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Doente agarrou médico pelos colarinhos e quis tratar-lhe da saúde

Doente agarrou médico pelos colarinhos e quis tratar-lhe da saúde

O coordenador do Centro de Saúde da Chamusca dá razão aos queixosos e diz não ter dúvidas de que o médico que presta serviço em Ulme “é mais uma tortura do que uma benesse para os doentes”.

Edição de 06.11.2013 | Sociedade
João Silva é um médico de família com uma história original. Tem vários casos de incompatibilidade com os seus doentes e segundo testemunhas tem caprichos no exercício da sua profissão que ninguém espera de um médico. O seu caso está a ser seguido pelas entidades competentes mas já se estende no tempo e ultrapassou tudo o que é razoável. Há dias um doente agarrou-o pelos colarinhos e só não chegou a vias de facto porque alguém interveio na hora certa.Os problemas com o médico João Silva já são conhecidos em vários locais onde trabalhou. Mesmo na Chamusca já se arrastam há alguns anos. O coordenador do Centro de Saúde da Chamusca, Artur Barbosa diz mesmo que nunca viu uma coisa assim. “O senhor é mesmo problemático; e não é por acaso que já teve uma consulta psiquiátrica para avaliação da sua situação clínica”.O comportamento do médico João Silva tem sido turbulento por onde tem passado. No Entroncamento teve problemas graves. Terá chegado a ser agredido. Na Chamusca a contestação foi muito forte e João Silva não se livrou mesmo de ter que se fechar no gabinete para não ser alvo da ira de alguns utentes. “Foi um acumular de situações graves que levaram ao seu afastamento do concelho da Chamusca durante algum tempo. “Mas regressou e, infelizmente, não voltou melhor”, afirma Artur Barbosa, que lamenta ainda ter que reconhecer que aparentemente o colega não tem condições para exercer a sua profissão. Numa consulta feita na última semana em Ulme João Silva terá recusado passar exames regulares a um doente transplantado e as coisas estiveram perto do caos. O utente em causa é acompanhado em Coimbra, onde foi operado, e de dois em dois anos precisa de ir a uma consulta de acompanhamento. Depois da consulta marcada precisa de fazer alguns exames médicos; para isso tem uma carta passada pelos médicos de Coimbra para que o médico de família lhe passe as credenciais indispensáveis para ver como as coisas estão a correr.Foi com esta missão que o utente se dirigiu à extensão de saúde para ser visto e para que o doutor João Silva lhe passasse as credenciais; o médico não só recusou como ainda terá sido indelicado com o utente. Depois de uma discussão acesa o utente pediu o livro de reclamações. Com este pedido o médico terá aproveitado a situação para “gozar” com a sua decisão junto dele e enquanto tentava preencher a reclamação.O utente, que não quis ser identificado neste trabalho por indicação da filha, que assistiu a toda a conversa com o jornalista de O MIRANTE, enervou-se e pegou-lhe por um braço e levou-o para dentro do gabinete. Só não chegaram a vias de facto porque as pessoas presentes na sala de espera conseguiram acalmar o utente, que acabou por sair das instalações sem as credenciais para os exames. Mais tarde foram passadas pelo médico no Centro de Saúde da Chamusca.O presidente da Junta de Freguesia, António Peixinho está seriamente preocupado com a situação. “As pessoas até colocam em dúvida se aquela pessoa é médico. Só aparece quando quer, recusa passar credenciais para exames ou análises, trata mal toda a gente, não atende mais do que cinco pessoas e muitas vezes marca consulta para um determinado dia e quando a pessoa lá chega diz que não a atende porque já chegou a hora de se ir embora”, diz, manifestamente preocupado.“Temo que um dia destes alguém se passe mesmo de todo e parta para a violência. Vou pedir uma reunião com a directora executiva do ACES - Agrupamento de Centros de Saúde de Santarém, para ver como é que vamos resolver este problema. Antes que seja tarde”, garante António Peixinho. “O problema do doutor João Silva está a ser seguido por Lisboa e Santarém”O médico coordenador do Centro de Saúde da Chamusca, Artur Barbosa, compreende e dá razão à população de Ulme. “Sei que as pessoas têm toda a razão em reclamar. O caso que envolve o médico João Silva está a ser seguido em Lisboa e em Santarém e vai ser resolvido no mais curto espaço de tempo possível”, garantiu.Segundo Artur Barbosa, João Silva já foi sujeito a uma consulta psiquiátrica para avaliar a sua capacidade para exercer a profissão. “Aguardamos o resultado da consulta e do processo disciplinar que lhe foi colocado. São coisas que levam o seu tempo e até que esteja resolvido só peço às pessoas que tenham calma”, disse.Os médicos de família foram criados para seguir a vida das pessoas; temos que ter respeito pela sua saúde, sempre que necessário temos que passar exames e medicamentos. Temos que atender com deferência, não podemos fazer como João Silva, que chega tarde e sai cedo, deixando os doentes por atender e não lhes passando os medicamentes que têm que tomar todos os dias. Já não tenho dúvida de que o João Silva é mais uma tortura do que uma benesse para os doentes”, disse em jeito de desabafo Artur Barbosa.
Doente agarrou médico pelos colarinhos e quis tratar-lhe da saúde

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