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Historiador diz que autor de Dom Quixote esteve em Tomar

Historiador diz que autor de Dom Quixote esteve em Tomar

Edição de 15.05.2013 | Cultura e Lazer
O professor e investigador José Valle de Figueiredo foi descobrir, através da leitura de documentos e da biografia de Miguel Cervantes que o autor de Dom Quixote passou por Tomar há 432 anos, quando D. Filipe II estava reunido nas Cortes. José Valle Figueiredo foi o convidado da última “Sala de Estudos”, um jantar-tertúlia dinamizado pela companhia teatral “Fatias de Cá” que tem lugar sempre na primeira quinta-feira de cada mês, e que desta feita foi dedicado ao tema “Queixotices”. A iniciativa costuma-se realizar no Convento de Cristo mas desta vez aconteceu na Quinta “Casal das Freiras”, do conhecido produtor de vinhos José Vidal, no Marmeleiro, Paialvo, uma vez que o monumento estava ocupado com outra iniciativa. O tradutor Miguel Serras Pereira, que em 2008 foi distinguido com o prémio Personalidade do Ano por O MIRANTE, (ver caixa), também estava presente no jantar-tertúlia que reuniu à mesa cerca de vinte comensais. José Valle de Figueiredo começou por dizer que está convencido que muito pouco sabe sobre a obra de Dom Quixote, embora agora, graças à tradução da obra por Miguel Serras Pereira, seja mais fácil chegar até ele. O professor e historiador consultou a biografia de Miguel Cervantes (1547-1616) e chegou à conclusão de que ele tinha estado em Tomar. “A pátria de Dom Quixote é sempre onde ele estiver. O lugar onde esteve o pai do cavaleiro da triste figura também é o nosso”, atestou. O professor referiu que se sustenta em documentação encontrada de onde se infere que, após ter participado em duras batalhas, regressa a Espanha para encontrar estabilidade e uma ocupação. “Lembra-se de ir até às ilhas espanholas na América. Para o conseguir, tem que vir a Portugal, em 1581, pedir ao Rei D. Filipe II, que estava a entronizar-se como Filipe I em Portugal, precisamente nas cortes que estavam reunidas em Tomar”. O historiador acha que foi para a cidade do Nabão que Miguel Cervantes se dirigiu e esteve nos meses de Abril e Maio desse ano. Terá sido também aí que se enamorou de Ana Franca, romance do qual nasce uma filha, Isabel de Saavedra, embora se venha a casar com Catalina Salazar. É inspirado em Ana Franca, a pastora silena, que escreve a novela “La Galatea” em 1585.A possibilidade de Miguel Cervantes ter passado por Tomar, como defende o historiador convidado, levou a questionar os presentes se o mesmo não devia ser aproveitado como uma mais-valia, assinalando-se anualmente a presença de Cervantes na região. “Vocês têm aqui um diamante por lapidar”, considerou mesmo José Valle Figueiredo, usando e abusando de cenários fantasiosos. Carlos Carvalheiro, director do “Fatias de Cá”, confessou que se “há obras que são incontornáveis no teatro, a de D. Quixote é uma delas”, embora admita que já foi representada tantas vezes que seria uma redundância querer voltar a fazê-la. “Temos que reflectir como é que um cavaleiro como D. Quixote, um velho gagá, é importante para o público”, disse. O director artístico recorda que se a companhia já conseguiu conjugar Gil Vicente com o vinho (espectáculo “A Menina Inês Pereira”, de promoção do vinho do Ribatejo Norte, promovido pela ADIRN em Parceria com o Fatias de Cá e produtores de vinhos das sub-regiões de Tomar e Encostas D’Aire) talvez se pudesse recuperar D. Quixote não só com vinho mas também gastronomia, ciclos de estadia e partir para um projecto maior em Tomar, que pudesse mostrar ao público quem era o D. Quixote.O interessante desafio de traduzir Dom Quixote de la ManchaMiguel Serras Pereira continua a dedicar-se intensamente às traduções. Neste momento está a traduzir um ensaio sobre propaganda, do autor francês Jacques Ellul. Já não mora na pacata aldeia de Barca da Amieira, em Mação, tendo-se mudado para o Pombalinho, aldeia vizinha da Golegã que fica mais próxima da capital, onde a esposa, Teresa, dá aulas. Traduziu Dom Quixote de Cervantes em 2005 e refere que, após uma hesitação inicial, aceitou embarcar no desafio. Fez a tradução lentamente, evitando usar expressões e termos que não existiam em Portugal nessa época.“Verifiquei que o castelhano do século XVII e o português são muito mais próximos que o actual castelhano, que evoluiu sobretudo nas formas gramaticais. No fundo, tentei fazer uma tradução também no tempo”, explicou, desafiado por Paula Malheiro a contar se sentiu que foi um problema traduzir Cervantes. Para Miguel Serras Pereira, só D. Juan se equipara à figura de D. Quixote, que acaba por marcar toda a literatura europeia. “Cervantes apresenta um D. Quixote que tem uma indefinição permanente. Cervantes é como nós. É um herói problemático. Só no fim sabemos se é bom ou mau. Foi um desafio muito interessante pegar no Dom Quixote. É, de facto, uma obra única de grande imaginação”, referiu.
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