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Indefectível Manuel Serra d’Aire

Edição de 09.10.2013 | E-mails do outro mundo
É realmente preocupante o nível de votos nulos, de votos brancos e de abstenção que se verificou nas últimas eleições autárquicas. Sinceramente não consigo perceber como é que os portugueses se alheiam de umas eleições onde aparecem os candidatos mais pândegos e castiços, as candidatas mais boazonas e atiradiças, as listas de independentes e de dependentes e as freguesias com nomes que não lembram ao Diabo.As autárquicas são as verdadeiras eleições do povo. Onde o povo é ao mesmo tempo candidato e eleitor e onde os candidatos, na esmagadora maioria, são aquilo que são, sem os retoques das agências de comunicação e dos consultores de imagem. Entregues a eles próprios e entregues aos “bichos” (os eleitores) que vão avaliar as suas propostas, algumas delas verdadeiramente estrambólicas e que só por isso valem uma deslocação às urnas.Quando o povo desiste de votar no povo é porque qualquer coisa vai mal. E pelos vistos o famigerado dia de reflexão não serve para nada. Aliás, se calhar o problema é mesmo esse: o dia de reflexão. A malta põe-se a reflectir, a pensar com os seus botões, a imaginar o Zé dos Anzóis presidente da junta ou a Maria dos tremoços vereadora da câmara e foge das urnas como o Diabo foge da cruz. Ou então utiliza os boletins de voto para expressar o que lhe vai na alma, coisa que geralmente não é muito recomendável. Acabe-se portanto com o dia de reflexão e deixe-se o povo andar iludido pela campanha eleitoral, pelas febras, pelas sardinhadas e pelo tinto à borla até à entrada na cabine de voto. Não se lhe dê tempo para pensar em coisas que não interessam para nada, como as capacidades contabilísticas dos candidatos, o seu gosto por viagens ao estrangeiro ou a habilidade que têm para construir rotundas. Afinal de contas, alguém tem de governar as nossas autarquias.O Ribatejo está a perder a sua identidade e arrisca-se a deixar de ser um dos últimos redutos marialvas do país. Como se já não bastasse a afronta inominável de existir um grupo de forcados feminino para as bandas de Benavente, de haver literatura erótica destinada a mulheres que vende como pãezinhos quentes e de haver homens a queixarem-se nas esquadras de serem vítimas de violência doméstica, agora fiquei a saber que o distrito de Santarém é, a nível nacional, aquele que tem mais mulheres presidentes de câmara. São cinco em 21. E muitas ficaram pelo caminho, porque a concorrer ao cargo, então, eram mais do que as mães. Por este andar, meu caro, daqui a um século os homens estarão relegados à condição de meros acessórios ou objectos sexuais. O que não sendo necessariamente mau é pouco, muito pouco, para quem se habituou a ter a faca e o queijo na mão. Além disso, levanta outras questões pertinentes. Quem vai lavar e engomar a roupa? Quem trata da louça e das crianças? Quem vai cozinhar e arrumar a cozinha? Ou me engano muito ou vai sobrar para nós. Se é que já não sobrou...Felizmente ainda vamos tendo exemplos que nos permitem ter alguma esperança, como o daquele ex-cabo dos Forcados de Santarém que agrediu um socorrista da Cruz Vermelha que fugiu da arena do Campo Pequeno, abandonando o forcado escalabitano que assistia, porque teve medo do toiro. Isso sim, foi de homem!Saudações marialvas do Serafim das Neves

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