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Uma psicóloga clínica fascinada pela mente humana

Uma psicóloga clínica fascinada pela mente humana

Sílvia Lencastre Fróis exerce há 11 anos, tendo consultório aberto em Santarém

Os problemas mais frequentes que lhe surgem actualmente, em adultos, estão relacionados com a depressão e a ansiedade, com especial incidência para ataques de pânico.

Edição de 16.10.2013 | Identidade Profissional
O avô de Sílvia Lencastre Fróis era médico e em criança visitava-o quase todos os dias no seu consultório. Tinha fascínio por batas brancas, macas e o espaço onde o avô ajudava a tratar dos doentes. Por isso foi com naturalidade que Sílvia Lencastre Fróis se licenciou em Psicologia Clínica dando consultas há onze anos. Se agora lhe dessem a escolher optaria pela mesma profissão. Não se imagina a fazer outra coisa. Já teve a possibilidade de trabalhar em instituições mas recusou porque existe muito trabalho burocrático e do que gosta mesmo é da parte clínica.Sílvia Lencastre Fróis, 34 anos, escolheu esta profissão porque lhe permite ajudar os outros a ultrapassarem os seus problemas e conseguirem seguir a sua vida. E também porque sempre gostou de conhecer a mente humana. O consultório é em Santarém mas também dá consultas em Rio Maior, Almeirim e Coruche. Os problemas mais frequentes que lhe surgem actualmente, em adultos, estão relacionados com a depressão - a chamada doença do século XXI - e a ansiedade, com especial incidência para ataques de pânico (um pico elevado de ansiedade onde a pessoa perde o controlo sobre o seu estado mental podendo, em alguns casos, desmaiar).A psicóloga clínica refere que os problemas conturbados que vivemos, com a grave crise financeira que assola Portugal, agravam a situação das pessoas. E dá o exemplo dos pacientes que tomam medicamentos necessários para tratar a ansiedade ou depressão e com falta de dinheiro para comprar os medicamentos deixam de tomá-los de um momento para o outro. “Isso prejudica a saúde dos pacientes porque ficam descompensados, ou seja, ficam em maior risco do que antes de começarem a tomar a medicação”, alerta. Sílvia Fróis explica ainda que o número de suicídios também tem aumentado nos últimos tempos por causa da crise financeira. “Procurar ajuda médica quando temos problemas ou nos sentimos mais em baixo é muito importante para evitar uma tragédia”, alerta.Sílvia Lencastre Fróis diz que actualmente as pessoas já estão mais alerta para a necessidade de manter a mente equilibrada e para isso procuram o psicólogo com regularidade. No entanto, uma grande maioria ainda tem o preconceito de procurar ajuda porque considera que quem vai ao psicólogo são os “maluquinhos”. Há pacientes de Santarém que optam por ir às consultas a Almeirim e vice-versa. E também há aqueles que preferem ir às consultas às clínicas onde existem várias especialidades para passarem despercebidos. “Felizmente as mentalidades estão a mudar mas ainda há algumas pessoas que têm receios”, diz.Hiperactividade é o problema mais comum nas criançasA psicóloga clínica tem pacientes de todas as idades. Nas crianças o problema mais comum é a hiperactividade. Uma criança hiperactiva não consegue manter a atenção e concentração durante um período de tempo adequado à sua faixa etária. Sílvia Lencastre Fróis adverte que nestes casos o diagnóstico tem de ser rigoroso. “Existem crianças que começam logo a ser medicadas, o que não é aconselhado pela Organização Mundial de Saúde a crianças com menos de dez anos, mas acontece. A solução passa muitas vezes por falar com os pais e professores porque em alguns casos a hiperactividade deve-se apenas a falta de atenção à criança por parte dos pais”, esclarece.O bullying é outro dos problemas que afecta muitos adolescentes e a que, na opinião da psicóloga, ainda não se presta a atenção devida. O bullying é o prolongamento da hiperactividade onde as crianças e adolescentes não cumprem regras e estão habituados a fazer o que lhes apetece. Quem sofre de bullying geralmente são crianças e adolescentes que não deram problemas aos pais nem sofreram de hiperactividade.Uma das vantagens de recorrer à ajuda de um psicólogo é tentar descobrir outras alternativas aos problemas. “Muitas vezes os pacientes, depois de falarem comigo, dizem que nunca tinham pensado dessa forma. O meu objectivo final é que os utentes voltem a ser autónomos”, explica, acrescentando que com os pacientes activos mantém contacto regular através de email. “A escrita também é uma forma da pessoa exteriorizar emoções e pensamentos”, diz. Quando fecha a porta do gabinete os problemas dos pacientes ficam lá fechados, embora em alguns casos mais emotivos Sílvia Lencastre Fróis leve os problemas para casa. No entanto, ao longo dos anos a psicóloga clínica foi aprendendo a deixar o trabalho no consultório.
Uma psicóloga clínica fascinada pela mente humana

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