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Sacristão suspeito de pedofilia libertado porque investigação não ficou concluída dentro do prazo

Ministério Público ainda não tinha deduzido acusação quando terminou o período estipulado para a prisão preventiva

Juiz de instrução só podia prorrogar o tempo de prisão preventiva ou decidir colocá-lo em prisão domiciliária se o processo se revestisse de especial complexidade, mas os pressupostos para tal não estavam reunidos e não lhe restou outra alternativa que a de mandar devolver o suspeito à liberdade.

Edição de 09.01.2013 | Sociedade
O sacristão de Casais da Lagoa preso por suspeita de pedofilia com crianças da catequese foi posto em liberdade porque o Ministério Público não deduziu acusação dentro do prazo. O jovem de 28 anos, Rodrigo Pereira, estava em prisão preventiva, mas esgotou-se o tempo em que era possível mantê-lo na prisão e o juiz de instrução criminal no Tribunal de Santarém, onde o arguido foi presente para reavaliação das medidas de coacção, não teve outro remédio senão determinar a sua libertação durante o tempo em que ainda vai esperar pelo julgamento.O Ministério Público tinha quatro meses para concluir a investigação e deduzir acusação, mas não o fez dentro desse período. O atraso pode dever-se ao facto de as autoridades alargarem o âmbito da investigação uma vez que o suspeito privou com outras crianças para além daquelas que foram identificadas como vítimas. O juiz de instrução só podia prorrogar o tempo de prisão preventiva ou decidir colocá-lo em prisão domiciliária se o processo se revestisse de especial complexidade, mas não estavam reunidos os pressupostos para tal.Apesar da libertação, o suspeito não foi para a terra onde terão sido cometidos os crimes e ficou a residir em casa de um familiar no Cartaxo, estando assim afastado das vítimas e do local dos crimes. Entretanto o padre responsável pela paróquia já tinha dito a O MIRANTE que não tem vontade de o aceitar de volta na igreja. “Neste momento as actividades da paróquia decorrem normalmente mas essa pessoa não voltará”, vincou o padre António Cardoso, que na altura disse ter ficado “profundamente chocado” e “envergonhado” com o sucedido, acrescentando que esta é “uma situação inadmissível e gravíssima. Uma criança é sagrada e intocável”, desabafou. O jovem chegou a privar com mais de 300 crianças que participavam nas colónias de férias da paróquia, mas não há indícios de que tenha cometido algum abuso contra elas. Recorde-se que duas crianças que frequentavam a catequese na paróquia, com 11 e 12 anos, queixaram-se aos pais de abusos sexuais por parte de Rodrigo que teriam ocorrido quer na capela quer num barracão situado nas proximidades da igreja. Os progenitores não acreditaram nas crianças tal era a confiança que a população tinha no jovem, que era visto como uma pessoa prestável e respeitadora. Foi preciso as crianças fazerem um vídeo com o telemóvel para que os pais apresentassem queixa nas autoridades no dia 18 de Junho.O suspeito foi detido por inspectores da secção de combate aos crimes sexuais da PJ à saída da sua casa em Casais da Lagoa. Quando foi detido estava a angariar fundos para comprar uma nova imagem do menino Jesus para a capela, que se partiu ao cair no chão. Ouvido em primeiro interrogatório, o juiz de instrução criminal decidiu aplicar-lhe a medida de coacção de prisão preventiva. O caso gerou desconforto na aldeia, onde o suspeito era considerado como sendo uma pessoa pacata. Era decorador de arte floral e fazia arranjos para casamentos e baptizados, colaborando também com uma empresa de flores em Vila Franca de Xira.

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