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Sócios do IAC não aceitam pagar juros pelo empréstimo feito pela esposa do ex-presidente

Em causa estão 34.500 euros para resolver problemas de tesouraria na gestão de António Inácio
Edição de 13.11.2013 | Sociedade
Os sócios do Instituto de Apoio à Criança do Forte da Casa (IAC), Vila Franca de Xira, votaram contra o pagamento de juros de um empréstimo feito à instituição pela esposa do ex-presidente, António Inácio. Na última assembleia-geral da instituição na noite de 7 de Novembro, 76 associados recusaram o pedido que apenas obteve quatro votos a favor, além de dois em branco e dois nulos. Antes da votação, a actual direcção do IAC explicou que em 2012, altura em que os actuais directores faziam parte da comissão administrativa que estava a gerir a instituição, Ilda Inácio veio pedir o pagamento dos juros e dos encargos bancários por um empréstimo concedido à associação no valor de 34.500 euros. A direcção foi verificar a situação e concluiu que o empréstimo foi contraído em Novembro de 2008 para solucionar questões de pagamentos de subsídios e problemas de tesouraria. Mas a situação não está escrita em nenhuma acta de assembleia geral, a quem cabe aprovar ou ter conhecimento dos empréstimos contraídos.O tesoureiro do instituto, Manuel Martins, afirmou que o valor em dívida vai ser pago no fim deste mês e que por falta de informação bancária não é possível saber o valor dos juros. Adiantou também que “os valores constantes da contabilidade do IAC referem-se apenas ao capital emprestado e à amortização, não havendo qualquer referências a juros”. Alguns associados estranharam a contracção do empréstimo e criticaram o facto da situação não ter sido do conhecimento da assembleia.Contactado por O MIRANTE, António Inácio, que foi também presidente da Junta de Forte da Casa, afirmou que teve que recorrer a um empréstimo privado porque na altura os bancos colocaram-lhe algumas dificuldades. “Pelos estatutos não me pareceu necessário informar os sócios visto que se tratava de um empréstimo para fazer face às despesas correntes”, explicou. Inácio considera que o pagamento dos juros é uma situação normal, até porque a esposa teve que pedir dinheiro emprestado a um banco para por sua vez o emprestar à instituição. Actual direcção já conseguiu pagar 700 mil euros de dívidasDesde que a nova direcção presidida por Cidália Ângelo tomou posse, o Instituto de Apoio à Criança já conseguiu liquidar 700 mil euros da dívida de 2,5 milhões registada em 2011 e que foi sendo contraída ao longo de 25 anos. Este ano o IAC conseguiu regularizar a dívida às Finanças e no mês de Novembro já vão ter a renda do aluguer dos espaços em dia. O tesoureiro do instituto, reconhece que a amortização da dívida só é possível graças à contribuição dos 170 trabalhadores da instituição que aceitaram não receber os subsídios de Natal e de Férias dos anos 2012 e 2013. “Devemos cerca de 450 mil euros aos funcionários da instituição que vão começar a ser pagos de forma faseada já este mês”, garante Manuel Martins. O próximo ano adivinha-se difícil já que, refere o tesoureiro, “espera-se uma quebra de 150 mil euros relativas a mensalidades dos utentes”. O orçamento de 2014 prevê um investimento de cerca de 33 mil euros. Quantia que vai servir para a renovação de equipamentos. O programa de acção perspectiva a consolidação da imagem do IAC junto da comunidade local, a contribuição para a qualificação dos trabalhadores e a garantia de sustentabilidade da associação. Em 2012, altura em que António Inácio se demitiu, foi feito um estudo económico e social a pedido da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade que sugeria o encerramento de valências e o despedimento de trabalhadores. Medidas que até à data não houve necessidade de implementar.

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