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Tetraplégico de Abrantes luta por uma vida mais independente

Tetraplégico de Abrantes luta por uma vida mais independente

Eduardo Jorge suspendeu greve de fome mas garante que retoma luta se promessas não forem cumpridas. Defende que cada um deve ter oportunidade de comandar a sua própria vida, dizendo não à institucionalização e podendo optar por ter um cuidador em sua casa.

Edição de 09.10.2013 | Sociedade
Foi um acidente de carro, em 1991, que deixou tetraplégico Eduardo Jorge, 52 anos. Vive em Concavada, concelho de Abrantes, e está há mais de duas décadas dependente de terceiros, mas continua a não se resignar às desigualdades e injustiças. A sua determinação tem sido a força que não o deixa ficar deitado numa cama ou fechado num quarto. Trabalha no TIC - Tecnologias da Informação e Comunicação e Centro de Apoio à Comunidade e Biblioteca da Concavada, é finalista do curso de Serviço Social e está em paralelo a efectuar um estágio curricular no Centro Social e Paroquial de Alvega. Foi para lutar por uma vida menos dependente que Eduardo Jorge se propôs fazer uma greve de fome a partir de segunda-feira, 7 de Outubro, em frente à Assembleia da República. Dias antes disse a O MIRANTE que neste momento era a sua “única ferramenta” para lutar pelo direito à escolha e à possibilidade de cada um ter oportunidade de comandar a sua própria vida, dizendo não à institucionalização e optando por ter um cuidador em sua casa.A sua voz fez-se ouvir e acabou por suspender o protesto. Eduardo Jorge foi recebido pelo secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social, Agostinho Branquinho, por responsáveis do Instituto Nacional para a Reabilitação e pela comissão parlamentar que acompanha as questões de deficiência.Agostinho Branquinho propôs a criação de um e-mail de opinião pública - [email protected] - que estará em consulta durante 60 dias para receber as sugestões de todas as pessoas com deficiência e familiares para a nova lei que será criada.Após esses 60 dias existirá uma nova reunião onde irão ser analisadas as sugestões com vista à criação de uma lei de autonomia pessoal de vida dependente. “Se a lei não for cumprida, em Janeiro lá estarei a reiniciar a minha greve de fome”, assegura Eduardo Jorge a O MIRANTE guardando algumas reticências, mas seguro de que este será o primeiro passo.“Em Portugal, até ao momento, a única solução passa pela institucionalização em lares de idosos que não têm condições para receber as pessoas, por isso tem que haver alternativas”, disse, revelando que no país existem apenas dois lares específicos para pessoas portadoras de deficiência física. Um deles só permite inscrições até aos 45 anos e está completamente esgotado e o outro tem antecedentes de maus-tratos. O apoio domiciliário também não é suficiente e de momento não existe ainda no país a oportunidade de viver numa residência autónoma assistida. “Nós é que temos que escolher, e eu quero viver no meu bairro, quero viver na minha aldeia, quero viver no meu grupo de amigos, tenho esse direito”, reforça.Desde 1991 que Eduardo Jorge conta com o apoio de um cuidador, agora com 67 anos. “Ele é os meus braços e as minhas pernas, é a pessoa que me dá todo o apoio, mas sinto que também estou cada vez mais a contribuir para estragar a sua saúde”, refere.Activista por natureza, é apologista do agir e dá importância aos pormenores da vida, mas confessa que não é verdadeiramente feliz.“Eu não sou feliz, vivo é muito bem resolvido, vivo apenas alguns momentos felizes”, garantiu a O MIRANTE.
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