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Hospital de Santarém diagnosticou-lhe sarna na gravidez mas o que a jovem de 19 anos tinha era cancro

Hospital de Santarém diagnosticou-lhe sarna na gravidez mas o que a jovem de 19 anos tinha era cancro

Cátia Carvalho, bombeira em Almeirim, esteve meses sem ter o filho nos braços mas foi ele que lhe deu forças para lutar contra a doença
Edição de 06.11.2013 | Sociedade
Cátia Carvalho, bombeira voluntária em Almeirim, descobriu que estava grávida aos 19 anos e durante a gravidez começou a sentir sintomas estranhos. No Hospital de Santarém diagnosticaram-lhe sarna mas o que ela tinha era um cancro. A alegria de ter um filho foi partilhada pela angústia e incerteza do futuro. Conseguiu vencer a doença pelo filho depois de uma luta em que se agarrou à vida com todas as forças.A gravidez não tinha sido planeada mas deu um novo sentido à vida da jovem mãe. A dada altura começou a sentir um prurido insuportável, não conseguia dormir e sentia um cansaço extremo. O filho nasceu no Hospital de Santarém e não pôde tê-lo nos braços por causa da suposta sarna. Só passado algum tempo do parto e quando foi à médica de família, que estranhou o diagnóstico e a mandou de urgência para Santarém e daqui foi para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Tinha um linfoma de Hodgkin (cancro no sistema linfático). O mundo parece que desabou quando lhe deram a notícia. O que pode sentir uma jovem mãe quando lhe dizem que tem um tumor maligno e que lhe restam dias de vida? O pânico de não acompanhar as gargalhadas do filho recém-nascido, o pensar que o mundo está ao contrário e não é justo. Foi internada e a peça de roupa de Afonso que tinha no quarto fazia com que sentisse que ele estava próximo. Foi o que lhe deu forças. Fez tratamentos durante oito meses. Já deixou de fazer tratamentos de quimioterapia e radioterapia há três meses. “Foram 15 horas em trabalho de parto e sempre a oxigénio. Já pouca força tinha no final”, recorda a O MIRANTE Cátia Carvalho, agora com 20 anos. Durante o tempo em que esteve afastada do pequeno Afonso, foi conhecendo-o através de fotografias que a mãe lhe mostrava, mas não lhe podia dar colo, embalá-lo. Para esta mãe guerreira o lema agora é “erguer a cabeça, sorrir, porque o dia de amanhã é uma incerteza e o que vale é viver hoje”.Durante todo o processo o sorriso era a sua arma para suavizar a situação, mas houve também dias em que a revolta a assolou, sentia-se até uma má mãe por não poder acompanhar o filho de perto. Os efeitos da quimioterapia foram-se fazendo sentir e quando o cabelo começou a cair, Cátia decidiu ir ao cabeleireiro cortá-lo e adoptar um novo visual. “Foi uma sensação diferente, foi o alívio de já não ver o cabelo a cair e aquela sensação nova de já não ter cabelo”. Os tratamentos terminaram a 22 de Agosto, data que não esquece. Cátia voltou aos bombeiros que a têm ajudado a superar o mau momento por que passou. Recomeçou os estudos e está num Curso de Especialização Tecnológica (CET) em Acompanhamento de Crianças e Jovens na Escola Superior de Educação de Santarém (ESES). O seu sonho de criança e que quer realizar é trabalhar exclusivamente nos bombeiros e estar próxima das pessoas podendo ajudá-las. Não valia a pena fazer queixa porque o que queria era estar viva“A Cátia antes era uma desleixada, uma cabeça no ar, só queria era brincar, aquela vida de adolescente, sair e divertir-se. Agora principalmente está o meu filho, estão as responsabilidades, está a família, está tudo aquilo que realmente interessa”, autodescreve-se revelando a aprendizagem que a vida lhe deu. Cátia Carvalho e os seus pais não avançaram com queixa contra o Hospital Distrital de Santarém (HDS). Um processo que carecia de um investimento e seria moroso. “Sinceramente o que é que adianta estar anos e anos a lutar para conseguir alguma coisa se aquilo que eu queria realmente era estar viva”, afirma Cátia. Fizeram uma reclamação formal apenas no HDS. “Admitiram que erraram, que podiam ter feito mais alguma coisa, os sintomas estavam todos lá, só que eles basearam-se no facto de ser mãe e ser nova”.
Hospital de Santarém diagnosticou-lhe sarna na gravidez mas o que a jovem de 19 anos tinha era cancro

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