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Barricado Manuel Serra d’Aire

Edição de 02.01.2013 | E-mails do outro mundo
Lamento informar-te mas o mundo não acabou, para desgosto dos apreciadores de filmes de catástrofes e dos adeptos do Sporting, passe a redundância. Sendo assim, trata de sair da cave onde te barricaste e volta a fazer-te à vida, porque esta não se faz só de presunto de porco bísaro e de vinhaça da boa. Há também as mulheres, a cerveja, o futebol e as férias, coisas por que vale a pena sair da toca.Fiquei desiludido com o recuo na política expansionista da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo que depois de ter aprovado a agregação de sete concelhos do distrito de Castelo Branco, criando uma região que ia da serra de Aire até à fronteira com Espanha, decidiu voltar atrás na sua postura imperialista devido à oposição de Ourém. “Ou ficas com a Nossa Senhora de Fátima ou ficas com a Senhora do Almortão! Com as duas é que não!” - terá sido este, segundo a minha credível versão, o ultimato feito pelo autarca de Ourém Paulo Fonseca, ao qual o camarada António Rodrigues, presidente do Médio Tejo, teve de dar guarida. Até porque nunca teve jeito para tocar adufe e abdicar da Nossa Senhora topo de gama do país, relegando-a para os braços de Leiria, seria um péssimo acto de gestão num ano em que só mesmo um milagre nos pode salvar de uma barrigada de pão e água.Neste início de ano também me sinto desolado com o sucessor de Moita Flores à frente da Câmara de Santarém, o fleumático Ricardo Gonçalves. Com ele perdeu-se toda aquela efervescência nas reuniões de câmara e da assembleia municipal que garantia sempre boas audiências e histórias para contar nos cafés e nos jornais. Hoje é uma apagada e vil tristeza em que só se ouve falar de austeridade, de crise, de dívidas e coisas afins. É pior que os telejornais.Com Moita Flores era fundação da liberdade, era pólo equino made in Brasil que criava milhares de empregos, era novo cemitério e crematório, era tudo em grande e à francesa. Ou não fosse o autarca-escritor-comentador-professor-ex-polícia um conhecedor e apreciador da realidade gaulesa (e de todas as outras realidades, diga-se de passagem, pois o homem é uma autêntica enciclopédia no sentido mais iluminista do termo).Com o pacato Ricardo Gonçalves, Santarém desceu à terra (ou à cave, para ser mais preciso) e à pobreza franciscana de já não haver dinheiro para carnavais e outras festanças que nos tempos de Moita Flores eram muitas e diversas, para todos os gostos, credos e ideologias. Agora, até a passagem de ano tem de ser organizada por privados, porque a câmara não tem cheta para o revéillon. Os romanos fomentavam a política do pão e circo para manter o povo alheado das coisas mais sérias. Nós, com estes políticos sorumbáticos, sem espírito folgazão, algum dia nem temos pão nem temos circo. E tristezas não pagam dívidas. Como invejo a malta de Oeiras, que depois do arrojado Isaltino pode ter agora o animado Moita. Depois de ter sobrevivido ao anunciado fim do mundo espero sobreviver à passagem do ano, pois escrevo-te antes do revéillon. É que à minha adega ainda não chegou a austeridade e enquanto há fígado há esperança.Saudações rapioqueiras e votos de um bom 2013 do Serafim das Neves

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