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Pai do piloto que morreu em Benavente incentiva jovens a seguirem o sonho dos aviões

Pai do piloto que morreu em Benavente incentiva jovens a seguirem o sonho dos aviões

Cinco novos alunos inscreveram-se na escola de voo dois dias depois do trágico acidente

Um mês e meio depois do acidente que tirou a vida a dois jovens no Campo de Voo de Benavente, o responsável técnico do campo, Luís Malheiro, garante que todas as condições de segurança são rigorosamente cumpridas e que é mais seguro voar que andar na estrada.

Edição de 23.05.2012 | Sociedade
A queda de um avião no Campo de Voo de Benavente que provocou a morte a dois jovens não fez desmotivar nem os responsáveis pela escola de pilotagem nem os jovens que têm gosto pelos aviões. Dois dias depois do trágico acidente, a 3 de Abril, inscreveram-se na escola cinco novos alunos. O próprio pai do piloto que perdeu a vida deixou uma mensagem de solidariedade e de incentivo para com os amantes da aeronáutica no dia do funeral do filho: “A todos, sobretudo aos mais jovens da comunidade aeronáutica, desejamos que a vida do Pedro seja um incentivo para as vossas vidas e os vossos sonhos”.A vida no campo de voo, na freguesia de Santo Estêvão, vai entrando na normalidade apesar de não sair da memória o horror do acidente e a consternação pelas vítimas. Uma das coisas que ajudou os responsáveis do campo a ganharem forças para seguirem em frente foi as cerca de 500 mensagens de solidariedade que receberam da comunidade aeronáutica após a queda do avião. Em 2003 já se tinha registado um acidente mortal na mesma zona, mas, lembra o responsável técnico do campo de voo, Luís Malheiro, que nessa altura ainda não existia a actual estrutura e que depois disso as aeronaves e as aulas de instrução estão sujeitas a rigorosos parâmetros de segurança.Os acidentes com aviões causam mais aparato e impressionam mais, mas os desastres de automóveis causam muitos mais mortos e feridos graves num ano que os de aviação em muitos anos. “Os acidentes com aviões são mais mediáticos. Se acontecer algum problema não se pode encostar à berma da estrada como um carro”, constata Luís Malheiro, acrescentando que entrar numa máquina, seja ela qual for, “envolve sempre riscos”.Não existe memória no campo da paragem de um motor. Sempre que uma aeronave cumpre um determinado número de horas de voo, o motor é inspeccionado e mais tarde desmontado. E mesmo que o motor pare, é sempre possível continuar a planar e aterrar em segurança. Todas as aeronaves possuem também um pára-quedas para situações de emergência. O recente acidente ainda está em investigação, mas o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronave (GPIAA) admite no seu relatório preliminar a possibilidade de interferência do passageiro.A sensação do primeiro vooExperimentamos dar uma volta no avião Dynamic WT9, muito semelhante à que se despenhou no dia 3 de Abril. É o baptismo de voo. As pernas tremem, sente-se um aperto no peito. O coração galopa à medida que o aparelho percorre os 200 metros da pista do Campo de Voo de Benavente antes de descolar. Os nervos, o medo, apodera-se da jornalista. “E se tenho vertigens e se enjoo”, pensa.Mal a aeronave levanta, surge uma sensação de liberdade. O coração acalma e os olhos começam a contemplar a paisagem de extensos campos de cultivo e aglomerados de casas do concelho de Benavente. Faz calor, não há vento nem nuvens e o avião voa mais estabilizado que um carro numa estrada. O telemóvel não toca, não se ouvem carros a buzinar e parece que todas as preocupações desaparecem. São 15 minutos de emoção e descontracção que fazem esquecer o medo de voar numa pequena aeronave. Vale a pena. 300 alunos formados em 22 anosConstruído em 1990, o Campo de Voo de Benavente é actualmente uma das principais escolas de pilotagem de aviação ultraligeira, possuindo sete aeronaves. Já formou cerca de 300 alunos com idades compreendidas entre os 17 e os 84 anos. Neste momento 35 alunos estão a tirar o curso de instrução que custa entre 3500 e 5000 euros e tem a duração de um ano, estando certificado pelo Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC). É possível comprar no campo aeronaves, acessórios ou usufruir de um conjunto de serviços. Sala recebe nome do jovem que morreuA tertúlia do campo de voo de Benavente, gerida por Paulo Cunha, conta de momento com 1145 membros. Todos os fins-de-semana organizam actividades. As verbas das iniciativas são doadas à Associação Servir, que acolhe doentes mentais e toxicodependentes, e está situada ao lado do campo. A tertúlia decidiu dar o nome do piloto que morreu, Pedro Novais Gonçalves, a uma das salas.
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