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Um jovem serralheiro que trata o torno mecânico por tu

Um jovem serralheiro que trata o torno mecânico por tu

A metalurgia não é a sua principal actividade, mas é a que mais o fascina

Bruno Faustino abriu uma serralharia em seu nome com muito esforço, instalada actualmente numa cave da vivenda onde mora. Ali passa muito tempo após sair do emprego que tem no EcoParque do Relvão.

Edição de 30.10.2013 | Identidade Profissional
Natural de Ulme, concelho da Chamusca, Bruno Faustino, 34 anos, fala com redobrado orgulho da profissão que escolheu desde muito jovem: ser serralheiro-mecânico. Apesar de actualmente trabalhar numa fábrica a tempo inteiro, no EcoParque do Relvão, é na oficina que instalou na cave de casa, na localidade de Carregueira, que passa grande parte do seu tempo livre, tendo um rádio como única companhia. Em criança, recorda, já era fascinado pela luz da soldadura.“Faz-te à vida ou à vida faz-te a ti”, refere para explicar o facto de, com apenas 16 anos, ter começado a trabalhar com um serralheiro na Chamusca, o mestre Manuel Carapinha, que lhe ensinou “tudo sobre a profissão e também a beber copos de vinho”. Foi ali que teve o primeiro contacto com uma máquina de torno mecânico, um equipamento versátil que é utilizado na confecção ou acabamento em peças dos mais diversos tipos e formas. “Sem saber o que era aquela máquina gostei logo dela e interessei-me por aprender mais”. Na oficina, ajudava no que era preciso e, para aprender alguma coisa, recorda, tinha que utilizar uma estratégia subtil. “Sempre que dizia que me queria vir embora, ele explicava-me mais um passo. Foi assim até chegar ao torno mecânico que, para mim, é realmente a menina dos olhos de quem trabalha nesta área e na qual só se aprende a trabalhar mexendo ou tirando formações práticas”, atesta, acrescentando que por ali ficou dois anos. Por esse motivo, Bruno Faustino, que completou o 9.º ano de escolaridade, acabou por tirar várias formações profissionais complementares na área da serralharia-mecânica, destacando a sua passagem pelo “Espaço Mecânico” uma empresa de comércio e manutenção de equipamentos de terraplanagem no Entroncamento, onde esteve três anos. Antes, trabalhou um ano na construção civil e numa carpintaria mas não se sentia realizado. “Pretendia realizar-me profissionalmente e, nesta zona, não há muita indústria metalúrgica por isso fui tirar a carta de pesados e veículos articulados para conseguir entrar nesta área”, explica. Não esquece ainda que trabalhou seis meses como carteiro dos CTT, seguindo-se a formação em soldadura.O objectivo de abrir um negócio de serralheiro-mecânico deveu-se ao facto de não ter que estar sujeito a receber ordens contrárias às suas. “Por vezes sentia que tinha uma ideia, uma solução melhor para determinado problema mas não a podia colocar em prática porque o meu superior não achava o mesmo”, explica. Bruno Faustino abriu a serralharia com o seu nome com muito esforço, funcionando actualmente numa cave que tem na vivenda onde reside. “Tenho o desejo de mudar instalações para uma zona industrial, para poder crescer, mas vou ter que aguardar uma melhor oportunidade”, atesta.A área da metalurgia é um mundo que gostaria de desbravar, vincando que gosta muito do que faz e que o emprego que actualmente tem, de segunda a sexta-feira, das 08h30 às 18h00, como é perto de casa lhe permite ir fazendo alguns trabalhos de serralharia à noite a aos sábados. “Como tenho algum tempo, arranquei com este negócio em paralelo porque é um grande risco fazer isto, sem financiamento por trás, a tempo inteiro”, atesta o jovem.A máquina de torno mecânico que tem na sua oficina, de uma marca italiana com a qual está bastante familiarizado, foi adquirida numa casa em Ourém. Perfeccionista assumido, é nela que trabalha muitas horas, rectificando peças e outro material que acusa desgaste. Se não tiver possibilidade de ser recuperado, consegue fazer as peças de novo, manuseando a máquina com habilidade e saber, conferindo-lhes o rigor que necessitam. “O que me fascina mais é chegar ao fim e a peça estar perfeita”, afirma o jovem para quem o maior desafio foi fazer uma rosca. “Muitas pessoas me disseram que era difícil, mas não é impossível. Temos é que ter atenção à espessura do veio, à altura da rosca, à sua espessura e profundidade. Ao contrário do que muita gente pensa, um serralheiro tem que fazer muitas contas e ter uma grande dose de imaginação”, conclui.
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