público, esbofeteou e pontapeou António Afonso, que nunca se defendeu, segundo as testemunhas que prestaram depoimento na primeira audiência. Viria a morrer no dia seguinte no Hospital Santa Maria, em Lisboa, para onde foi transportado. Vasco confessou em tribunal que nunca esperava matá-lo. As testemunhas que estavam no café e presenciaram a agressão também confessaram que nunca pensaram que aquelas agressões resultariam na morte do jovem. Advogada fala em má apreciação dos indícios Um perito do Instituto de Medicina Legal que realizou a autópsia ao corpo considerou que não existia uma relação de causa-efeito entre as agressões e a morte da vítima. “O perito suspeita de um aneurisma. A hemorragia no cérebro que provocou a sua morte poderia ter acontecido cinco minutos antes do incidente”, explica a advogada do arguido, Rosinda Serrão. A causídica apresentou no início do processo um recurso ao juiz de instrução criminal para alterar a medida de coacção, mas não foi aceite. “Existiu uma má apreciação dos indícios logo no início. Estamos perante um caso de justiça de pobres e por isso o meu cliente passou um ano, um mês e dois dias na prisão”, atesta a advogada. Inicialmente Vasco Rio incorria numa pena de prisão entre 12 e 25 anos pelo crime de homicídio qualificado, passando agora a estar sujeito a uma pena máxima de quatro anos.
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