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Ana Margarida Duarte descobriu o atletismo aos quarenta anos

A atleta do CCD “O Alvitejo” é agora uma das figuras mais conhecidas e prestigiadas nas provas de cariz popular

Até aos 40 anos, Ana Margarida Duarte não teve qualquer ligação na área do desporto. Nessa altura resolveu acompanhar o filho nos treinos que fazia para entrar para a Força Aérea, gostou e não mais parou. Hoje é uma das mais conhecidas atletas do atletismo popular.

Edição de 16.01.2013 | Desporto
O atletismo entrou na vida de Ana Margarida Duarte de uma forma curiosa. Tinha já 40 anos e o seu contacto com a modalidade só tinha acontecido nos tempos da escola primária. “Era aluna do professor Alder Dante, aqui em Almeirim, e ele, pelo menos uma vez por semana, colocava-nos a correr à volta da escola. Depois segui a minha vida e nunca mais pratiquei qualquer modalidade desportiva”, disse a atleta.Já tinha entrado na ternura dos quarenta, o filho mais velho precisou de emagrecer para entrar para a Força Aérea, e começou a ir treinar para o circuito de manutenção. “Eu resolvi acompanhá-lo, ao princípio não foi fácil, corria 200 ou 300 metros e depois ia andando enquanto ele corria. Passado um ano já conseguia dar 15 voltas ao circuito”, diz com simplicidade Ana Margarida Duarte.A atleta é casada e tem dois filhos, o mais velho tem 27 anos e está na Força Aérea. A mais jovem tem 14 anos e é estudante, nenhum deles pratica desporto de competição. “O meu filho quando entrou para a vida militar parou, mas eu continuei a ir correr para o circuito de manutenção. Sentia-me bem e fazia uma coisa que gostava”.Durante cerca de um ano Ana Margarida correu no circuito de manutenção onde muitas outras pessoas faziam a sua preparação, um dia um grupo de amigos, que já entrava em provas, admirado com a sua capacidade física, propôs-lhe que viesse treinar com eles para a estrada. “Foi o Rui Sal que mais força fez para eu vir para fora do circuito, fiz um percurso de oito quilómetros e já não mais quis ir para o circuito”.“Fui treinando com o grupo e, um dia, o João Jacinto desafiou-me a ir fazer uma prova ao Torneio de Atletismo das Freguesias de Rio Maior. Fui a nível individual e as coisas não correram nada mal, fiquei no segundo lugar, trouxe um troféu. Foi logo um entusiasmo muito grande. Quando cheguei a casa e mostrei o troféu ficaram todos muito admirados. E já não parei mais”, diz com descontracção Ana Margarida.Sem ter qualquer orientação de treino, Ana Margarida fez muitas provas. “Treinava, fazia provas ao sábado e domingo. O atletismo tornou-se um vício. Ao princípio gostava do que fazia mas foi difícil, emagreci muito e conciliar as coisas com a vida de casa também não foi fácil. Hoje tudo está dentro da normalidade. Mas ao princípio só o ter-me apaixonado pela modalidade permitiu que continuasse”.Mais tarde Ana Margarida foi convidada a entrar para a equipa de “O Alvitejo” de Vale de Figueira. “Fui e não mais saí. No Alvitejo somos uma autêntica família, ninguém nos exige nada, apenas querem que tenhamos prazer naquilo que fazemos”, disse.A atleta começou então a fazer as coisas mais a sério, tem um plano de treino preparado por um treinador credenciado e as vitórias começaram a aparecer. “Às vezes até eu própria fico admirada até onde consegui chegar. Traço objectivos a curto prazo, e tenho conseguido atingi-los. 2012 foi um ano muito bom, para além das dezenas de vitórias no meu escalão, consegui também uma boa mão cheia de vitórias absolutas, muitas vezes a competir com atletas mais jovens e com outras condições de treino”, referiu com satisfação.Aos 46 anos, Ana Margarida Duarte é mesmo um exemplo no sector feminino do atletismo popular. “O ano passado consegui vitórias absolutas em provas populares de grande prestígio, venci um pouco por todo o país, sempre provas longas, que são onde me sinto melhor. Já fiz três vezes os 20 quilómetros de Almeirim e em 2012 foi o melhor ano, fiquei no quarto lugar absoluto, foi por pouco que não cheguei ao pódio”.Já correu várias vezes no estrangeiro, nomeadamente em Espanha, onde as coisas não têm corrido nada mal. “Mas recordo com emoção a Corrida das Fogueiras, disputada em Peniche, é uma das provas populares mais prestigiadas do país. Quando saí de casa tracei o objectivo de chegar ao pódio e ganhar uma das meias libras do prémio. Consegui, fiquei em terceiro e bati o meu tempo em relação às outras participações”.Ana Margarida não hesita em levantar-se às 5h30 da madrugada para tratar das coisas em casa, e ir treinar antes de ir para o trabalho. “Não é nada fácil, mas quem corre por gosto não cansa, vou treinando seis dias por semana e os resultados vão aparecendo. Como disse há pouco às vezes fico admirada com os resultados que consigo”. “O ano passado fui fazer a meia maratona de Ovar, estavam presentes todas as grandes atletas portuguesas, incluindo as olímpicas, Jessica Augusto, Dulce Félix, Marisa Barros e algumas estrangeiras. Pensei para comigo, onde é que eu vou ficar. No fim acabei em 17ª na geral e a menos de dois minutos da Jéssica que foi a vencedora”, contou Ana Margarida Duarte.“Deixei o Circuito Nacional de Montanha a chorar”No segundo ano de Ana Margarida Duarte na equipa de “O Alvitejo”, o clube filiou-se na Federação Portuguesa de Atletismo para as suas equipas masculinas e femininas participarem no Circuito Nacional de Montanha. A atleta delineou objectivos que passavam por ficar num dos primeiros cinco lugares. Teve aí a sua maior desilusão e no final teve que se contentar com o sexto lugar.“Foi um sexto lugar que me custou muito a digerir e ajudou a abandonar o circuito de Montanha. As provas de montanha são muito duras, mas também têm uma beleza extraordinária, passamos por paisagens deslumbrantes e a amizade e a entreajuda entre os concorrentes são muito fortes. Numa prova disputada na região do Douro, só consegui chegar ao fim porque fui muito ajudada pelos meus companheiros masculinos. Quando era a subir os socalcos, passavam primeiro e depois puxavam-me. Se não fosse assim não conseguia subir a maioria deles”, garantiu Ana Margarida.O circuito é composto por 15 provas, mas os atletas só pontuam em cinco. “Por isso escolhemos as cinco que nos dão mais condições. Fizemos isso e tudo corria bem estava dentro dos cinco primeiros como era o meu objectivo e com condições para chegar mesmo ao pódio. Mas na última prova a que fomos, a Corrida do Monge, na Serra de Sintra, tudo se complicou. A organização marcou o terreno com fitas da câmara e na mesma zona disputava-se também uma corrida de BTT, marcada exactamente com as mesmas fitas. 80 por cento dos atletas foram induzidos em erro e acabaram por correr o dobro dos quilómetros do percurso. No final a Federação reconheceu o erro, mas recusou anular a prova e isso fez-me cair para o sexto lugar. Deixei assim o circuito de montanha a chorar. Chorei mesmo muito, tinha feito um esforço muito grande para ser prejudicada daquela maneira”, disse a atleta.

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