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Trânsito que foge às portagens causa mossas nas cidades do Médio Tejo

Trânsito que foge às portagens causa mossas nas cidades do Médio Tejo

Autarcas reclamam redução dos preços na A23 e reivindicam a manutenção das isenções para os utilizadores frequentes das antigas SCUT para lá de 30 de Junho.

Edição de 23.05.2012 | Sociedade
O presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo apelou ao Governo para que pondere seriamente a redução dos preços que estão a ser cobrados nas antigas auto-estradas sem custos para o utilizador (SCUT), advertindo para a degradação de cidades onde foram gastos milhões de euros em reabilitação devido ao acréscimo de tráfego decorrente da fuga às portagens.“Queremos alertar o Governo para a gravidade do que se está a passar, tanto em termos da redução enorme da receita como da degradação acelerada de novas zonas urbanas das cidades, que estão a ser destruídas” pelo tráfego que passou a atravessá-las, disse António Rodrigues à agência Lusa.Para o autarca de Torres Novas, mais que a questão das isenções para as populações residentes, é preciso encarar de vez a realidade dos números e perceber que os preços praticados nas antigas SCUT, como é o caso da A23, são de tal forma elevados que não resta outra opção senão as estradas secundárias, que atravessam as vilas e cidades onde foram investidos milhões de euros em reabilitação.“Se praticarem um preço de equilíbrio todos saem a ganhar, pois aumentam a receita e não destroem as nossas cidades, que não foram feitas para suportar esta dimensão de tráfego”, disse António Rodrigues. Como exemplo apontou Torres Novas, que, por ser a primeira para quem sai da A1 em direcção a Castelo Branco, passou a ter um nível de circulação, sobretudo de veículos pesados, insuportável.“Em pouco tempo, numa das principais avenidas da cidade, foram partidos 15 candeeiros e as peças de uma antiga destilaria colocadas numa das rotundas foram destruídas”, disse, acrescentando os danos no piso e em árvores e o fim do sossego para as populações.“São milhões de euros que estão a ser destruídos, dinheiro de fundos comunitários, de todos nós, usados para fazer cidades do futuro, modernas e não pensadas para esta dimensão de tráfego. É o país que está a perder”, alertou.A A23 atravessa, na região, os concelhos de Torres Novas, Entroncamento, Vila Nova da Barquinha, Constância, Abrantes e Mação.Tráfego na A23 baixou consideravelmenteUma moção aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal de Torres Novas lembra que o tráfego médio diário na A23 baixou cerca de 30 por cento desde que foram introduzidas as portagens, com impactos “devastadores” no “custo das exportações, no consumo de combustível, na sinistralidade rodoviária, na qualidade de vida das pessoas, na qualidade do ar, no turismo, nos custos para as autarquias”.A moção, apresentada pelo Bloco de Esquerda, reivindica a manutenção das isenções para os utilizadores frequentes das antigas SCUT depois de 30 de Junho e a alteração dos critérios de formação de preços.No caso da A23, os municípios do Médio Tejo lamentam que a região seja abrangida pelo fim das isenções apenas porque o PIB desta NUT III não inclui ainda o município de Mação, o que acreditam que a deixaria dentro dos parâmetros definidos (PIB inferior a 80 por cento da média nacional).A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo solicitou ao Instituto Nacional de Estatística o cálculo do PIB incluindo o município de Mação (que integrou esta NUT III em 2010), mas o INE declarou a impossibilidade de calcular o PIB por município. “Em síntese, sem Mação, rondamos os 82 por cento do PIB e com o PIB de Mação (desconhecido) como ficamos?”, questiona um autarca da região.
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