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Mais mulheres em cargos de relevo é um sinal dos tempos

O MIRANTE quis saber o que pensam as presidentes de câmara agora eleitas sobre o facto de o distrito de Santarém ser o que tem mais mulheres à frente de municípios, ainda para mais numa região associada a uma certa tradição marialva. As respostas apontam num sentido: a afirmação do género feminino na sociedade e na política é um processo natural e gradual.

Edição de 09.10.2013 | Política
Maria do Céu Albuquerque (PS) - AbrantesQuotas podem deixar de fazer sentidoÉ um sinal dos tempos. As mulheres foram assumindo na sociedade um papel determinante e neste momento trata-se do reconhecimento do valor associado às pessoas, independentemente do seu sexo. Foi para isso que se criaram as quotas, para as mulheres terem oportunidade de mostrar do que são capazes. A nossa sociedade olhava para a mulher como devendo estar no recato do lar e em funções de menos visibilidade, mas as coisas vêm mudando naturalmente. Como as coisas têm vindo a evoluir, acredito que possa tornar-se comum este nível de representatividade feminina em órgãos de grande relevância e que a imposição de quotas pode deixar de fazer sentido. Gostava também que esta situação atingisse outras áreas, como a empresarial, e que as mulheres pudessem estar em pé de igualdade com os homens, nomeadamente em matéria de emprego e de salários.Fernanda Asseiceira (PS) - AlcanenaUm processo naturalSabia que, a nível nacional dos 308 presidentes eleitos, apenas 23 são mulheres. Sabia que no distrito de Santarém os resultados eleitorais do passado dia 29 de Setembro permitiram eleger cinco mulheres, mas não tinha ainda feito uma análise comparativa com os restantes distritos a nível nacional. Destaco o facto de em cinco, três serem eleitas pelo PS, partido que muito tem contribuído para promoção da igualdade de género e da igualdade de oportunidades.Faço uma análise bastante natural desta situação. Em momento algum do meu percurso autárquico senti menor reconhecimento pelo facto de ser mulher, pelo contrário. Presumo que as restantes candidatas sentirão o mesmo. Significa que o papel da mulher nesse processo evolutivo a nível social, económico e político, é aceite como um processo natural. Também é um facto que quando algumas mulheres dão o passo em frente, outras consideram, e bem, também estar à altura de o dar. E estão mesmo.Júlia Amorim (CDU) - ConstânciaÉ importante haver visões diferentesÉ bom que existam mulheres competentes à frente dos destinos dos concelhos. As mulheres têm um passado histórico ao nível das competências pessoais que as obrigou a desempenhar actividades diversas em termos de gestão doméstica, familiar e profissional. Acho que essa diversidade pode ter repercussões positivas no desenvolvimento da actividade autárquica. É importante que haja visões diferentes de encarar os problemas. Além disso o exemplo dado ao longo dos anos por mulheres que desempenharam funções de relevo na política levou a que se diluísse o preconceito que havia de que os cargos de liderança deviam ser assumidos por homens. A integração de mulheres nas listas passou a ser encarada com naturalidade e isso reflecte-se agora na eleição de mais mulheres para as autarquias. Foi um trabalho que levou o seu tempo e que está agora a começar a dar frutos.Anabela Freitas (PS) - TomarVivência marialva já não é tão marcadaJá sabia que no distrito de Santarém o PS era o partido que tinha o maior número de mulheres candidatas. Depois, tendo em conta o surgimento de candidatas de outros partidos, notei que existia um número significativo de mulheres a concorrer à presidência de autarquias. Só depois de saber os resultados eleitorais e compará-los verifiquei que Santarém era o distrito com mais mulheres eleitas para presidente de câmara.Se analisarmos bem a situação, reparamos que quatro destas mulheres eleitas situam-se na região do Médio Tejo (Abrantes, Tomar, Alcanena e Constância), onde essa vivência marialva já não é tão marcada como em outras zonas do Ribatejo. Por outro lado, isto revela que houve uma evolução no distrito de Santarém no sentido de se reconhecer, cada vez mais, o trabalho que as mulheres têm vindo a fazer na política ou até mesmo o trabalho político, independentemente do género.Isaura Morais (PSD) - Rio MaiorAfirmação das mulheres deve ser feita pelo mérito Não me tinha apercebido que o distrito de Santarém fosse o que tem mais mulheres eleitas presidente de câmara, mas sabia que o PSD só elegeu quatro mulheres a nível nacional. Como já disse publicamente noutras ocasiões, sou contra o regime de quotas imposto pela lei da paridade. A afirmação das mulheres na sociedade e na política deve ser feita pelo mérito e pela competência e não por uma lei que por vezes traz mais complicações do que benefícios. No caso das autárquicas a maior proximidade entre eleitores e eleitos permite haver no dia a dia uma avaliação dessa competência e mérito bem como do envolvimento de cada um na vida da comunidade. Em suma, não creio que o género seja critério preponderante nas escolhas dos eleitores, até mesmo nas sociedades mais fechadas.

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