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Das mãos de João nascem obras de arte

Das mãos de João nascem obras de arte

João Rolaça é um jovem artista cosmopolita apegado às raízes ribatejanas. Por isso não se desliga de Vila Chã de Ourique, onde tem a sua base criativa e onde as suas esculturas ganham forma. Algumas delas podem ser apreciadas numa exposição no Centro Cultural do Cartaxo, da qual é também curador.

Edição de 20.11.2013 | Cultura e Lazer
Gosta da calma e do silêncio do campo, mas também aprecia o burburinho da cidade. Já viveu em Lisboa, onde estudou Escultura na Faculdade de Belas Artes, em Tallinn, na Estónia, onde fez Erasmus, e em Londres, onde completou o mestrado em Artes Plásticas, mas é em Vila Chã de Ourique, freguesia do concelho do Cartaxo, que João Rolaça tem o seu atelier e dá corpo às suas criações artísticas em vidro, metal, gesso e outros materiais. “O Peso das Coisas”, patente no Centro Cultural do Cartaxo (CCC) até 22 de Dezembro, é o seu mais recente projecto, uma exposição onde participa como artista e da qual é também curador.Desde a infância que o gosto pelo desenho se foi aguçando, a descoberta da escultura surgiu na adolescência. Foi nessa altura que se apercebeu que era nos objectos tridimensionais e na manipulação da matéria que encontrava a sua motivação como artista. “Interessava-me pôr as mãos nas coisas e o espaço”, disse João Rolaça a O MIRANTE enquanto recordava os seus primeiros passos no mundo da arte.Já na Faculdade de Belas Artes, em Lisboa, onde completou a licenciatura em Escultura, é que se apercebeu da importância que os seus professores da Escola Secundária do Cartaxo haviam tido na sua construção como artista, pelo incentivo à criação e pelas experiências que lhe haviam proporcionado.Não se considera apenas escultor, mas sim artista plástico. É assim que João Rolaça se define, pela polivalência de materiais e técnicas que utiliza. “Considero-me artista plástico, porque apesar dos meus interesses terem a ver com a tridimensionalidade e com a escultura, nem sempre faço só escultura, também trabalho em fotografia e às vezes com desenho”, referiu a O MIRANTE. João Rolaça é um artista cosmopolita que não esquece as origens e acaba sempre por voltar a Vila Chã. “Espero vir a trabalhar muito para a grande cidade a partir daqui, mas sinto que preciso dessa calma, de conhecer as pessoas a fundo, ter um contacto próximo”. As origens influenciam também a sua obra, principalmente quando está distante fisicamente. “Muitas vezes as referências que eu faço a este lugar têm a ver com a distância. Falo do Ribatejo, do Cartaxo ou de Vila Chã de Ourique quando estou fora e aqui vou buscar outras coisas”, refere salientando que neste momento, por exemplo, está numa fase em que está a embeber a influência da cultura grega. Todos os dias vai para o atelier, que em tempos era um celeiro, e onde tem espaço para se movimentar, manipular os materiais ou simplesmente olhar e ficar em silêncio rodeado de objectos. “Às vezes só limpar, arrumar o atelier, preparar a hortinha que tenho em frente ao atelier, pintar as paredes, ou ir comprar os materiais são processos importantes para mim”, confidencia.“Por um lado gostava de estar em Lisboa ou noutra cidade europeia mais perto da arte, mais perto das galerias, dos artistas, mas por outro lado tenho aqui condições que muitos colegas artistas não conseguem ter”, reconhece João Rolaça a O MIRANTE, revelando que não se imaginaria a trabalhar num atelier pequeno dentro de um apartamento.A família nunca o desapoiou, mas João Rolaça sente que apesar de verem o prazer que tem em fazer a sua arte, nem sempre conseguem olhar como apreciadores para as suas peças.“Deviam acontecer mais coisas em Santarém”Na juventude dos seus 25 anos, João Rolaça não esconde o seu olhar crítico sobre a escassa aposta cultural na região, apontando como excepção o Cartaxo, que considera “acima do nível daquilo que se faz aqui na região” e que tem dinamizado a actividade cultural, principalmente através do CCC.“Acho que a nossa capital de distrito merecia muito mais, é uma cidade riquíssima do ponto de vista cultural, deviam acontecer muito mais coisas”, disse João Rolaça. “A cultura em Santarém passa muito pela Feira da Agricultura, pela gastronomia e pelas touradas, que têm o seu lugar. Mas acho que se têm focado muito nesses aspectos e que se tem trazido pouca cultura de qualidade às pessoas”, completa, mencionando que a cultura na região devia ser mais “valorizada e trabalhada”.João Rolaça tem participado em exposições colectivas e até ao momento ainda não expôs individualmente, mas confessa que o diálogo com outros artistas o motiva. Também já trabalhou como director artístico numa peça de teatro e no futuro pretende explorar outros campos mesmo que não estejam ligados directamente às artes plásticas, nomeadamente o teatro, a cenografia e a performance. A cerâmica é também outro dos aspectos em que pretende apostar.“O Peso das Coisas” no Centro Cultural do CartaxoJoão Rolaça é o curador da exposição que está patente no CCC até dia 22 de Dezembro. “O Peso das Coisas” é uma exposição colectiva que apresenta trabalhos de 12 artistas plásticos convidados por João Rolaça onde o artista ribatejano deu primazia à heterogeneidade. Para além de João Rolaça, Ana João Almeida, De Almeida e Silva, José Aurélio, Rita Cabrita, Sérgio Carronha, Marta Castelo, Constança Clara, Thierry Ferreira, Virgínia Fróis, Inês Teles e Luís Qual são os artistas cujas obras são apresentadas nesta mostra. O curador da exposição está já a planear organizar uma visita guiada para adultos e um trabalho com os alunos do 1º ciclo e com os professores no âmbito da exposição para que seja criada uma dinâmica entre os visitantes e os objectos expostos. Levar “O Peso das Coisas” a outros lugares será o próximo objectivo para que a mostra não seja extinta no dia em que sair do CCC.
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