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Os sonhos têm forma no Bragadense

Os sonhos têm forma no Bragadense

Jogadores têm que pagar 30 euros para jogarem e entrarem no Campeonato do Inatel

O Grupo Desportivo e Recreativo Bragadense vai competir no Campeonato da INATEL de Lisboa mas nem por isso os jogadores deixam de encarar as partidas como se tivessem na Liga dos Campeões.

Edição de 06.11.2013 | Desporto
É a pouco e pouco que chegam os jogadores do Grupo Desportivo e Recreativo Bragadense, na Póvoa de Santa Iria. Uns, como o capitão Miguel Sousa, aproveitam o facto de estarem de folga para chegar mais cedo, outros chegam com o treino a decorrer porque só agora conseguiram sair do emprego. Miguel é guarda-prisional e aos 35 anos não consegue perder o “bichinho” pela bola. “Joguei muito tempo futsal, fui federado mas agora estou formatado para o futebol de 11”. Para ir aos treinos que se realizam duas vezes por semana, Miguel tem muitas vezes que alterar o seu horário de trabalho. Apesar de participar no campeonato da INATEL, que é considerado um campeonato para “trabalhadores”, garante que a vontade de vencer é a mesma como se tivessem a jogar contra os grandes nacionais. “Não estamos aqui a brincar”, adverte.Aqui não há equipamentos para os treinos. É normal vermos várias camisolas do Benfica, Sporting, Porto, Borussia de Dortmund e Barcelona a serem usadas em cima do pelado do Bragadense. Os futebolistas têm que pagar 30 euros se quiserem participar na competição e o presidente, José Manuel Nunes, alerta que este ano não vai haver facilitismos. Apesar de terem o mesmo empenho que qualquer futebolista de alto rendimento, os atletas não recebem salários milionários mas sim uma bifana e uma imperial no final das partidas em casa. O treinador, Vítor Lopes, está com a equipa desde 2004 e é um dos responsáveis pelo projecto de futebol no clube. Além dos seniores, treina também o escalão de escolas e auxilia os iniciados. Aproveita o facto de estar desempregado para se dedicar plenamente ao clube do bairro das Bragadas mas diz que isso também é o que lhe dá prazer. “Só com muita paixão é que eu e o presidente conseguimos levar isto para a frente”, assevera. Vítor considera que tem um plantel com qualidade e que se tem mantido unido há três anos. A média de idade ronda os 27 anos mas existem jogadores novos que podem desequilibrar. “Temos futebolistas que com facilidade podiam jogar numa distrital ou numa divisão superior mas a vida assim não quis. Por exemplo, no jogo passado, o Wilson que costuma ser lateral esquerdo marcou um golo de bicicleta de levantar o estádio se o houvesse” explica, apontando para o atleta que tinha acabado de fintar dois jogadores na esquerda e rematado para a baliza sem sucesso. Wilson foi um dos jogadores que chegou atrasado e nem precisou de aquecer porque veio a correr do Forte da Casa. Vítor afirma que dá primazia à competência individual dos jogadores e não há quantidade. “Isto não vai servir para darmos um passeio ao Domingo. Levamos isto com seriedade e os jogadores já sabem que nem todos vão poder fazer parte dos convocados”, chuta o treinador que diz que se exalta bastante durante as partidas. Atento a ouvir as palavras do mister e a fazer alongamentos está Nuno Picareta, o mítico ponta-de-lança que é um exemplo de dedicação no clube bairrista. Aos 36 anos ainda marca uns golos e foi ele que ajudou a pintar os balneários e a construir a vedação para o ringue. “Sou polivalente pelo clube” diz entre-risos Nuno que enverga um camisola do Porto, outra das suas paixões. O plantel é constituído apenas por dois jogadores das Bragadas. A maior parte vem de Vialonga, do Forte da Casa e da Póvoa.Cada reposição de bola feita pelo guarda-redes desencadeia uma corrente de gritos que se baseiam no “é minha” ou “deixa”. Depois quando alguém consegue assegurar o controlo do esférico, seguem-se os insultos e o “é falta”. Nada disto é diferente nos campos de norte a sul do país, mas aqui dá se oportunidade de berrar “golo” a quem pensava que já a tinha perdido. Objectivos do BragadenseO Bragadense existe desde 1975 e foi formado por moradores do bairro das Bragadas na Póvoa de Santa Iria. O presidente José Manuel Nunes diz que os objectivos do clube passam por construir um relvado sintético e conseguir arranjar patrocínios para conseguir participar numa divisão distrital. Nada disto está fácil. “O relvado sintético custa mais de 100 mil euros”, analisa o presidente num momento em que a crise económica não permite que as empresas colaborem com o clube. Há três anos que apostam no futebol de formação e têm conseguido alcançar bons resultados.
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