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“Às vezes acordo a meio da noite a pensar em algo que não fiz ou que fiz errado”

“Às vezes acordo a meio da noite a pensar em algo que não fiz ou que fiz errado”

Luísa Marques, 45 anos, coordenadora local de formação, Cartaxo

É, desde Novembro de 2011, coordenadora local de formação da Conclusão, uma empresa com uma delegação na Zona Industrial de Santarém. Diz que é uma pessoa positiva que não gosta da rotina. O seu lema passa por viver um dia de cada vez, gerindo cada momento o melhor que sabe.

Edição de 09.10.2013 | Três Dimensões
Em pequena queria ser professora como a Dona Teresa, que era a minha professora da escola primária. O meu primeiro emprego foi, com 17 anos, no Centro de Saúde Mental de Santarém. Era escriturária dactilógrafa principal e recordo-me que ganhava quase 33 contos o que era um bom dinheiro na altura. Fiz dois ou três contratos, cerca de um ano. Voltei aos estudos já na Escola Secundária do Cartaxo, em regime nocturno, onde terminei o 12.º ano. As aulas terminaram em Julho e o meu filho, o Diogo, nasceu em Outubro. Entrei para o ensino superior quando o meu filho entrou para o infantário. Frequentei o curso de Comunicação no ISLA durante cinco anos, sempre como trabalhadora-estudante. Estive na APPACDM, novamente a trabalhar com crianças com deficiência. Devido a esta experiência profissional sentia-me atraída pelo Ensino Especial mas só havia na zona de Lisboa. Como era mãe, decidi ficar por mais perto. Terminei a licenciatura no ano 2000 e fui estagiar no gabinete de Comunicação da Câmara Municipal do Cartaxo. Trabalhei vários anos em hotelaria. Depois do estágio comecei a entregar currículos e as respostas eram sempre negativas. Um dia, de forma espontânea, entrei no Hotel de Santarém (antigo Coríntia Santarém Hotel) e entreguei o currículo. Uns dias mais tarde fui chamada à entrevista, isto em finais de Agosto. Entrei a 3 de Setembro de 2001 para trabalhar no departamento de Marketing, Comercial e Vendas. Trabalhei no hotel durante três anos até ingressar na área da Formação.Identifico-me muito com as minhas raízes beirãs. Nasci em Vila Nova de Ródão, distrito de Castelo Branco. O meu pai era ferroviário e trabalhava em Santa Apolónia e a minha mãe estava em Vila Velha e era complicado ir a casa apenas ao fim-de-semana. Com o meu nascimento decidiram localizar-se numa freguesia do Cartaxo. Não me sinto ribatejana, não me identifico com algumas tradições ribatejanas, as touradas, por exemplo. Respeito mas não gosto. Gosto da gastronomia e dos doces. Os cheiros e sabores da Beira Baixa são diferentes.Na Formação as pessoas não são um número, são pessoas. Têm vida própria, sentimentos, capacidades inatas mas métodos de aprendizagem diferentes. Na escola são tratados de uma forma fria. Têm que ser todos muito bons. Mudei para a Formação porque já não me sentia feliz no que fazia. Tirei o curso de formação de formadores em 2004, ainda numa altura em que não se pagava o Certificado de Aptidão Profissional. Não gosto do horário das nove às cinco. Quando estou no trabalho, visto a camisola. Trabalho na empresa Conclusão desde o dia 10 de Novembro de 2011. Sou coordenadora local de formação. Temos formação financiada e não-financiada. Faço de tudo um pouco na empresa. Em Formação não há dias tipo. O mais gratificante é sentir que estamos a ser úteis às pessoas. Tento gerir o momento no dia-a-dia. Dentro das prioridades tento perceber qual é a prioridade maior. Acabo por não ter um horário definido. Já cheguei a trabalhar aos sábados porque há formações nesse dia. Não consigo desligar. Sou viciada no trabalho. Às vezes acordo a meio da noite a pensar em algo que não fiz ou que fiz errado. Esforço-me por ser metódica. Um dia de cada vez é o meu lema. Costumo dizer que “o sol amanhã nasce outra vez”. Os meus escapes são os meus animais e o jardim. Tenho cinco gatos, dois peixes e três cães. Tenho tempo para cuidar deles. Já trouxe um gatinho bebé para o escritório numa tarde de domingo porque precisei vir preparar uns documentos para a segunda-feira e ainda estava no meu período de férias. Todos os meus animais tem uma espécie de nome de família “Francisco”. Não gosto de rotina. Gosto de agarrar no carro para sair sem destino. Eu e as estrelas. Sou uma hiper mãe-galinha. Sou um coração mole. Costumo dizer que tenho mau feitio mas não tenho. Sou teimosa. Quando entro num projecto não desisto até que não entenda que o deva fazer. Gosto muito de partilhar mas gosto que as minhas coisas regressem no estado em que estavam. Não compro livros só por comprar. Por exemplo, o livro “Quem mexeu no meu Queijo” (Spencer Johnson). É uma história interessante e que nos dá muito que pensar. A leitura daquele livro mudou a minha vida.Elsa Ribeiro Gonçalves
“Às vezes acordo a meio da noite a pensar em algo que não fiz ou que fiz errado”

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