26º Aniversário | 20-11-2013 15:20

Um Museu para a Cidadania

O empenho do Município de Vila Franca de Xira para dotar o Museu do Neo-Realismo de instalações definitivas, condignas e apropriadas à preservação, investigação e exibição dos seus acervos e coleções teve o seu impulso inicial nos anos 90, passando já no final dessa década a constituir um dos objetivos centrais da sua política cultural. As diligências realizadas desde 2000 pelo elenco camarário e seus parceiros, em especial a Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo, conduziram, finalmente, em Outubro de 2007, à inauguração do novo edifício do Museu, culminando assim um longo processo de legitimação cultural e museológica. A instalação definitiva do Museu do Neo-Realismo na Rua Alves Redol, no centro da cidade, de acordo com o projeto assinado pelo Arquiteto Alcino Soutinho, ajudou igualmente a sedimentar a confiança de colecionadores e familiares de alguns dos protagonistas do neorrealismo, assistindo-se desde essa altura a um crescimento significativo de processos de doação e depósito não só de espólios literários e documentais, como de obras de arte associadas ao neorrealismo.Traduzido num objetivo de inspiração temática e inicialmente vocacionado para o estudo e disponibilização de fontes documentais sobre o movimento cultural do neorrealismo, o Museu do Neo-Realismo tem vindo a promover, desde então, uma prática continuada de investigação e divulgação dos seus conteúdos, correspondendo, através de uma ação pedagógica adequada, ao público heterogéneo que o visita. O propósito museológico perseguido por esta nova instituição engloba ainda uma estreita ligação com a arte e o pensamento contemporâneo, numa perspetiva que convoca alguns dos conceitos que fizeram o próprio neorrealismo, isto é, o compromisso crítico com a observação das condições da nossa atualidade política e social, redimensionando temas que fazem hoje parte das nossas preocupações sociais, como a ecologia, a problemática da intervenção social do artista, ou ainda a experiência de uma mais forte consciencialização cívica dos cidadãos. Ao longo dos últimos seis anos, o Museu do Neo-Realismo promoveu, com sucesso e reconhecimento à escala nacional, um conjunto significativo de iniciativas, com destaque para o programa geral e as exposições documentais dos centenários de Soeiro Pereira Gomes (2009), Manuel da Fonseca e Alves Redol (2011), bem como a exposição sobre a “Memória do Campo de Concentração do Tarrafal” (2010), em parceria com a Fundação Mário Soares, ou as exposições antológicas de artes plásticas de Júlio Pomar (2008), José Dias Coelho (2008), Álvaro Perdigão (2012), Nuno San-Payo (2013) ou “A Doce e Ácida Incisão” (2013), exp. coletiva sobre a Cooperativa de Gravadores Portugueses, numa coprodução com a Culturgest – Fundação Caixa Geral de Depósitos. Também o ciclo de arte contemporânea “The Return of the Real” (2007-2013) trouxe até Vila Franca de Xira alguns dos artistas mais relevantes do panorama nacional, de João Tabarra a Paulo Mendes, ou de Miguel Palma a Ângela Ferreira, João Louro, Carla Filipe ou António Olaio, entre muitos outros. Com este perfil de programação, para além das várias parcerias com instituições museológicas (Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado) e universitárias (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa ou a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa), o Museu do Neo-Realismo converteu-se, em pouco tempo, numa referência cultural do nosso país, levando consigo o nome da região onde está sediada.

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