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A solicitadora que já fez de tudo um pouco

A solicitadora que já fez de tudo um pouco

Luciana Santos escolheu esta profissão por conselho da família e não está arrependida

A profissional faz tudo o que um solicitador está capacitado para fazer. Desde elaborar documentos particulares autenticados, compras e vendas, doações, partilhas, reconhecimento de assinaturas, certificação de fotocópias, registos automóveis, registos prediais e comerciais, avaliações de imóveis ou legalização de automóveis importados.

Edição de 06.11.2013 | Identidade Profissional
Luciana Santos tem 28 anos, é solicitadora há apenas quatro anos mas trabalho foi uma coisa que nunca a assustou. Desde os 13 anos que começou a trabalhar nas férias de Verão e nos horários livres durante o período escolar. Trabalhou na apanha da pêra na zona Oeste, na campanha do tomate, apanha da maçã, trabalhou numa pizzaria, fez limpezas numa discoteca, foi caixa de supermercado e trabalhou numa loja de venda de telemóveis. “Era uma maneira de ajudar os meus pais. Queria comprar as minhas coisas e sempre achei que os meus pais não tinham que estar a suportar os meus gastos e os meus gostos”, afirma.A solicitadora viveu muito tempo em Fráguas (concelho de Rio Maior) mas actualmente reside em Torres Novas e tem escritório em Alcanede (concelho de Santarém). Começou a trabalhar por conta própria há cerca de três anos e garante que foi a melhor decisão que tomou. Conta que escolheu o ramo de solicitadoria por acaso, seguindo o conselho da sua tia. A sua intenção era começar a trabalhar assim que concluísse o 12º ano. No entanto a família conseguiu convencê-la a prosseguir os estudos. Hoje agradece a todos os que a incentivaram a não desistir.Os seus dias nunca são iguais, excepto na hora de acordar. Todos os dias se levanta às sete da manhã. Depois de tratar do filho de 10 meses sai de casa às 8h30 e só regressa 12 horas mais tarde. Há dias em que está no escritório, outros que tem que ir às finanças, conservatória ou segurança social. Depende dos assuntos dos clientes que tem que tratar.Luciana Santos costuma dizer que o balcão único que possui em Alcanede é uma espécie de “loja do cidadão”. Lá os clientes podem tratar de muita coisa e não necessitam de se deslocar a Santarém ou Rio Maior, as cidades mais próximas. “Os clientes, sobretudo os mais velhos, acarinham-me muito e pedem-me para nunca fechar o balcão único. Muitas vezes quando precisam de um documento ou de outra coisa qualquer que tenha que ser tratada em Santarém pedem-me para eu fazer. Escusam de ir para a sede do concelho, que ainda fica a 30 quilómetros de distância”, diz.No dia em que O MIRANTE entrevistou Luciana Santos encontrou uma senhora que, muito preocupada com a carta que recebeu das Finanças, decidiu pedir ajuda à solicitadora. Quando percebeu que afinal não tinha que pagar 17 mil euros ficou mais aliviada. Luciana explica que é por situações como esta que não se arrepende de ter enveredado por esta profissão. “Adoro contactar com o público e sinto-me recompensada quando percebo que sou útil e que posso ajudar”, garante.Faz tudo o que um solicitador está capacitado para fazer. Desde elaborar documentos particulares autenticados, compras e vendas, doações, partilhas, reconhecimento de assinaturas, certificação de fotocópias, registos automóveis, registos prediais e comerciais, avaliações de imóveis, legalização de automóveis importados, entre outras coisas. O que Luciana Santos garante que nunca fará, porque não tem feitio para isso, e por isso não fez essa especialização, é trabalhar na área das execuções de penhoras. “É preciso conseguir deixar o coração em casa para trabalhar nessa área e eu não consigo. Não faz parte da minha personalidade”, confessa.A solicitadora, que divide o escritório com duas advogadas, admite que é fácil criar laços de amizade com os clientes. “Às vezes somos um bocadinho padres e psicólogos. As pessoas confiam em nós e contam-nos tudo. Claro que temos o nosso sigilo profissional mas mesmo que não houvesse essa obrigatoriedade claro que não contaria nada porque são assuntos muito pessoais”, diz acrescentando que o sucesso alcançado até agora se deve à sua perseverança, simpatia, qualidade no serviço e também à sua família que sempre a apoiou em todos os passos que deu.
A solicitadora que já fez de tudo um pouco

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