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Motorista de Alcanena ferido com gravidade andou quase um dia às voltas de ambulância

Motorista de Alcanena ferido com gravidade andou quase um dia às voltas de ambulância

Hospital de Coimbra transferiu-o erradamente para o Hospital de Santarém e daí foi enviado para Torres Novas quando devia ter sido encaminhado para Abrantes.

Edição de 23.10.2013 | Sociedade
Um ferido em estado grave andou quase um dia às voltas de ambulância por hospitais da região até acabar internado no Hospital de Tomar. Tudo começou quando os Hospitais da Universidade de Coimbra o transferiram para o Hospital Distrital de Santarém. Daí foi erradamente enviado para Torres Novas e só depois para Abrantes, para onde devia ter seguido após sair dos HUC. Nuno Clemente, 42 anos, residente em Louriceira (Alcanena), vítima de atropelamento em Coimbra, devia ter sido encaminhado para o Hospital de Abrantes mas não foi e gerou-se uma confusão que fez com que percorresse mais de 260 quilómetros. Os Hospitais da Universidade de Coimbra garantem que contactaram o Hospital de Santarém indicando que iam transferir o doente e asseguram que foi indicada a área de residência deste como sendo no concelho de Alcanena. Quando a ambulância com Nuno Clemente chegou a Santarém, o hospital informou a enfermeira que o acompanhava que por o doente residir no concelho de Alcanena o hospital de referência era o Centro Hospitalar do Médio Tejo. Diz o Hospital de Santarém que a enfermeira após ter contactado o serviço em Coimbra terá recebido instruções para ir para o Hospital de Torres Novas.Nuno Clemente foi transportado erradamente e sem contacto prévio para o Hospital de Torres Novas, quando a urgência médico-cirúrgica do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) funciona em Abrantes. “De acordo com o definido na rede de referenciação de urgências, as Unidades de Torres Novas e Tomar apenas dispõem de um Serviço de Urgência Básica (SUB), estando a Urgência Médico-Cirúrgica do CHMT instalada na Unidade de Abrantes”, explica o CHMT, que agrega os hospitais de Abrantes, Torres Novas e Tomar. Segundo o CHMT, o doente “carecia de cuidados médicos do foro cirúrgico” e quando chegou a Torres Novas “foi prontamente referenciado para a Urgência Médico-Cirúrgica de Abrantes”. Nestas circunstâncias, o doente tinha que ser observado nessa urgência e estabilizado e só depois podia ser internado para recuperação. Refere o centro hospitalar que quando a situação clínica de Nuno Clemente estabilizou, foi encaminhado para o internamento de Cirurgia Geral, localizado na Unidade de Tomar. Acrescenta que este foi acompanhado no transporte “por um enfermeiro, de acordo com os protocolos em vigor e a avaliação clínica efectuada pela equipa médica”.A situação que ocorreu na quinta-feira, 17 de Outubro, deixou a família de Nuno Clemente indignada com os Hospitais da Universidade de Coimbra. “Tem que haver uma forma de evitar que um doente com problemas neurológicos ande um dia inteiro dentro de uma ambulância”, desabafou Ana Clemente, irmã da vítima, a O MIRANTE. Nuno Clemente, motorista de longo curso, foi atropelado na sexta-feira 11 de Outubro, pelas 23h30, numa zona industrial quando se encontrava a carregar o seu camião. Foi transportado para os Hospitais da Universidade de Coimbra onde foi operado, na sequência de um traumatismo craniano com coágulo. Ana Clemente considera que o irmão nunca devia ter deixado os HUC pois foi ali assistido inicialmente. O director do Serviço de Neurocirurgia dos Hospitais da Universidade de Coimbra explica que “o tratamento neurocirúrgico estava completo e, neste caso, o doente precisava de cuidados gerais e eventualmente de reabilitação, que podiam ser prestados em outro hospital mesmo que não tivesse serviço de neurocirurgia”. Esclarece ainda o mesmo responsável que “o doente estava com um estado de consciência baixo, mas não estava em coma”. E acrescenta que é alheio ao facto de o Hospital de Santarém ter recusado receber o doente. O Hospital de Santarém diz por seu lado que “é acidental o envolvimento involuntário” e garante que não houve qualquer insistência da enfermeira que acompanhava o doente para que este ficasse em Santarém, o que deixou transparecer que a situação estava resolvida.
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