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Hotel de charme em Ferreira do Zêzere com obras suspensas pela autarquia

Hotel de charme em Ferreira do Zêzere com obras suspensas pela autarquia

Empreiteiro vai ter que respeitar as linhas arquitectónicas do edifício datado do século XVIII, após alguns munícipes se terem manifestado contra a demolição da chamada Casa do Adro.

Edição de 16.10.2013 | Sociedade
As obras que estavam a decorrer na chamada “Casa do Adro”, um edifício do século XVIII localizado no centro de Ferreira do Zêzere para onde está prevista a construção de um hotel de charme, foram suspensas pelo município até que o promotor apresente por escrito as garantias de que serão respeitadas todas as características arquitectónicas do edifício. A decisão foi tomada, por unanimidade, na sessão de assembleia municipal realizada na noite de sexta-feira, 11 de Outubro, e surge após o descontentamento manifestado por alguns munícipes que realizaram a 26 de Setembro uma vigília nocturna “contra a demolição da Casa do Adro”, colocando ainda a circular uma petição.De acordo com o apurado, para o local estava prevista a construção de um hotel de 4 estrelas com 32 quartos, num investimento que ascende a 1 milhão de euros. A câmara municipal, com autorização e aprovação da assembleia municipal, cedeu a Casa do Adro, através de um contrato de cessão do direito de uso, à empresa Marimi - Sociedade de Gestão de Hotéis, S.A. por 50 anos. O projecto inicial refere que iam ser mantidas algumas fachadas do rés do chão, mas a parte superior iria ser nova. As obras foram iniciadas a 20 de Setembro mas os contestatários nunca desistiram de fazer provar o “sacrilégio” que era destruir um edifício antigo para, no mesmo local, surgir um edifício contemporâneo. Na parte reservada à intervenção do público, Paulo Alcobia Neves fez uma descrição do que em termos arquitectónicos é mais relevante na Casa do Adro e apresentou um documento que incluía os cuidados a ter na construção do hotel no que concerne à conservação das partes mais emblemáticas. “Entendemos que a câmara tem a missão de tentar trazer investimentos turísticos que promovam o desenvolvimento da economia, mas este edifício merece uma atenção especial”, disse. Também Rodrigo Sousa Pinto falou do valor patrimonial e fundamentalmente valor histórico e cultural da Casa do Adro.O presidente reeleito da autarquia, Jacinto Lopes (PSD), recordou que este é um processo que se arrasta há três anos e que só agora provocou alguma polémica, o que muito estranha, acrescentando ainda que não lhe foi entregue qualquer petição. “Não sou insensível às questões que me colocam mas sublinho que todas as questões legais foram acauteladas e o processo não carece de visto do Tribunal de Contas. Estranho que ao fim de três anos, e após várias propostas aprovadas, cause alguma celeuma”, disse. O autarca diz já ter dado instruções para que o processo fosse revisto “de ponta a ponta” de modo a garantir a salvaguarda das questões que foram levantadas pelos munícipes. “A obra está parada e não vai avançar enquanto não tivermos as garantias que pedimos. Temos alguns azulejos que já foram arrancados, e seria uma missão impossível substituí-los, mas podemos aproveitar o painel que resta para adornar algumas partes. É a memória da casa e a história da vila que está em causa”, disse.
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