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Gonçalo Roque é ginasta de classe mundial a quem o Cirque du Soleil já piscou o olho

Gonçalo Roque é ginasta de classe mundial a quem o Cirque du Soleil já piscou o olho

Fazendo par com Leonor Oliveira o ginasta de Samora Correia conquistou três medalhas nos europeus de Ginástica Acrobática realizados em Odivelas

Atleta de 24 anos, natural de Samora Correia, conquistou medalhas de ouro, prata e bronze nos Campeonatos Europeus de Ginástica Acrobática realizados em Odivelas, entre 18 e 27 de Outubro, com o par Leonor Oliveira. Gonçalo Roque soma vários pódios europeus e mundiais e espera obter mais patrocínios mas entretanto o consagrado Cirque du Soleil abordou a sua treinadora num contacto que pode ou não alterar o seu futuro próximo.

Edição de 06.11.2013 | Desporto
Na última semana Gonçalo Roque concedeu entrevistas a televisões, jornais, rádios e sites na internet fruto das medalhas de ouro, prata e bronze que conquistou em pares mistos, com Leonor Oliveira, nas modalidades de equilíbrio, dinâmico e all around, respectivamente, durante os Campeonatos da Europa de Ginástica Acrobática realizados em Odivelas, de 18 de 27 de Outubro.O êxito retumbante não é novidade para o ginasta natural de Samora Correia, de 24 anos, que já em 2011 havia conquistado ouro e bronze nos Europeus da Bulgária, então com Sofia Rolão, além de ser presença regular nos primeiros lugares de campeonatos mundiais, taças do mundo e rankings internacionais.O seu nível elevado já suscitou o interesse do consagrado Cirque du Soleil, que abordou a sua treinadora para saber qual é a situação do atleta. Gonçalo Roque não esconde que se trata do maior organizador de espectáculos do mundo e que pode surgir uma proposta irrecusável, mas que para já não pensa nisso, até pelo facto de a época ter chegado ao fim, querer descansar e de esse assunto ter de ser falado com os técnicos e com a federação. “Logo se verá o futuro”, acrescenta, com um sorriso de satisfação.É ginasta do Ginásio Clube Português há quatro anos e vive em Lisboa. É também na capital e naquele clube que trabalha como instrutor e personal trainer num ginásio, depois de ter tirado o curso de Exercício e Saúde na Faculdade de Motricidade Humana. Trabalha da parte da manhã e o restante dia é dedicado aos treinos. Durante a pré-competição, cerca de mês e meio antes, dedica sete horas diárias ao treino. “Só assim se consegue alcançar resultados com dedicação total. Nessas ocasiões saio de casa às 08h00 e só chego depois das 22h00, de segunda a domingo”, garante Gonçalo Roque, que tem como técnicas Ana Cardoso, Vanda Videira e Joana Vicente.É ao trabalho no ginásio que Gonçalo tira várias horas para poder treinar e competir. Recebe apoio da Federação de Ginástica nas deslocações e alojamento para as competições nacionais e internacionais mas não mais. Apenas uma cadeia de hambúrgueres apoiou com verba para compra de fatos - que podem custar 650 euros - e uma empresa de Samora Correia tem disponibilizado úteis serviços de massagens. Das autarquias locais não chega qualquer verba para um ginasta que percorreu na juventude os clubes do concelho, a não ser o reconhecimento público. “Fruto dos bons resultados e da muita exposição mediática destes campeonatos têm surgido alguns contactos e espero que possam vir a resultar em patrocínios. Em boa parte, foram os meus pais a apoiar a minha opção pela ginástica acrobática”, explica Gonçalo. Lembrando Carlos Roque Paulo e Isabel Roque, seus pais, além do irmão André Roque.Leonor Oliveira, de 15 anos, é ao seu actual par. Até 2012 Gonçalo evoluiu nas competições com Sofia Rolão. A força e a resistência são essenciais para fazer os exercícios como base enquanto Leonor funciona como volante. É Gonçalo que tem de suportar em força e resistência o peso de Leonor nos exercícios. Daí que as ginastas raramente tenham mais de 1.50 metros de altura. “A Leonor deve pesar 37 quilos. Só assim é possível manter os exercícios. A volante inglesa destes campeonatos devia pesar uns 34 quilos. Foi por isso que também tive de mudar de volante, quando a Sofia Rolão cresceu muito num curto espaço de tempo”, recorda Gonçalo, de 1.75 metros de altura e 76 quilos de peso. À alimentação correcta, sem gorduras ou açúcares, soma a suplementação para o reforço da massa muscular.Ainda sem desvendar que peso na sua carreira terá um convite formal do Cirque du Soleil, Gonçalo Roque aponta objectivos para 2014. Em Julho há Campeonato do Mundo em França e os “Jogos Olímpicos Europeus” em Baku, Azerbaijão.Currículo repleto de medalhasNão foi apenas nos Europeus de Odivelas que Gonçalo Roque se fez atleta de categoria internacional. Em 2011 conquistou medalhas de ouro e prata nos Europeus da Bulgária, então com Sofia Rolão como par. Nesse mesmo ano foi primeiro do ranking mundial. Em 2012, classificaram-se em terceiro na Taça do Mundo e foram sextos nos Campeonatos Mundiais. Participaram nos 12.º World Games, os “Olímpicos” da ginástica acrobática. Já em 2013, com Leonor Oliveira, conquistaram a Taça do Mundo disputada na Maia e lideraram o ranking mundial. Sucessos que já levaram um técnico ucraniano a convidar Gonçalo para participar num torneio consagrado, com todas as despesas pagas, apenas pela qualidade do ginasta. Além da dupla nacional, as grandes potências mundiais são a Inglaterra, Rússia, Ucrânia e Bélgica.Trajecto feito por emblemas samorenses e alhandrensesGonçalo Roque deu os primeiros passos na ginástica na Sociedade Filarmónica União Samorense, passou pela Academia Gimnodesportiva de Samora Correia, Grupo Desportivo do Pessoal da Cimpor e Sociedade Euterpe Alhandrense. Jogou andebol pelo Núcleo de Andebol de Samora Correia. Aos 20 anos optou por ingressar no Ginásio Clube Português. Tem saudades do andebol mas não se arrepende de ter eleito a ginástica acrobática.Raízes samorenses orgulhosamente vincadasGonçalo Roque faz questão de passar os fins-de-semana em Samora Correia, onde tem grande parte da família e amigos. “Seja programa, organização ou evento onde vá, tenho muito gosto em dizer que sou de Samora Correia”, assegura. Adepto das tradições locais, não perde as festas anuais, a festa da sardinha assada e a semana taurina. Faz até parte da Tertúlia Pouco Juízo assiste a uma ou outra corrida de touros e não perde as esperas, mas sem aventureirismos. “Sou aficionado mas não sou maluco, não vou lá para dentro”, garante.
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