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A visão dos jovens sobre Vila Franca de Xira

Seis jovens estudantes da Escola Alves Redol em Vila Franca de Xira dão a conhecer a visão que têm sobre o concelho. A maior parte deles pensa sair do concelho à procura de emprego e melhores condições. Os estudantes queixam-se da falta de animação nocturna e alguns lamentam o estado a que chegou o centro comercial Vila Franca Centro que podia ser um espaço de encontro e convívio da juventude. Uma sala de cinema é apontada por alguns como uma necessidade. Mas também há quem elogie o desenvolvimento que se tem registado na cidade e quem reconheça que Vila Franca é uma boa terra para viver.

Edição de 02.10.2013 | Feira de Outubro
Paulo Fernandes, 17 anos Gosto da cultura tauromáquicaPaulo Fernandes, 17 anos, mora em Povos, um bairro que o melhor que tem, segundo o jovem, é estar perto de Vila Franca de Xira. Está enraizado na cultura vila-franquense e gosta das tradições do Ribatejo. É um apaixonado por touros e costuma assistir aos espectáculos tauromáquicos que ocorrem na cidade, sobretudo as largadas de toiros. Está no 11º ano do curso de Ciências e Tecnologias da Escola Alves Redol e sonha graduar-se em engenharia electromecânica. Para isso terá que sair de Vila Franca. “Quero trabalhar em Lisboa e morar em Povos” afirma Paulo, evidenciando as boas acessibilidades à capital. No entanto, o jovem também alerta que a cidade está a morrer aos poucos e aponta a inexistência de salas de cinema com uma das maiores necessidades. “Vou a Lisboa quase todos os fins-de-semana para ir ao cinema e passear porque em Vila Franca está tudo fechado”, conclui.Leonardo Rodrigues, 19 anos As pessoas são muito fechadasPara Leonardo Rodrigues a aposta de Vila Franca de Xira devia recair na construção de uma universidade. O jovem de 19 anos acredita que com ensino superior na cidade iriam aparecer bares, discotecas e que a vida social nocturna iria melhorar significativamente. “Só me consigo divertir em Lisboa” afirma Leonardo que aproveita as férias e os fins-de-semana para se deslocar à capital. Está a estudar Técnicas de Multimédia e reconhece que está a sentir algumas dificuldades. Se pudesse Leonardo mudava as características das pessoas do concelho de Vila Franca. “As pessoas daqui são muito fechadas e não olham para os outros lados”, sublinha. Se arranjasse um bom emprego, ficaria em Vila Franca porque é onde tem os seus amigos. No entanto, as oportunidades de trabalho são escassas o que o leva a pensar em mudar-se para Lisboa um dia destes.Luís Paços, 17 anos Cidade devia estar mais virada para as actividades desportivas“É uma boa cidade mas às vezes é calma demais” diz Luís Paços, de 17 anos, sobre Vila Franca de Xira. O jovem oriundo de Angola, de onde saiu há seis anos, pensa regressar ao seu país quando acabar o curso de Desporto. “Lá há mais oportunidades de trabalho e dinheiro”, diz Luís, entre risos, acrescentando que não se imagina a viver em Portugal. Não gosta da cultura tauromáquica e não costuma ir às festas da cidade, incluindo a Feira de Outubro. Para o jovem, os treinos de Muay Thai que tem diariamente na Academia Zé Fortes, é uma das coisas que o mais prende à cidade. É um apaixonado por esta arte marcial e considera que está numa academia bastante conceituada a nível nacional. Afirma inclusive que a cidade devia ser mais virada para as actividades físicas porque há boas condições para esse efeito. Carolina Nunes, 14 anos Lojas de roupa estão quase todas fechadasCarolina Nunes tem 14 anos mas já está decidida a ir viver para fora da cidade. “Se possível quando tiver mais de 18 anos quero ir para Londres”, afirma a jovem, que passa a maior parte do tempo na escola e ao computador. Imagina-se a fazer a adolescência em Vila Franca de Xira, mas reconhece que a cidade não é um sítio apelativo para continuar a morar no futuro. Carolina diz que não liga muito às tradições e cultura do concelho e queixa-se do facto de a cidade estar constantemente em obras. Uma das suas maiores preocupações é o facto de as lojas de roupa estarem praticamente todas fechadas e de o Vila Franca Centro estar abandonado. “Sempre que quero comprar roupa tenho que sair do concelho”, afirma. Carolina sonha ser veterinária.Vila Franca Centro devia ser melhoradoSamara Soares, 15 anos Vila Franca de Xira é uma cidade envelhecida. Esta é a opinião de Samara Soares, uma jovem de 15 anos que sonha ser bancária. E porque não há perspectivas de um bom futuro na zona de Vila Franca de Xira, Samara quer viver numa grande cidade daqui a alguns anos para ter mais possibilidades de emprego. “É um local para se passar a infância mas depois tem que se evoluir”, afirma Samara. Para ela, não existe oferta em termos de animação nocturna e a diversão tem que ser feita em Lisboa, onde costuma ir com bastante frequência. “É só apanhar o comboio”. O que sente falta na cidade é de um centro comercial e por isso considera que o Vila Franca Centro devia ser melhorado e que não devia fechar. A falta de uma sala de cinema é outra das situações apontadas pela jovem estudante. Mesmo com Lisboa a dois passos Samara preferia ver filmes numa sala perto de casa até porque era uma forma de os jovens se juntarem. O concelho está a desenvolver-seMiguel Santos, 18 anos Miguel Santos tem 18 anos e foi um dos melhores alunos da escola Alves Redol. Estava na área de Gestão de Equipamentos Informáticos e agora pretende trabalhar durante um ano para depois ir estudar para o estrangeiro. A procura por emprego já começou em Vila Franca de Xira mas até agora não teve sucesso. É por essa razão que quer tentar fazer a sua vida fora da cidade, apesar de gostar de morar no concelho. “Para as nossas necessidades, temos tudo o que precisamos”, considera o jovem que se congratula por ter vários serviços administrativos no centro de Vila Franca. Consegue divertir-se e realizar as suas tarefas do dia-a-dia mas admite que gosta de passar mais tempo em frente ao computador do que sair para a rua. Miguel considera que a cidade está a desenvolver-se e diz que nota isso com a requalificação da frente ribeirinha e com a construção de parques urbanos. “É essencial para as pessoas existirem locais onde possam praticar desporto”, conclui.

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