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Dar atenção aos pequenos detalhes para um resultado de excelência

Dar atenção aos pequenos detalhes para um resultado de excelência

Paulo Jorge Coelho, 43 anos, Técnico de Prótese Dentária, Santarém
Edição de 13.11.2013 | Três Dimensões
Lembro-me, como outros miúdos da minha idade, que gostava de ser piloto de Fórmula 1. Gostava de ver as corridas com o Ayrton Senna e a primeira memória de querer ser alguma coisa que tenho é esta. O gosto pelos carros e as motos são uma coisa que ainda hoje me acompanha e quando tenho tempo livre gosto de dar uma volta de mota. Tinha familiares que estavam na área da saúde oral e que me incentivaram a seguir esta profissão. Ainda cheguei a fazer um ano no ISPA, em Psicologia, mas não era aquilo que eu queria. Em 1995 candidatei-me e entrei na Faculdade de Medicina Dentária, em Lisboa, no curso de Prótese Dentária e quando comecei o curso gostei imenso. Parecia que realmente tinha encontrado aquilo que queria fazer. Já trabalho desde 1998, no último ano de faculdade comecei de imediato a trabalhar. Trabalhei em Laboratórios em Lisboa inseridos em clínicas até 2000. Nessa altura abri o meu laboratório em Santarém. Foi um pouco ir ao encontro de uma necessidade que a própria cidade tinha, porque não havia nenhum laboratório que trabalhasse a prótese fixa. Os meus pais estavam cá e foi também uma maneira de voltar.Já em adolescente me diziam para tudo o que fizesse procurasse fazer bem. Essa ideia tem sido fundamental no meu percurso de vida. Sou perfeccionista e há quem me chame picuinhas mas todas as coisas pequeninas para mim contam. Sou exigente e para quem trabalha comigo pode ser complicado, mas também acho que exijo mais de mim do que dos outros.Ser técnico de prótese dentária representa um desafio diário. Todos os dias aparece algo diferente, porque não há nenhuma pessoa igual, não há nenhuma boca igual. Os casos nunca são iguais, há sempre diferenciação naquilo que se faz. Existe sempre um desafio. Nunca é uma coisa monótona, há sempre desafios novos. Com muita dedicação e esforço consegue-se superar. A parte positiva é quando temos possibilidades de ir à clínica e ver os trabalhos em boca e vimos o antes e o depois. E quando a pessoa se vê ao espelho e vemos aquele sorriso todas aquelas dificuldades desaparecem. É importante que as pessoas tenham hábitos de higiene oral e que tentem preservar os dentes naturais ao máximo, porque apesar de hoje termos materiais e soluções para quase tudo não há nada melhor do que os nossos dentes naturais.O pouco tempo que tenho livre é para a família. Não me resta muito tempo para outras actividades. Sempre pratiquei vários desportos, aquele onde permaneci mais tempo foi na natação. Fiz natação de competição e cheguei a ganhar alguns primeiros e segundos lugares. Agora já não pratico, mas a água é um elemento que me deixa calmo.Sou um workaholic, às vezes não por vontade própria, mas pelo trabalho em si. Esta profissão é muito exigente e muito stressante e às vezes temos prazos de doidos, há trabalhos de uma semana que temos que fazer em dois dias, por vezes o dia não chega. Há dias em que saio à uma ou duas da manhã do laboratório e aí a família ressente-se. Com 43 anos ainda não aprendi como me desligar completamente do trabalho. Às vezes acordo durante a noite a pensar numa solução para um determinado problema.Sou fã de tudo o que são gadgets, de tudo o que são botões. Eu gostava de imaginar um dia sem telemóvel, mas não dá para estar longe dele, está sempre a tocar, mas às vezes apetece desligar. Nem durante as férias consigo desligar-me, o laboratório não fecha e há sempre coisas a resolver. Quando se trabalha por conta própria nunca se está de férias.Gostava de ter mais uma filha, gostava de ter três meninas. Tenho duas filhas, com 6 e 8 anos, não brinco com elas tanto como eu queria, mas quando estou em casa tento ser brincalhão e fazer com que aquele tempo seja divertido. Todas as manhãs tento levá-las à escola, é assim que começa o meu dia. Sempre foi o meu sonho ter três meninas.Sinto-me um Ribatejano. Gosto dos meus amigos, da minha família, gosto da cidade de Santarém em si e da proximidade que permite que exista entre os locais. Hoje já não me via a viver em Lisboa, esta é a cidade que escolhi também para ter família. Gosto de Sopa da Pedra, dos grelhados de Almeirim e de alguns doces regionais. Gosto muito do campo e da praia. Não sou uma pessoa de ter saudades do passado. Gosto mais daquilo que está para vir e do presente. Nós somos um reflexo daquilo que nós fizemos e daquilo que nós fomos, nada disso é apagado, mas estar a olhar sempre para o passado não nos leva muito longe.Andreia Montez
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