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Santarém é palavra proibida nas embalagens de vinho de mesa de Alcanhões

ASAE selou oito paletes de caixas para exportação por infracção na descrição da proveniência do vinho. Adega cooperativa foi obrigada a riscar a palavra Santarém das caixas de vinho de cinco litros que já estavam em paletes para seguir para o Luxemburgo.

Edição de 16.10.2013 | Sociedade
Inspectores da ASAE - Autoridade de Segurança Alimentar e Económica selaram no dia 10 de Outubro oito paletes de embalagens de vinho “bag in box” da Adega Cooperativa de Alcanhões, que estavam prontos para seguir para o Luxemburgo, por nas caixas de cinco litros estar expressa a palavra Santarém. Segundo as normas em vigor, os vinhos de mesa não podem ter referência a sub-regiões vinícolas (como é o caso de Santarém) devendo a descrição da origem do produtor limitar-se ao código postal, no caso o de Alcanhões, seguido do nome do país.A intervenção da ASAE apanhou de surpresa a direcção da Adega de Alcanhões, que tem utilizado essas embalagens até à data sem ter tido problemas. Já perto do fim da tarde, a ASAE acabou por desbloquear as oito paletes de embalagens de vinho de marca Adiafa, após a cooperativa se ter comprometido a apagar a palavra Santarém das caixas. O que obrigou a Adega a retirar as caixas das paletes, passar tinta preta sobre a palavra proibida e voltar a acondicioná-las em paletes. Joaquim Saramago, presidente da Adega Cooperativa de Alcanhões, era nesse dia um homem revoltado com a actuação da ASAE, considerando que essa entidade tem muito mais por onde pegar. “Nós limitámo-nos a pôr lá a nossa morada, porque somos de Alcanhões, de Santarém e de Portugal. Fico triste que venham implicar com a Adega Cooperativa de Alcanhões por causa do código postal, quando há tanta gente a transgredir”, disse.“A lei não permite que as empresas divulguem a região de onde são oriundas”, dizia por seu lado Paulo Durão, funcionário da Adega, alertando para o preciosismo da legislação. “É vergonhoso que tenhamos de tirar o nome de Santarém quando estamos em Santarém”, reforçou Joaquim Saramago, enquanto outro colega defendia que a ASAE devia ter uma acção mais pedagógica em vez de “entrar a matar”. Os inspectores levantaram um auto de notícia que possivelmente dará origem a uma contra-ordenação por parte do Instituto da Vinha e do Vinho, entidade que tutela o sector. Mas a direcção da cooperativa já disse que vai contestar. O assunto foi abordado também na reunião de sexta-feira do executivo da Câmara de Santarém pelo vereador Ludgero Mendes (PS), que manifestou o seu “protesto e repulsa” pela intervenção da ASAE. “Não está escrito em sítio nenhum que o vinho é da região vitivinícola de Santarém, o que lá está escrito é o endereço postal da própria adega”, afirmou o autarca, lamentando que desta vez os inspectores tenham conseguido arranjar uma viatura para se deslocarem ao terreno, já que os serviços terão escassez de veículos.O presidente da Câmara de Santarém também não passou ao lado da polémica. “Aquilo é chatear uma entidade que tem investido largos milhares de euros nas suas instalações, que tem aperfeiçoado a sua qualidade e que tem ganho muitas medalhas com os seus vinhos. A única coisa com que implicaram foi a palavra Santarém”, disse Ricardo Gonçalves.

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