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Associação de Defesa do Património de Santarém já teve mais energia

Colectividade tem-se resumido nos últimos anos à tomada de posições e iniciativas pontuais. Na sua página na Internet as últimas notícias são de 2010.

Edição de 30.10.2013 | Sociedade
A nova direcção da Associação de Estudo e Defesa do Património Histórico-Cultural de Santarém (AEDPHCS), fundada em 1977, garante que a instituição está viva e para atestar esse facto recorda que houve eleições em Fevereiro e em 28 de Setembro último dinamizou um conjunto de eventos no âmbito das Jornadas Europeias do Património, nas ruas do centro histórico e no Jardim Portas do Sol.Mas a verdade é que nos últimos anos a letargia em torno do centro histórico de Santarém parece ter contaminado a própria AEDPHCS. Tanto que as suas últimas posições públicas são de Janeiro de 2013, sobre o abate de árvores na zona de São Bento e na estrada que liga a Tapada a Almeirim. E desde aí pouco mais se ouviu falar da sua actividade. A associação crítica de outros tempos adoptou um registo mais reservado e na última meia dúzia de anos só deu nas vistas em dois momentos: com a denúncia de destruição de vestígios arqueológicos numa obra (entretanto parada) junto ao Teatro Rosa Damasceno e devido ao abate de árvores.Entretanto, houve eleições para novos órgãos sociais de que não foi dado grande eco e que não têm sequer direito a menção na página da associação cívica na Internet, que se encontra desactualizada. Foi o presidente da assembleia geral, o professor e historiador Martinho Vicente Rodrigues, que primeiro nos confirmou ter havido um acto eleitoral onde foi reconduzido o arquitecto José Vasco Serrano como presidente da direcção - dirigente que tentámos contactar via telemóvel e e-mail, sem sucesso.Martinho Vicente Rodrigues disse ao nosso jornal que aceitou fazer um último mandato como presidente da assembleia geral na esperança de assistir ao “renascimento” da associação, a uma aproximação entre essa entidade e o município e à mudança para uma nova sede. Mas até à data as suas expectativas saíram goradas. Pedro Canavarro, fundador da AEDPCHS e seu sócio honorário, põe o dedo na ferida: “Infelizmente julgo que a associação vai adormecendo sobre os seus objectivos, incapaz de se recriar perante as novas conjunturas, parecendo estar mais vocacionada para um negativismo do que para um sonho salutar”.Dificuldades financeiras tolhem movimentos“Como será compreensível a falta de disponibilidade financeira da associação, cujas receitas derivam de subsídio atribuído pela autarquia e em dívida desde 2005) impede a realização regular de eventos públicos”, diz Gonçalo Mendonça de Carvalho, um dos elementos da nova direcção, na resposta às questões que colocámos por e-mail dirigidas à associação. O mesmo dirigente ressalva contudo que a associação tem-se feito representar em diversas actividades, colóquios e formações promovidas por diversas entidades. E encontra-se ainda envolvida em vários processos judiciais por destruição de património arqueológico. “Este facto tem canalizado grande parte do esforço da associação no sentido de conseguir, pela primeira vez em Portugal, a condenação por destruição deliberada de vestígios arqueológicos”, diz Gonçalo Mendonça de Carvalho.A AEDPHCS tem ainda em desenvolvimento vários projectos, como a edição de um roteiro histórico-urbanístico e uma parceria com a Escola Superior de Educação. “Está também em curso um levantamento e relatório para inclusão do centro histórico de Santarém e seu património na Lista Internacional do Património em Risco do ICOMOS Internacional, de forma a contribuir para a sua identificação e possível recuperação”, revela.Associados ilustres desligados da actividadeNoutros tempos a associação chegou mesmo a instituir um prémio, designado “Santarém - Cidade a Defender”, destinado a proprietários públicos e privados de imóveis urbanos e rurais que se distinguissem na salvaguarda, recuperação e reutilização do património histórico, urbanístico e cultural. Segundo o site da associação na Internet, o último prémio atribuído foi em 2005. A verdade é que a vida da associação passa actualmente ao lado até de pessoas que noutros tempos foram seus filiados activos. O ex-presidente da câmara José Miguel Noras diz que “por limitações de tempo” não tem acompanhado a actividade dessa “prestimosa instituição”. Já Rosalina Melro, outra activista da defesa do património, afirma que se desligou da associação já lá vai “uma meia dúzia de anos” e como tal não se pode pronunciar sobre a sua actividade actual.

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