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Juízes aumentam pena de prisão a homem condenado segunda vez por degolar esposa

Juízes aumentam pena de prisão a homem condenado segunda vez por degolar esposa

Arguido tentou desculpar-se dizendo que tinha encontrado a mulher com outro deixando o tribunal mal impressionado

Bouna Sackho apresentou uma nova versão dos acontecimentos no segundo julgamento que se realizou no Tribunal Judicial de Benavente, mas continuou sem convencer o colectivo de juízes que considerou “impressionante” a postura do arguido. O tribunal agravou a pena de prisão para 20 anos, mais um ano do que na primeira condenação, mas deixou cair a decisão de o expulsar de Portugal.

Edição de 30.01.2013 | Sociedade
O guineense que matou a mulher em Samora Correia em 2011 apanhou 20 anos de prisão, mais um ano do que na primeira condenação. Bouna Sackho tinha sido condenado a 19 anos de cadeia em 12 de Julho último. Mas o novo advogado de defesa detectou falhas nas gravações das declarações do arguido e de testemunhas e recorreu para o Tribunal da Relação de Lisboa que decidiu mandar repetir o julgamento. Foi agora também condenado a pagar 170 mil euros à mãe da vítima, Rosa Biem, menos dez mil euros que na primeira condenação. Bouna Sackho apresentou no novo julgamento uma versão diferente dos acontecimentos. O arguido revelou que a discussão e as agressões começaram depois de ter encontrado a esposa na cama com outro homem e manteve a tese de ter agido em legítima defesa. Uma versão que não convenceu o colectivo de juízes. “O tribunal ficou muito mal impressionado. O senhor teve uma segunda oportunidade para se redimir, mas escolheu o caminho da agressão ao mais fraco. Ofendeu a memória da sua esposa, falou de infidelidade, de perseguição, o que não é verdade. Tem de perceber que ela foi uma vítima sua, não um azar”, apontou a presidente do colectivo de juízes durante a leitura do acórdão que decorreu na quinta-feira, 24 de Janeiro. Já no primeiro julgamento o arguido tentou fazer passar a ideia de que tinha agido em legítima defesa, alegando na altura que apenas se defendeu porque tinha sido atacado pela vítima, Helmina Biem. Teoria que na altura não foi dada como provada pelo colectivo de juízes. Que considerou que Bouna Sackho é que se muniu de uma faca e iniciou as agressões à esposa, que se encontrava “nua e vulnerável” no quarto do casal. Segundo o acórdão, depois de ter degolado a esposa na noite de 11 de Setembro de 2011, o arguido desferiu um golpe no seu próprio pescoço e peito perto de duas horas depois do homicídio para que pensassem que tinha sido atacado.Nesta segunda decisão o Tribunal de Benavente voltou a dar como provada a generalidade dos factos de que estava acusado. O acórdão realça que a mulher ainda se tentou defender, colocando as mãos à frente do corpo e que o arguido a deixou a agonizar, sem nada fazer. “O modo de execução, a intensidade usada, o não ter procurado qualquer ajuda para a vítima, o não ter manifestado qualquer arrependimento, o admitir apenas do que não pode negar, não pode deixar de nos impressionar”, salientou a presidente do colectivo de juízes.O tribunal deu como provado que no dia 11 de Setembro de 2011, Bouna Sackho pegou numa faca de 33 centímetros e desferiu vários golpes na sua esposa, Helmina Biem de 23 anos, que se encontrava nua no quarto do casal. No anterior julgamento, Bouna Sackho tinha sido condenado também a uma pena acessória de expulsão de Portugal válida por dez anos, após o cumprimento da pena de prisão e ao pagamento da indemnização à mãe da vítima. Mas desta vez esta medida não foi aplicada pelos juízes. A advogada da mãe da vítima, Ana Casquinha, vai ainda analisar o acórdão para decidir se recorre ou não, mostrando-se insatisfeita por o arguido não ter sido também condenado à expulsão do país.
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