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Vinho faz esquecer tristezas, ajuda a curar gripes e favorece o desempenho sexual

Vinho faz esquecer tristezas, ajuda a curar gripes e favorece o desempenho sexual

Numa altura em que se realizou o fórum regional sobre vinho, onde se discutiram as melhores formas de desenvolver e aumentar a comercialização do sector vitivinícola no Ribatejo, O MIRANTE foi a uma taberna típica, no centro histórico de Santarém, ouvir os habituais consumidores e o que os levam a consumir vinho diariamente.

Edição de 30.01.2013 | Sociedade
Desafiado pelos amigos, Joaquim Carvalho aclara a voz para cantar um fado. “Uma porta e uma janela/Quanto basta para ela/A minha casinha há-de ter/toda a felicidade”. O espaço exíguo da taberna “Bar do Postigo”, no centro histórico de Santarém, é o ponto de encontro de alguns apreciadores de vinho. Joaquim Carvalho, 74 anos, não dispensa uns copinhos de tinto todos os dias. À tarde junta-se com os amigos e bebe um, outro e mais outro. Há dias em que bebe um bocadinho mais do que a conta mas chegou sempre bem a casa. O reformado diz que bebe vinho há mais de meio século e que até já curou gripes com a ajuda dessa pomada. Quando era criança a mãe aquecia vinho, misturava uma colher de açúcar e dava-lhe na hora de dormir. E a verdade é que as gripes passavam. Joaquim Carvalho prefere um bom tinto a uma cerveja. O vinho ajuda ao desempenho sexual? “Vou fazendo o meu ‘biscate’ conforme vou podendo. A bicicleta já não é como era antigamente mas ainda chego à meta”, confessa, arrancando gargalhadas aos amigos que escutam a conversa.Enquanto decorre a reportagem de O MIRANTE ouve-se várias vezes um paso doble a tocar no telemóvel. É o telefone de José Manuel Oliveira, também conhecido como “Zé papo-seco”, um aficionado da festa brava que não tem papas na língua. O comerciante de tractores gosta de passar pelo Bar do Postigo antes de ir para casa. Garante que o vinho é afrodisíaco e que estimula o sexo. A quantidade de vinho, afirma, depende da idade. Na sua idade, aos 71 anos, são precisos beber uns “30 copos” para conseguir um bom desempenho. “Mas com 30 copos já não se tem acção para nada”, retorquimos. “Você é que se está a queixar, eu não!”, exclama com um sorriso deixando o jornalista sem resposta.Como em tudo na vida, diz, o vinho deve ser bebido com moderação. Se for em demasia faz mal à saúde. José Manuel Oliveira recorda que antigamente um negócio de venda de tractores era quase sempre fechado numa adega. Zé Papo-seco gosta de confraternizar com os amigos enquanto bebem uns copos. “O vinho às vezes até inspira a minha veia poética”, confessa. O Bar do Postigo é uma taberna típica que existe há quase 60 anos. No espaço destacam-se cartazes de corridas de toiros e fotografias emolduradas de locais emblemáticos da cidade. Os bancos de pé alto servem de apoio aos clientes. Paulo Rito, comerciante em Santarém, gosta de ir ao Bar do Postigo porque é um bar a sério, à antiga e lamenta que as pessoas tenham “vergonha” de entrar no espaço. “Nesta taberna as pessoas não podem dizer asneiras e as pessoas têm que ser correctas. A melhor bifana come-se aqui e o melhor vinho também é no Amorim”, garante convidando as pessoas a conhecerem o espaço.Dar de beber à dorJúlio Moisés, 77 anos, também é cliente habitual. No dia da reportagem de O MIRANTE tinham acabado de comer uns carapauzinhos de cebolada acompanhados por um bom tinto. Bebe cinco ou seis ‘copinhos’ de vinho por dia. “Só devemos fugir dos brancos, das aguardentes e cervejas”, diz. Viúvo há cerca de três meses Moisés afirma que o vinho também é bom para ajudar a esquecer momentos menos bons da vida. “Aqui sinto-me acompanhado. De vez em quando também me entorno um bocadinho, vou para casa com a cabeça zonza mas até hoje consegui sempre pôr as chaves à porta”, garante.A boa disposição é coisa que não falta. A taberna é ponto de encontro de amigos que aproveitam para pôr a conversa em dia. Sempre acompanhados de uma rodada de tinto. Um copo de três custa 80 cêntimos. No dia da reportagem nem o jornalista de O MIRANTE escapou às rodadas. E como cada cliente fez questão de pagar uma rodada, assim como o dono do bar, António Amorim, ainda bebemos todos quatro ou cinco rodadas. E fomos para casa mais bem dispostos que o habitual.
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