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Jogadores e técnicos do Ferreira do Zêzere não acreditam que treinador matou amigo

Jogadores e técnicos do Ferreira do Zêzere não acreditam que treinador matou amigo

Há cerca de um mês Carlos Mata confessou ter morto o melhor amigo, João Perisco, e lançado o corpo ao mar, mas muitos duvidam que o tenha feito.

Edição de 23.05.2012 | Sociedade
“Ainda hoje não acredito que tenha sido ele que tenha morto o amigo”. As palavras de Daniel Francisco, 56 anos, técnico da equipa de juniores do Club Ferreira do Zêzere, são secundadas por todos aqueles com que falámos um mês após o crime que chocou Tomar e Ferreira do Zêzere. Carlos Mata, 42 anos, que treinava a equipa sénior do Sport Club Ferreira do Zêzere confessou ter morto o seu melhor amigo, João Perisco, a 24 de Abril, em Tomar - onde ambos residiam - por alegados problemas financeiros. Às autoridades confessou o crime e disse que atirou o cadáver ao mar na zona da Nazaré mas, até hoje, o corpo não foi encontrado, adensando ainda mais as dúvidas sobre este caso. Familiares já confirmaram que, de facto, Carlos Mata estaria a passar dificuldades económicas e que tinha pedido dinheiro emprestado aos pais mas ninguém sabe esclarecer qual a origem destas dívidas avultadas, feitas em tão pouco tempo, nem o que o terá levado a matar o amigo. Carlos Mata é descrito como uma pessoa calma e simples e nos treinos raramente se exaltava ou perdia o controlo. No Ferreira do Zêzere foi jogador, treinou as camadas jovens em dois escalões e estava há duas épocas à frente da equipa sénior. Não auferia salário mas recebia prémios de jogo o que lhe permitia levar, por época, cerca três mil euros para casa. A sua situação profissional era estável uma vez que trabalhava, há muitos anos, como responsável de armazém na empresa Rimarbal na Zona Industrial de Tomar. “Apenas vibrava com os jogos, como é natural em qualquer treinador que quer que a equipa vença”, disse a O MIRANTE João Mendes, vice-presidente do emblema de Ferreira do Zêzere, igualmente incrédulo com o sucedido. “Era um homem pacato, amigo do seu amigo e não tinha conflitos com ninguém. Nada fazia prever esta situação. Ainda hoje estou perturbado”, refere.João Mendes falou com Carlos Mata no dia anterior ao crime, pois era ele quem tinha que levar a carrinha do clube à inspecção automóvel e não notou nada de anormal no seu comportamento ou voz. Por isso, tem dúvidas que terá sido ele mesmo a cometer o crime. “Falam em muitas coisas mas certezas não as há. É muito estranho porque era uma pessoa que prezava a família e nem sequer saia com os jogadores à noite”, atesta. Daniel Francisco refere que Carlos Mata tinha um bom carácter embora reconheça que “quem vê caras não vê corações”. A sua teoria é de que Carlos Mata terá confessado o crime “com medo” de terceiros mas acrescenta que ainda há muito a investigar. “Por mais problemas financeiros custa-me a crer que matasse o amigo”, refere. “Ainda estou incrédulo com tudo isto”Tiago Joaquim, capitão da equipa sénior do Sport Club Ferreira do Zêzere, morador em Tomar, foi das primeiras pessoas a saber o que tinha acontecido e diz que quando contou aos outros jogadores muitos não acreditaram. Conhecia-o há 10 anos e diz que sempre o viu como uma excelente pessoa, de poucas falas e metida no seu canto. “Nos treinos dava-nos liberdade e não se chateava com as nossas quezílias. Até lhe podíamos pisar os calos que não dizia nada”, conta a O MIRANTE. O jogador acrescenta mesmo que se lhe contassem o que tinha acontecido o nome do seu treinador era um dos últimos que associava a este crime. “Conheço-o há muitos anos, uma vez que cheguei a jogar com ele, e nunca o vi exaltado. Por isso, hoje ainda estou incrédulo com tudo isto”, refere. Detido desde o dia em que se entregou à polícia, a 28 de Abril, Carlos Mata, casado e com dois filhos menores, sentia orgulho da função que ocupava. “ Sou treinador da melhor equipa do mundo. Pode ganhar a qualquer uma, mas também pode perder: Sport Club Ferreira do Zêzere”, brincava no seu facebook.
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