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Quatro rappers passam o tempo numa garagem de Vialonga a dar asas aos sonhos

Quatro rappers passam o tempo numa garagem de Vialonga a dar asas aos sonhos

No próximo mês é lançado um trabalho que alia o Hip-Hop à cultura ribatejana que se chama “Touro”
Edição de 20.11.2013 | Cultura e Lazer
Quatro “rappers” que ensaiam numa garagem de Vialonga estão a tentar singrar neste género musical. Apesar de ainda não terem ganho nada com a música têm investido algum dinheiro a criar condições na garagem num prédio na Maranhota, adaptando-a a estúdio. Chamam-lhe a “caverna”. Foi aqui que Idalo das Neves, 31 anos, ou Phoenix, como é conhecido, desenvolveu a mix-tape intitulada “Touro”, que procura aliar o Hip-Hop à cultura ribatejana num projecto inovador que conta com a participação de vários artistas da freguesia. O trabalho é lançado a 5 de Dezembro e além da música foi também criada uma linha de roupa com a marca “Touro”. Gonçalo Cruz, de 25 anos, nome artístico Psico, é outro dos que passa a maior parte do seu tempo na “caverna”. Já investiu cerca de dois mil euros na compra de material. “Ainda não recebi nada da música mas se começar a receber toda a gente à minha volta também vai lucrar com isso”, diz. Bruno Martins (Kalash) e Tomás Sozinho (Kroa) são os outros dois elementos que partilham o espaço e navegam na aventura criativa. São auto-didactas e além de escreverem e cantarem, também fazem o instrumental, gravam e editam os seus próprios vídeo-clips. “Nunca tirei um curso mas já gastei muitas horas em frente ao computador a aprender a mexer nos programas de edição de vídeos”, conta Idalo das Neves que já gastou mil euros numa câmara de filmar. Com o dinheiro que vai fazendo a vender vídeos da sua produtora “Mafia Music” é que consegue sustentar o vício da música.Tomás Sozinho diz que a inspiração pode aparecer a qualquer altura e por isso convém andar com um bloco de notas para apontar as ideias que surjam no autocarro, na fila do supermercado, na rua. Idalo é o veterano da música rap em Vialonga. “Antes era encarado como aquele maluco que gostava de fazer música. Agora, pelo menos, somos mais malucos juntos”. Tem três filhos e um emprego mas isso não lhe limita a paixão pela música e até já usou a voz de um dos filhos para compor uma faixa.Os rappers admitem que as letras das suas músicas muitas vezes levam os ouvintes a comportamentos menos correctos. Eles próprios não são santos. “Nós escrevemos sobre o que se passa à nossa volta, sobre a rua, o mundo da droga, as nossas aventuras” refere Kalash, assumindo-se como um contador de histórias. No entanto, Psico alerta que tal como vemos um filme de acção e não compramos uma arma para matarmos os maus-da-fita como o herói do ecrã, também não devemos fazer tudo aquilo que é contado nas músicas. Os músicos de Vialonga difundem o seu talento através da internet numa freguesia que em seu entender não quer só ser conhecida por ter uma fábrica de cerveja ou por ser um dormitório. Kroa não esconde que gostava de alcançar a fama e entende que o Hip-Hop já não é uma moda. “Acredito que vou estar a dar o biberão aos meus netos e a rimar para eles”, conclui.
Quatro rappers passam o tempo numa garagem de Vialonga a dar asas aos sonhos

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