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Metade das famílias que recorrem ao Centro de Apoio à Família de Tomar são “novos pobres”

Metade das famílias que recorrem ao Centro de Apoio à Família de Tomar são “novos pobres”

Valência, inserida no Plano de Emergência Social do município, foi criada há nove meses e apoia 440 núcleos familiares. Metade dos processos reportam-se a famílias ou pessoas que há um ano estavam bem mas agora estão mal.

Edição de 16.01.2013 | Sociedade
Inaugurado em Abril de 2011, o Centro de Apoio à Família (CAF) que centraliza num único espaço todas as instituições que colaboram, apoia 440 núcleos familiares de todo o concelho. De acordo com a vereadora da Acção Social da Câmara de Tomar, Rosário Simões (PSD), metade destes processos são “casos novos” que resultam da degradação da conjuntura social e económica do país. “Ajudamos pessoas que ficaram desempregadas, que deixaram de receber subsídio de desemprego por limite de tempo, que regressaram às origens para junto de familiares, pessoas que saíram de um divórcio e até vítimas de violência doméstica”, exemplifica, acrescentando que há que diferenciar os casos de pobreza de longa duração, ou seja, os que estão sinalizados há anos, dos que emergem nos últimos tempos. “O objectivo final é que a família se reestruture e saia da situação de carência”, salienta, acrescentando que os 22 técnicos de acção social que ali trabalham acompanham a evolução de cada um dos agregados apoiados. Nas instalações do CAF, localizadas numa cave discreta junto ao Café da Nabância, em frente ao Centro de Saúde, encontramos dois voluntários a arrumar roupa, brinquedos e comida, oferecida por quem hoje está bem mas amanhã pode não estar. Poucos minutos antes, à saída, cruzámo-nos com uma jovem rapariga, cabisbaixa, que carregava um saco com vários bens alimentares. É que, apesar da função do CAF não passar por distribuir comida - essa vertente é assegurada pelas três cantinas sociais que existem no concelho -, neste centro “há sempre um pacote de arroz para dar” ou agasalhos a quem necessita.De acordo com Rosário Simões, as famílias não pedem apenas bens alimentares. “Temos pessoas que também necessitam de roupa mas procuram-nos, principalmente, para ajudarmos com o pagamento de facturas de água, electricidade, gás ou de medicação”, sublinha. Neste caso, há duas situações distintas. Os apoios eventuais de ordem monetária concedidos a quem está na iminência de ficar sem água ou luz, são retirados de uma verba que é disponibilizada pela Segurança Social a cada concelho. Já os medicamentos são aviados gratuitamente resultam de um protocolo com um dos parceiros do CAF, a Santa Casa da Misericórdia de Tomar, que gere uma farmácia.A principal missão do CAF passa por orientar as famílias que atravessam necessidades para as instituições sociais que têm respostas apropriadas ao seu problema. “Com o acompanhamento correcto as famílias podem vir a reduzir as suas despesas para fazerem face às necessidades. Por exemplo, neste momento, temos muitas famílias que solicitaram a tarifa social de água, destinada a agregados familiares com um rendimento anual inferior a sete mil euros”, exemplifica. Também podem recorrer à Loja Social da Cruz Vermelha para adquirirem roupa a preços simbólicos, sobrando mais dinheiro para pagar as outras despesas ou deslocar-se ao CAF onde há roupa e alimentos recolhidos em campanhas de solidariedade para distribuir. Todos os casos sinalizados, seja na Segurança Social ou na junta de freguesia, são encaminhados para o CAF, sendo as pessoas atendidas por uma técnica de acção social que faz o diagnóstico das suas necessidades e as orienta para a instituição mais adequada. Todos os processos são numerados e supervisionados de modo a registar o agregado familiar, sendo, deste modo, mais fácil cruzar os dados entre todas as entidades cooperantes de modo a não haver uma duplicação do apoio prestado. “Quem detectar estas situações de degradação das condições de vida de uma família, seja na escola ou numa junta, devem informar a família que pode recorrer ao CAF para serem acompanhadas ou contactar-nos por telefone ou e-mail”, atesta Rosário Simões. Os recursos são escassos, por isso são bem-vindos todos os donativos da sociedade civil tais como alimentos, artigos de higiene, vestuário e calçado para todas as idades, têxteis, brinquedos, material didáctico, jogos e livros para crianças, material escolar, mobiliário, electrodomésticos e até utensílios de cozinha (pratos, talheres, copos). Pode ainda contribuir com o seu donativo monetário fazendo o depósito na conta com o seguinte NIB: 0035 0813 00057370 530 28 ou entrando em contacto pelo e-mail caf.tomar@gmail.com.“Nas situações de crise o melhor apoio é a vizinhança”O presidente de Junta de Freguesia de Paialvo, Luís Antunes (CDU), denunciou na última sessão de assembleia municipal que tendo conhecimento de um caso de uma família “que tinha o frigorífico vazio” foi ele próprio ao Centro de Apoio à Família buscar um saco de comida, funcionando como uma espécie de banco alimentar ambulante. Rosário Simões refere que esta é uma situação pontual. “Há dois ou três locais onde se notam estas situações. Por exemplo, na escola a criança denuncia essa situação, principalmente se tiver fome ou baixar o seu rendimento escolar”, atesta. Para a vereadora da Acção Social existem várias maneiras de ajudar quem já esteve bem e agora está mal. “Nas situações de crise, o melhor apoio continua a ser a vizinhança que pode ajudar ou alertar quem de direito”, defende.Três cantinas sociais apoiam 10 famílias de TomarDesde Setembro que funcionam no concelho de Tomar três cantinas sociais nas freguesias de Casais, Paialvo e Olalhas que apoiam um total de 24 pessoas (16 adultos e 8 crianças que correspondem a dez famílias). Ao contrário do que muitos pensam, as cantinas sociais não são um refeitório físico mas apenas uma terminologia para uma medida que se insere no Programa de Emergência Alimentar que tem o objectivo de garantir o acesso a refeições diárias gratuitas às famílias que mais necessitam. “Efectivamente, a pessoa não toma a refeição na instituição. Ou vai buscá-la num sítio previamente combinado (num ponto de encontro) ou vão entregá-la a casa caso integre o percurso que fazem no habitual apoio domiciliário porque não podemos pedir às instituições que suportem custos acrescidos com este serviço social”, esclarece.
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