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População alheia-se do poder local porque este ainda é gerido como no tempo dos imperadores

População alheia-se do poder local porque este ainda é gerido como no tempo dos imperadores

Livro de José Fidalgo, ex-presidente da Junta de Vila Franca, é uma “pedrada no charco”

Uma das conclusões da obra é que o poder local precisa urgentemente de encontrar formas de se reinventar e cativar as populações a participar mais activamente nos actos de gestão das freguesias e municípios onde vivem.

Edição de 13.11.2013 | Sociedade
Um dos problemas do poder local é continuar a ser gerido como era no tempo dos imperadores, com uma estrutura piramidal em que o presidente é o elemento centralizador de todas as decisões, quando a estrutura de gestão deveria ser mais simplificada e baseada nas sugestões e recomendações dos munícipes. Este foi um dos principais problemas identificados no debate promovido no âmbito do lançamento do primeiro livro do ex-presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, José Fidalgo, que ocorreu numa altura de grandes mudanças e desafios para o poder local, não apenas com a agregação de freguesias mas também com os anunciados cortes nas transferências do Orçamento de Estado.A obra, editada por O MIRANTE, foi considerada pelos presentes como “uma pedrada no charco” do poder local, que precisa urgentemente de encontrar formas de se reinventar e cativar as populações a participar mais activamente nos actos de gestão das freguesias e municípios onde vivem. O livro “Autarquia Inclusiva & Participada” foi apresentado na tarde de sexta-feira, 8 de Novembro, numa das salas do Instituto Superior de Educação e Ciências de Lisboa (ISEC), que foi pequena para todos os que quiseram assistir ao lançamento da obra. Foi a primeira tese do curso de Estudos em Gestão Autárquica a ser publicado em livro. Ana Teresa Gouveia, presidente do ISEC, teceu elogios ao trabalho de José Fidalgo, que foi também o primeiro aluno a defender publicamente a tese. “É um trabalho rigoroso e planeado que deve orgulhar não só o seu autor como a nossa instituição e aqueles que pensam e estudam o poder local”, disse. José Fidalgo, recorde-se, foi também o primeiro presidente de junta do país a conseguir para a sua autarquia a certificação de qualidade ISO 9001:2008, um facto também destacado pelos presentes. Filipe Santos, coordenador distrital de Lisboa da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), disse que o livro de José Fidalgo é uma “pedrada no charco” que deve ser de leitura obrigatória para que os autarcas possam mudar a estratégia de gestão dos municípios e freguesias que lideram.Henrique Lopes, professor doutor no ISEC, destacou a importância do trabalho de José Fidalgo e alertou os autarcas presentes na sala para a necessidade de “lerem e implementarem” o modelo de gestão explorado no livro e apelou a que os ensinamentos da obra não fiquem na gaveta a morrerem de velhos. “O que encontramos hoje em dia nas autarquias é uma estrutura de gestão piramidal que vem do tempo dos imperadores. Há um grande caminho a percorrer nas autarquias até que as consigamos tornar inclusivas e participadas”, criticou.Para Francisco Lima Costa, outro dos investigadores convidados para apresentar a obra, ver “duas ou três” pessoas nas assembleias de freguesia de Vila Franca é “insuficiente” e apontou a urgência de pensar novas formas de cativar a população a aparecer nas assembleias. “O modelo apresentado pelo José Fidalgo é uma proposta estimulante”, frisou. O responsável também lamentou viver-se hoje em dia o que chamou de “globalização desigual”.Ao lançamento da obra compareceram também o director-geral de O MIRANTE, Joaquim António Emídio, o presidente da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira, respectivamente Alberto Mesquita e João Quítalo, o presidente da Câmara Municipal de Mafra, Hélder Silva, e outros autarcas da região, como Pedro Margarido, presidente da Junta de Freguesia de Lourinhã.Na sua obra José Fidalgo propõe um modelo de gestão ancorado em normas da Comunidade Europeia e da estratégia nacional para o desenvolvimento sustentável, assente num maior enfoque aos cidadãos e na participação das instituições da esfera económica, social, cultural e política. O livro tem por base o estudo apresentado por José Fidalgo como tese do 2º ciclo de Estudos em Gestão Autárquica, realizado entre 2009 e 2013.
População alheia-se do poder local porque este ainda é gerido como no tempo dos imperadores

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