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É a paixão pelo trabalho que faz a diferença entre os bons e os maus profissionais

É a paixão pelo trabalho que faz a diferença entre os bons e os maus profissionais

Lauren Ferreira é gerente dos salões de cabeleireiro “Lauren e Jazão” em Vila Franca de Xira e Azambuja

Desde a infância que Lauren Ferreira tem uma paixão por cabelos. Aos 12 anos conseguiu que os pais a colocassem a aprender a profissão de cabeleireira num salão de Vila Franca de Xira e até hoje nunca mais parou. É, juntamente com o marido, responsável por um dos salões mais populares da cidade. Diz que a profissão é um vício e lamenta que esteja pouco dignificada.

Edição de 23.10.2013 | Identidade Profissional
O que distingue um bom cabeleireiro de um mau cabeleireiro é a paixão com que se dedica ao trabalho e o empenho que investe em cada corte que realiza. A opinião é de Lauren Ferreira, 47 anos, uma das responsáveis dos salões “Lauren e Jazão” de Vila Franca de Xira e Azambuja. “As pessoas podem ter arte e engenho mas se não tiverem interesse nada feito. É a paixão pelo trabalho que faz a diferença entre um bom e um mau cabeleireiro. Em nenhuma profissão se deve trabalhar sem gostar, mas nesta não se pode trabalhar se tiver nojo de cabelos nem se pode entrar pela porta de manhã a fazer um frete”, explica a empresária.Lauren Grilo Ferreira é natural de Refugidos, freguesia de Cadafais, Alenquer. Desde pequena que se lembra de querer ser cabeleireira. Penteava as bonecas e o cabelo do pai quando era criança. Aos 12 anos decidiu ir aprender a profissão e os pais colocaram-na no salão Ferrer, que era um dos maiores cabeleireiros de Vila Franca de Xira. Começou por varrer cabelos, lavar cabeças e arranjar unhas. Algumas clientes achavam-na nova demais e recusavam ser penteadas por Lauren. “Algumas ainda hoje são minhas clientes”, confessa. A empresária diz que começou demasiado nova a trabalhar e que “felizmente esses tempos já lá vão”, elogiando o facto de hoje as raparigas terem mais tempo para decidirem o que querem fazer. Recusa a ideia de que a profissão seja apenas para quem não sabe fazer mais nada e garante que um salão profissional é duro de gerir.“O Ferrer era uma pessoa que estava muito à frente do seu tempo e que já naquela altura gostava de apreciar a moda e estar atento aos salões de Paris, por exemplo. Aprendi muito com ele. Mais tarde viria a tornar-se meu sogro”, recorda com um sorriso.Lauren diz que não está arrependida de ter seguido esta profissão. Ser cabeleireira é um vício e não se imagina a fazer outra coisa. “É das profissões mais bonitas que existem, trabalhar a beleza dos homens e das mulheres. Somos como um escultor, a obra nunca está acabada e para mim isso é muito interessante”, explica. “Ir ao cabeleireiro não é um luxo”Ao fim de nove anos no salão decidiu mudar-se para outra empresa mas a experiência não correu bem. Sentiu-se desenquadrada e optou por criar o seu próprio negócio. “Não foi fácil correr esse risco na altura, foi preciso muito esforço e foi o meu sogro que me deu esse impulso para seguir esta vida”, recorda. Ao longo dos anos Lauren foi aperfeiçoando o seu trabalho e tirando vários cursos na área. Lamenta que a profissão esteja pouco dignificada.“Um bom cabeleireiro não é só quem corta cabelos, tem também de ter um bom domínio da parte técnica do salão e saber fazer um bom diagnóstico no salão. Esta profissão devia ser valorizada e posta noutro patamar. Nós não somos uns coitadinhos, para saber cores temos de aprender matemática e alturas de tom, por exemplo. Por isso se vê salões que abrem e fecham. Porque cortar cabelos é fácil, trabalhar os cabelos é que é difícil”, defende. Tem consigo 14 funcionários mas já chegaram a ser duas dezenas. “Trabalho há 34 anos e às vezes apetece-me ficar mais na retaguarda. Mas devido às circunstâncias em que vivemos não posso. Neste momento trabalho mais do que há 10 anos", nota.Lauren Ferreira diz que ir ao cabeleireiro não é um luxo mas antes uma necessidade dos tempos modernos, em que a imagem é o mais importante. “É uma necessidade como ir ao dentista, as pessoas já não passam sem se arranjarem. Muitas para trabalhar. O mercado começa a exigir que as pessoas tenham uma imagem mais cuidada”, refere. Lauren é também, muitas vezes, a psicóloga dos seus clientes. Refuta a ideia de que os salões são locais de coscuvilhice e diz que muitas vezes ajuda clientes a ultrapassar momentos difíceis. Uma certeza é que para si o cliente está sempre em primeiro lugar e tudo faz para que ele se sinta bem. E garante que enquanto tiver forças nos dedos e nas pernas continuará a exercer a profissão. Estar parada, confessa, é o pior que pode fazer.
É a paixão pelo trabalho que faz a diferença entre os bons e os maus profissionais

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