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População de Salvaterra não tem bombeiros com capacidade para socorro rápido

População de Salvaterra não tem bombeiros com capacidade para socorro rápido

Federação Distrital de Bombeiros diz que a câmara não se tem preocupado com a segurança das pessoas

Com dívidas a rondar os 500 mil euros, funcionários com contratos de trabalho suspenso por falta de pagamento e com elementos sem formação para operarem com ambulâncias do INEM, os Bombeiros de Salvaterra de Magos são a pior corporação no distrito. Voluntários de Almeirim, que têm ajudado no socorro, dizem que a situação não é sustentável por muito mais tempo.

Edição de 09.01.2013 | Sociedade
A população de Salvaterra de Magos tem uma corporação de bombeiros sem capacidade para socorrer prontamente durante as 24 horas do dia. Aos voluntários faltam meios e pessoal com formação adequada para responder a acidentes ou doenças graves e muitos serviços de emergência têm sido assegurados pelas corporações vizinhas e com alguma frequência pelos Bombeiros de Almeirim. Já houve até a necessidade de mobilizar ambulâncias de Azambuja, o que faz com que o socorro demore muito mais tempo. Com este cenário, o presidente da Federação Distrital de Bombeiros, Diamantino Duarte, não tem dúvidas que a corporação é a pior do distrito em termos de capacidade operacional.Este ano a corporação teve mais de 1500 chamadas de emergência médica o que lhe permitia receber um posto INEM (ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica), mas não pode porque não há pessoal com formação adequada exigida pelo instituto. O comandante dos bombeiros, José Alberto Vitorino, reconhece a situação e esclarece que muitos dos operacionais assalariados ou já não têm idade ou não têm habilitações para frequentarem os cursos do INEM. E que a situação se deve também ao facto de, durante muitos anos, se ter descurado a formação dos elementos do corpo de bombeiros. Para agravar a situação, os bombeiros que estavam a tempo inteiro suspenderam os contratos de trabalho por atraso nos pagamentos dos ordenados e os serviços estão a ser assegurados por voluntários consoante a sua disponibilidade.Diamantino Duarte acredita que a corporação vai conseguir ultrapassar as dificuldades e que está a ser feito um esforço nesse sentido. O que não tem sido fácil atendendo às dívidas que vinham das anteriores direcções que chegaram a cerca de 500 mil euros. O presidente da federação considera que a câmara municipal, enquanto entidade responsável pela protecção civil no concelho, também pode ter descurado o acompanhamento e o apoio aos bombeiros da terra. “As entidades locais estão desfasadas da realidade dos bombeiros. A câmara devia ter outra actuação e fazer opções. Ou faz mais três quilómetros de estrada ou garante a segurança e protecção dos munícipes do concelho”, realça. A presidente da autarquia, Ana Cristina Ribeiro, contactada por O MIRANTE, diz que vai pedir uma reunião ao presidente da federação para esclarecer a situação, realçando que “prefere o esclarecimento directo das situações junto das respectivas entidades, não o fazendo através dos órgãos de comunicação social”.O presidente dos Bombeiros Voluntários de Almeirim, que têm sido accionados bastantes vezes para fazer o socorro em Salvaterra de Magos, concorda que tem que haver solidariedade e complementaridade entre corporações, mas ressalva que a situação não é sustentável por muito mais tempo e que têm de ser encontradas soluções. Pedro Ribeiro, que também é vice-presidente da Câmara de Almeirim, considera que os bombeiros têm que estar minimamente equipados para prestar o socorro às populações. “Temos meios dimensionados para uma resposta eficaz em Almeirim, mas a necessidade de ocorrer a emergências em Salvaterra deixa-nos por vezes com uma capacidade operacional reduzida”.Para Pedro Ribeiro, o que se passa em Salvaterra também é da responsabilidade da Autoridade Nacional de Protecção Civil que deve acompanhar mais as corporações. “A autoridade devia fiscalizar os corpos de bombeiros e inteirar-se da sua situação financeira. Recebemos dinheiros públicos e o Estado deve saber o que é feito ao dinheiro e deve também de uma vez por todas definir o que quer em termos operacionais em cada local”, realça. Acrescenta que as pessoas muitas vezes revoltam-se contra os Bombeiros de Almeirim porque a ambulância demorou muito tempo a chegar a Salvaterra, quando esta tem que percorrer pelo menos 30 quilómetros.
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