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“Sempre me senti feliz na Chamusca”

“Sempre me senti feliz na Chamusca”

Paula Monteiro, 44 anos, directora do Lar da Santa Casa da Misericórdia da Chamusca

Nasceu em Moçambique em 1967 mas foi para Lisboa ainda em criança. Tirou o curso de Serviço Social e uma entrevista de emprego na Chamusca acabaria por marcar o seu destino, uma vez que foi nesta vila que conheceu o homem com quem viria a casar e de quem teve três filhos. É directora técnica do Lar da Santa Casa da Misericórdia há 20 anos.

Edição de 16.05.2012 | Três Dimensões
Adoro a festa da Ascensão e as pessoas da Chamusca contagiam os outros com o seu entusiasmo. A ascensão é especial. É um fenómeno interessante e difícil de explicar a quem não vive cá. As pessoas andam mais contentes, saem à rua, andam a pé, encontram-se e reencontram-se. E depois tem outros momentos, muito especiais. A entrada de toiros é fantástica. Pensava que ia ser professora de português. Como tenho uma grande marca de África em mim, pensava em fazer uma missão onde ensinasse português nesse continente, mas as opções foram outras e acabei por estudar Serviço Social. Talvez tenha escolhido esta área porque a missão de ajudar os outros esteve presente nos meus valores de criança e juventude. Em Castelo Branco, onde também vivi, estive ligada à igreja católica e ao trabalho com padres redentoristas de quem guardo uma imagem fantástica porque além da parte espiritual são grandes activistas na área do trabalho social.Não é fácil estar casada com um autarca. Eu e o Francisco Matias (Vice-presidente da câmara municipal da Chamusca) não temos as mesmas opções políticas, aliás, temos pouca coisa em comum. Tento que a vida política interfira o mínimo com a nossa vida pessoal. Desde que nos conhecemos, aos 29 anos, que foi sempre assim mas respeitamos as nossas diferenças. Os opostos atraem-se (risos). Olho mais para o trabalho social do que para a gestão. É um jogo de equilíbrio que tenho que fazer todos os dias. Sou directora técnica do lar da Santa Casa há 20 anos. Cheguei em Agosto de 1991. Concorri a uma entrevista de emprego, fui seleccionada e fiquei. Ainda esperaram por mim alguns meses, até terminar o curso. Acabei por uma pós graduação em administração social, que me ajudou a abrir os horizontes para ser gestora.Vim de Lisboa, pela Estada Nacional 118, com um mapa na mão a tentar descobrir onde era a Chamusca (risos). Ainda bem que o destino me trouxe para este lugar onde sempre fui feliz. Não gosto de grandes cidades. A Chamusca encantou-me por ser uma vila muito bonita e pela forma como fui recebida pela comunidade. Fui recebida por aquele que ainda hoje é o nosso provedor (Fernando Barreto), que me iniciou nesta área social. Para mim é uma figura de referência. O nosso grande objectivo é sermos a casa de alguém. Sou responsável pelas três valências da área sénior da Santa Casa que inclui o lar, centro de dia e apoio domiciliário. Temos 53 residentes no lar, 16 no centro de dia e prestamos apoio domiciliário a 30 famílias. Não é um trabalho muito visível mas é muito profundo a nível familiar e pessoal. Eu e o meu marido decidimos ter uma família numerosa. Tenho três filhos. O Francisco, de 14, o João, de 8 anos e a Maria, de 5 anos e ainda tenho um enteado com 24 anos que ainda está a estudar. Estão habituados a viver no meio de idosos, não lhes faz confusão. Em casa gosto de cozinhar. O pai ajuda-os nos trabalhos de casa. Desde sempre que contamos só connosco e apoiamo-nos uns aos outros. O meu escape é a minha casa, a minha família. Ao fim-de-semana levo os meus filhos às suas actividades. São escuteiros, andam no desporto e no teatro. Temos uma casa na praia, em São Martinho do Porto. Sempre que pudemos fugimos para lá ao fim-de-semana. Sou uma pessoa serena, por natureza, e gosto muito de harmonia. Gosto de ler, de ir ao teatro e de cinema, que passei a ver em casa desde que o meu filho mais velho nasceu. Tenho amigos muitos especiais. Gosto muito de estar em casa, é o canto que me retempera e repõe as energias. Não consigo viver com desorganização mas, com o tempo e com a idade, aprendi a flexibilizar a sua importância.Cultivo a irreverência, embora não pareça. Inspira-me o Bob Marley, o Lennon e a Madre Teresa de Calcutá e o Nelson Mandela. São pessoas que dedicaram a sua vida, com uma certa irreverência, a grandes causas. Têm a coragem de ser diferentes e lutar por um caminho. Acho incrível a coragem de ousar ser diferente e lutar pelo que se acredita, acima de tudo. O grande valor da vida humana é a Liberdade. A liberdade de ser e de poder fazer e não a libertinagem. A dignidade do ser humano é um grande valor que defendo para mim e para os meus filhos. Acredito que se deve lutar pelo bem das pessoas e fazer os outros felizes. Há sempre alguém por perto que precisa de nós. Elsa Ribeiro Gonçalves
“Sempre me senti feliz na Chamusca”

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