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Sacristão fez a vida negra ao Santuário de Fátima

Sacristão fez a vida negra ao Santuário de Fátima

Durante cinco meses, um sacristão danificou instalações eléctricas, roubou equipamentos de som, causou uma inundação, pintou frases anti-Papa numa capela e até sabotou a transmissão televisiva de uma missa de Natal na nova basílica de Fátima. Descoberto e levado a tribunal, vai ter de pagar quase 40 mil euros pelos danos causados e foi condenado a quatro anos de prisão com pena suspensa.

Edição de 06.11.2013 | Sociedade
Entre Dezembro de 2009 e Abril de 2010 um sacristão e vigilante da Igreja da Santíssima Trindade fez a vida negra aos responsáveis do Santuário de Fátima com a prática de actos pouco católicos. Da lista de factos que lhe são atribuídos constam, por exemplo, a danificação ou roubo de material eléctrico e de som, a sabotagem da transmissão televisiva de uma missa de Natal na Igreja da Santíssima Trindade, a inundação de uma casa de banho ou a pintura de frases anti-Papa e de cruzes suásticas nas paredes de uma capela. A maior parte dos actos imputados ao sacristão foram praticados quando este se encontrava ao serviço.Após primeiro julgamento no Tribunal de Ourém, o Tribunal da Relação de Coimbra confirmou recentemente a pena de quatro anos e dois meses de prisão, suspensa na sua execução mediante algumas condições, e ainda o pagamento pelo arguido de uma indemnização ao Santuário de quase 40 mil euros pelos danos causados.Na relação de factos provados consta que, em Dezembro de 2009, o sacristão se apoderou de uma chave-mestra que se encontrava no porta-chaves do chefe de vigilantes da Igreja da Santíssima Trindade e que servia para abrir todas as portas interiores, bem como de um cartão magnético que abria todas as portas codificadas e alguns elevadores. Foi ainda dado como provado que entre Dezembro de 2009 e 16 de Abril de 2010 o arguido levou do interior dessa moderna igreja (inaugurada em Outubro de 2007) seis colunas de som, um amplificador, transformadores, vário material eléctrico e um rádio portátil. Durante o mesmo período, o sacristão retirou ainda do interior da Capela do Calvário Húngaro, em Valinhos, um amplificador de som.Missa de Natal sabotadaAs tropelias do sacristão não se ficaram por aí e um dos momentos mais insólito aconteceu no dia de Natal de 2009. Quando se celebrava a missa matinal na Igreja da Santíssima Trindade, que estava a ser transmitida pela RTP, o sacristão desligou vários disjuntores do quadro eléctrico, causando um corte de energia eléctrica destinado a impedir a transmissão televisiva. Não contente com isso, trocou ainda vários fios do quadro eléctrico, obstando a que a energia fosse de imediato restabelecida.A longa lista de factos provados enumera ainda que em Janeiro e Fevereiro de 2010, o arguido provocou vários cortes de energia na Igreja da Santíssima Trindade bem como no gerador ali colocado para suprir as faltas de energia. Cortou ainda dois tubos do óleo do gerador e colocou-o em funcionamento, deixando-o ligado até o equipamento se estragar devido à falta de lubrificação do motor.No dia 31 de Janeiro de 2010 a acção do arguido centrou-se numa casa de banho situada no primeiro andar da Igreja da Santíssima Trindade, em zona de acesso restrito onde chegou usando a chave-mestra que roubara ao chefe dos vigilantes. Ali, retirou o tubo que liga o lavatório à canalização e abriu as torneiras, deixando-as a correr, causando uma inundação.Cruzes suásticas numa capelaA vaga de vandalismo não se ficou por aí. Entre Dezembro de 2009 e Abril de 2010, em datas não especificadas, o sacristão arrancou por duas vezes os tubos de abastecimento de combustível de um motor que abastece as bocas de incêndio na Igreja da Santíssima Trindade impedindo assim que funcionasse em caso de emergência.O tribunal considerou ainda provado que foi o sacristão quem na noite de 8 para 9 de Abril de 2010 efectuou vários grafites com tinta de spray nas paredes da Capela do Calvário Húngaro, sita em Valinhos, nas imediações de Fátima, tendo escrito a frase “Morte ao Papa” e desenhado nove cruzes suásticas.Na tarde desse mesmo dia partiu o vidro de duas botoneiras de emergência, localizadas junto às portas laterais da Igreja da Santíssima Trindade, accionando assim o alarme de incêndio e consequentemente levando à abertura de todas as portas que se encontravam encerradas, inclusive as que têm acesso restrito. No dia 15 de Abril voltou a repetir a acção.Escapou à prisão mas tem de pagar os prejuízosO arguido, de 43 anos, natural do concelho de Chaves e residente em Fátima à altura dos acontecimentos, acabou por ser apanhado e levado à justiça, tendo sido condenado pelo Tribunal de Ourém a 18 meses de prisão por um crime de furto simples e a três anos e seis meses de prisão por um crime de dano qualificado, na forma continuada. Em cúmulo jurídico dessas penas, o arguido acabou condenado na pena única de quatro anos e dois meses de prisão, com pena suspensa, ficando obrigado a submeter-se a um plano individual de readaptação, a organizar pelo Instituto de Reinserção Social, pelo período de quatro anos e dois meses.O sacristão e vigilante do Santuário, que entretanto se separou da mulher e foi viver com os pais para a terra natal, foi ainda condenado a pagar à instituição lesada a importância de 39.747,84 euros, a título de indemnização por danos patrimoniais, acrescida de juros de mora, em quatro prestações anuais, até ao último dia útil de cada ano.Inconformado com a pena, o arguido, que durante o julgamento se remeteu ao silêncio, recorreu para o Tribunal da Relação de Coimbra que manteve a pena de prisão, mas aliviou as condições para a suspensão da pena considerando que, dada a situação financeira do arguido, que trabalha actualmente como carpinteiro, se afigura mais ajustado impor o pagamento à entidade lesada de 2.400 euros em cada um dos quatro anos seguintes ao trânsito em julgado da decisão. Foi ainda rectificado o valor da indemnização para o montante de 39.848,09 euros, “que o arguido continua obrigado a pagar” ditaram os juízes na sentença lavrada no dia 2 de Outubro de 2013.
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