uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Escolas obrigadas a deitar para o lixo comida boa que podia alimentar alunos carenciados

Escolas obrigadas a deitar para o lixo comida boa que podia alimentar alunos carenciados

Nem os restos para dar aos animais podem sair dos estabelecimentos de ensino

A Associação Companheiros da Noite não compreende que se desperdice comida das escolas e a vice-presidente da Câmara do Entroncamento com o pelouro da Educação não via mal se pelo menos o pão e a fruta pudessem ser dados aos alunos para consumirem em casa, mas há determinações que o impedem.

Edição de 02.01.2013 | Sociedade
Um aluno de uma escola que esteja a passar fome não pode levar a comida que sobra na cantina do estabelecimento de ensino para casa. Os funcionários dos refeitórios ou das empresas que fornecem as refeições não estão autorizados a darem comida para além da que é servida ao almoço e nem o director da escola o pode autorizar. As normas que constam também de comunicados enviados pelo Gabinete de Acção Social da Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo assim obrigam e nem sequer é permitido levar para casa os ossos ou os restos para os cães. Numa época em que cada vez há mais gente a precisar de apoio alimentar há comida boa a ir para o lixo, o que não é uma situação compreensível para Ana Pereira da Associação Os Companheiros da Noite, em Vila Franca de Xira, que fornece refeições a pessoas carenciadas e sem-abrigo. “Qualquer comida que é desperdiçada faz-nos aflição”, comenta. A instituição tem conhecimento desta situação nas escolas e recebe de particulares bens alimentares ou compra os alimentos para distribuir a quem passa fome. Esta situação contrasta com o que vem sendo defendido por várias organizações preocupadas não só com o desperdício como com a situação de crise em que vivem muitas famílias. Até a Agência Portuguesa do Ambiente, no seu site na internet, considera que “nos países desenvolvidos, o fluxo de resíduos alimentares representa uma fracção considerável dos resíduos urbanos produzidos, com repercussões consideráveis na perspectiva de um desenvolvimento sustentável no eixo social, económico e ambiental”. Em causa está a chamada segurança alimentar e as condições de conservação e transporte dos alimentos para fora da escola, pretendendo-se prevenir eventuais problemas de saúde. Mas se a comida não pode sair da escola, em contrapartida as pessoas podem ir a um restaurante comprar a refeição e levar para casa em caixas de plástico. Ou ir comprar um frango assado que tanto pode ir em caixas de alumínio como em sacos de papel, como constata a vice-presidente da Câmara do Entroncamento, Paula Costa que tem o pelouro da Educação. Numa escola da região numa visita dos responsáveis pela educação do município foi encontrado um balde que se destinava a recolher os restos para uma funcionária levar para os animais domésticos, que foi mandado retirar. Na Escola Dr. Ruy d’Andrade no Entroncamento costumavam sobrar entre 20 a 30 refeições porque os alunos que compravam a senha de almoço acabavam depois por não o consumir. “Tivemos que sensibilizar os pais para que se acabasse com este desperdício evitando-se deitar tanta comida fora”, refere Paula Costa. A vice-presidente do Entroncamento lembra que está a decorrer uma campanha no concelho denominada “Direito à Alimentação”, que só é possível devido à participação de restaurantes que fornecem os pratos que depois são distribuídos aos carenciados pela Associação Voluntariado e Acção Social do Entroncamento. “Ainda pensámos na hipótese de aproveitar a comida dos refeitórios das escolas mas não podemos”, realça Paula Costa, que em seu entender não havia qualquer problema em as escolas pelo menos darem o pão e a fruta a alunos com carências alimentares. Recorde-se que recentemente foi levantado um inquérito sobre o fornecimento de sobras da cantina da Escola EB 2,3 de Marinhais, Salvaterra de Magos, a funcionários e professores. Neste caso estas eram vendidas a preços simbólicos. Os envolvidos no caso arriscam-se a processos disciplinares que pode em últimas consequências levar ao seu despedimento. Elementos da Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT) fizeram uma inspecção ao estabelecimento de ensino e aguarda-se um relatório sobre a situação.
Escolas obrigadas a deitar para o lixo comida boa que podia alimentar alunos carenciados

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...