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Relações desafinadas na Filarmónica Samorense levam à demissão do maestro e três professores

Mau ambiente e troca de acusações entre direcção e maestro agudizaram-se quando os ordenados começaram a ficar atrasados
Edição de 16.05.2012 | Sociedade
As relações entre o maestro da banda da Sociedade Filarmónica União Samorense (SFUS), de Samora Correia, concelho de Benavente, e a direcção desafinaram. O maestro demitiu-se de funções e outros três professores da escola de música da colectividade também saíram em solidariedade com Moreira da Silva. Há algum tempo que o ambiente na filarmónica estava de cortar à faca e agudizaram-se quando os ordenados começaram a ficar atrasados chegando a faltar cinco meses. Direcção e maestro envolvem-se agora em trocas de acusações. O maestro, Moreira da Silva, diz que o “ambiente estava minado” e a degradação das relações leva o profissional a acusar o presidente da SFUS de falta de diálogo e de não estar disponível para reunir sobre assuntos da filarmónica. O presidente, José da Avó, que é também vereador do PSD na oposição na Câmara de Benavente não gosta das atitudes do maestro e diz que “os assalariados deveriam seguir as indicações da direcção e não imiscuir-se no seu trabalho”.Moreira da Silva refere que “desde que o José da Avô tomou posse em 2011 marcar uma reunião tornou-se um desespero. Nunca atendia o telemóvel e depois para marcar um dia ainda era mais complicado”. O presidente da colectividade reconhece que nem sempre está disponível, tendo “dias mais difíceis que outros”, mas que outros elementos da direcção estão disponíveis. Para além de dirigir a banda filarmónica, o maestro também era o coordenador da escola de música, mas queixa-se de nunca ter conseguido a colaboração no seu projecto de um professor perante a passividade da direcção. José da Avó explica que o professor trabalhava em outro projecto ensinando instrumentos como a viola ou a guitarra a músicos que não integram a banda filarmónica.Os ordenados em atraso eram também um ponto de discórdia, situação que é reconhecida por José da Avó que no entanto explica que tal se ficou a dever a alguns problemas de tesouraria. Outra situação que gerou controvérsia foi a marcação dos concertos de Natal no concelho por parte da direcção sem passar cavaco ao maestro e aos músicos. Coisa que diz o maestro não era prática na casa. “Os nossos músicos tocam gratuitamente e antes de se marcar um concerto conversava-se sempre com toda a gente para saber da sua disponibilidade de modo a garantir que estava um número mínimo de executantes”, refere Moreira da Silva. O presidente desculpa-se dizendo que os concertos foram pedidos numa reunião de câmara e que esta “dá-nos um apoio muito importante e não poderia deixar de me comprometer com os concertos, tal como aconteceu com os dirigentes de outras bandas filarmónicas do concelho”.Moreira da Silva garante que sai com a sensação de que realizou tudo o que estava ao seu alcance pela SFUS. Durante os últimos quatro anos chegou a apresentar duas vezes a demissão, mas acabou sempre por reconsiderar. O maestro lembra que deixa uma escola de música que quando entrou tinha cinco alunos e que agora tem cerca de 20 e que a banda obteve dois primeiros prémios no Concurso Internacional do Ateneu de Vila Franca de Xira. Os três professores de música, Pedro Araújo, Jacinto Sado e Rui Gaspar, que acompanharam o maestro na demissão dizem que não fazia sentido continuarem no projecto já que trabalhavam como uma equipa. Um dos professores, Rui Gaspar, já colaborava há 25 anos com a SFUS.

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