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Coruche tem um presidente novo mas já com muita rodagem na vida autárquica

Coruche tem um presidente novo mas já com muita rodagem na vida autárquica

O novo presidente da Câmara de Coruche, Francisco Oliveira, já era vice-presidente no mandato anterior e por isso o cargo não lhe exigiu uma grande adaptação. O autarca elogia o trabalho do seu antecessor, Dionísio Mendes, e a gestão que este fez deixando-lhe bases para que possa enfrentar o futuro com mais facilidade e ter capacidade para fazer obras. O socialista Francisco Oliveira critica a reorganização das freguesias do concelho, é pela regionalização e promete bater-se pela manutenção dos serviços públicos no concelho e pela construção de uma nova travessia sobre o Sorraia. A aposta no sector da cortiça é para continuar. Porque tem sido importante para evitar a saída de pessoas e fundamental para a melhoria da qualidade de vida, poder de compra e economia local.

Edição de 20.11.2013 | Entrevista
António Palmeiro/João CalhazEra vice-presidente no mandato passado, não deve ter sido difícil a transição para o novo cargo.Já tenho uma experiência de 12 anos desde que o PS conquistou a câmara. No primeiro mandato como secretário e nos seguintes como vereador. Ainda que o palco seja diferente, a situação não é completamente nova para mim, embora a responsabilidade seja diferente. Já sonhava ser presidente da câmara?Não! Estas coisas acontecem nas nossas vidas. O objectivo de ser presidente da câmara nunca foi traçado. As coisas foram-se concretizando e os acontecimentos sucedendo-se. Para isso é preciso que tenhamos esta entrega e espírito de missão. Ser autarca hoje implica uma exigência muito grande. Os que têm esta vontade têm de ter também uma grande disponibilidade e responsabilidade. O que me fez chegar aqui foi o sentir a causa municipal. Há a particularidade de neste concelho, ao contrário de outros, o ex-presidente da câmara não estar em nenhum órgão autárquico. Livrou-se de uma interferência do passado?Essa questão não se coloca porque o ex-presidente Dionísio Mendes sempre foi um parceiro e um aliado. A relação de proximidade e de trabalho mantém-se. Não haveria qualquer constrangimento se ele ocupasse qualquer cargo municipal. É mais fácil governar assim?Pode haver a tentação da comparação. Nós, os novos autarcas, poderemos ter esse estigma. Mas estamos a falar de projectos comuns. O que era o projecto de Dionísio Mendes continua a ser o nosso em termos de estratégia. Apesar de sermos pessoas diferentes em termos da forma de pensar e de ver as coisas. Não é por acaso que designámos o ex-presidente para ser o nosso representante na Retecork, rede europeia de territórios corticeiros. Ele de certa forma continua ligado ao município. Isso parece uma homenagem…De certa forma também é. O facto de hoje Coruche ser considerada a capital mundial da cortiça muito se deve a Dionísio Mendes. Tem-lhe pedido conselhos?Isso tem a ver com a auscultação das pessoas com opiniões diferentes. Ouvimos as pessoas. O que cabe ao decisor é consoante as várias opiniões tomar a decisão que lhe parece mais acertada.A aposta no sector da cortiça tem-se traduzido na melhoria das condições de vida e na captação de mais residentes?Tem-se traduzido numa dinâmica comercial e estrutural para o concelho, que é o maior produtor de cortiça e onde existem as maiores unidades de transformação. Esta aposta e o Observatório do Sobreiro e da Cortiça traduziu-se num conhecimento maior daquilo que são as nossas capacidades e potencialidades, numa atractividade que conseguimos gerar em termos empresariais. Não se conseguem atingir os objectivos plenos mas isso tem a ver com as contingências, com a situação económica.E o que é que isso trouxe de bom para a população?Ao promovermos esta fileira estamos a manter, ou pelo menos a criar, uma estabilidade em termos de postos de trabalho. Podemos não captar muitos residentes mas evitamos que os que cá estão tenham de sair. Pode haver críticas que o sector da cortiça está associado a algum poder económico, mas temos que perceber que este poder cria muitos empregos e que promove a qualidade de vida, rentabilidade, poder de compra e desenvolvimento da economia local. E somos consultados algumas vezes para a possibilidade de instalação no concelho de empresas deste sector. Não deve ser fácil captar mais população quando o Governo decide fechar serviços públicos como a repartição de Finanças.Ainda que não sejamos um município completamente do interior somos marginalizados em comparação com outros do litoral. Precisávamos de ganhar escala em termos de população para sermos mais competitivos. Estas políticas desajustadas do ordenamento do território levam a que seja menos atractivo as pessoas localizarem-se nas nossas freguesias. Não se pode querer que as pessoas se fixem num território onde não existem serviços públicos de proximidade aos cidadãos. O que cativa uma pessoa para se fixar numa zona é a segurança, a educação, a saúde…A câmara emitiu um comunicado exortando a população a contestar o encerramento das Finanças. Parece uma manifestação de impotência da autarquia…Aprovámos uma moção conjunta das três forças políticas na câmara acerca da necessidade de se manter o serviço. Também entendemos que se envolvermos aqueles que são lesados com estas medidas essa contestação terá muito maior peso e força. A câmara tudo fará para que se mantenha este serviço fundamental, porque tem uma dinâmica e movimentação de dinheiro muito importante para o concelho. O encerramento é um erro crasso atendendo à distância a que estamos de Santarém, Almeirim ou Salvaterra de Magos. A dimensão do concelho também deve ser uma grande dificuldade. Em vez de uma reforma administrativa das freguesias devia-se começar por um redimensionamento dos concelhos?Estamos a falar de um concelho com 1114 quilómetros quadrados, com uma dispersão geográfica muito grande. O que se deveria ter feito era a regionalização e uma reavaliação dos territórios com critérios claros. Não sou completamente contra a agregação de freguesias, mas esta devia ser feita com critérios claros. Em Coruche não estava nada em causa e podia ficar tudo na mesma porque as freguesias estavam correctamente constituídas. Não faz sentido a união de freguesias de Coruche, Fajarda e Erra que abrange uma área de 400 quilómetros quadrados e tem cerca de metade da população do concelho. Há aqui um desequilíbrio muito grande e um não conhecimento do nosso Portugal. De fiscal a presidenteFrancisco Oliveira nasceu no dia 11 de Novembro de 1964 em Fajarda, concelho de Coruche. Casado e pai de um filho, iniciou a sua actividade profissional como desenhador de construção civil, trabalhando durante oito anos num gabinete de projectos. Depois ingressou na Câmara de Coruche enquanto fiscal municipal. Pertence aos quadros do município e entretanto tirou um curso superior no ISLA de Engenharia da Segurança do Trabalho, faltando-lhe apenas entregar o relatório final de curso.Actualmente sem muito tempo livre, Francisco Oliveira tem no restauro e coleccionismo de automóveis clássicos o seu principal hobby. Na garagem tem dois Citroen 2 cavalos e um Austin 1300 e gostava de ter mais. Sempre que tem oportunidade participa em passeios de automóveis clássicos. Também gosta de jogar futebol e de conviver com os amigos.Diz que a irresponsabilidade e a arrogância são coisas que o tiram do sério. “Não gosto de pessoas demasiado arrogantes e não lido bem com a irresponsabilidade”, afirma. Como características pessoais marcantes aponta a determinação, o empenhamento e a afabilidade. “Acho que sou uma pessoa que faz facilmente amigos”, diz.Uma nova travessia do Sorraia é fundamental para o desenvolvimento de CorucheAcredita que ainda vai ser possível nesta década construir-se o IC 10?(risos)… Ficaria muito satisfeito que se fizesse a travessia do vale do Sorraia que é o maior constrangimento que temos. As sete pontes são um estrangulamento ao trânsito, à vila e à área industrial. Uma nova travessia poderia contribuir muito para a fixação das empresas e para uma maior qualidade de vida à zona urbana de Coruche. Até em termos de emergência. Se acontecer alguma coisa nas pontes ficamos isolados. Já nem falo na possibilidade do IC 10, que tão próximo não devemos ter. Mas irei sempre continuar a reivindicar esta via e sobretudo uma nova ponte. Nos últimos anos foram feitas grandes obras. A frente ribeirinha é uma delas. Com as dificuldades económicas vê-se a inaugurar alguma obra de monta neste mandato?Sim. Estão a decorrer obras de muita importância. Estamos a fazer a requalificação da avenida do Sorraia, a construção da ponte da Courelinha, a requalificação da artéria que liga o tribunal a Valverde. Temos projectos candidatados como o “Reabilitar para arrendar” que prevê a requalificação do Largo Porto João Ferreira e construção de dois edifícios para possibilitar o arrendamento a casais jovens, para além de outros investimentos. Não obstante as condições actuais, o município tem alguma expectativa de fazer obra no futuro. Não se pode queixar muito de falta de dinheiro porque o ex-presidente deixou as contas equilibradas.É verdade. Foi feita uma boa gestão que permite que tenhamos hoje uma situação folgada e que nos permite encarar o futuro com algum optimismo. Muitas obras foram feitas mas continuamos a precisar de fazer investimentos na reabilitação urbana, no apoio à acção social. E em termos de captação de empresas?Temos a necessidade de fazer o parque empresarial do Sorraia. Um investimento para o qual temos de estar preparados para podermos alojar empresas na área agro-alimentar e agro-industrial. Porque para além da floresta temos o potencial da área do regadio. Não pretendemos nos 60 hectares previstos fazer um parque de uma vez só mas por fases em função da procura. Temos que apostar também no turismo numa perspectiva de entrosamento com outros municípios da Lezíria. A passagem da Lezíria para o Turismo do Alentejo é uma mais-valia?A Região de Turismo do Alentejo tem uma dinâmica diferente em termos de trabalho. Atendendo a que em termos de fundos comunitários também estamos dependentes do Alentejo poderemos mais facilmente captar fundos para este sector. Os planos estratégicos na área turística agora desenvolvidos envolvem muito a Lezíria do Tejo. A proximidade de Lisboa pode trazer alguma atractividade sobretudo para o turismo de visitação. O que vem visitar-nos e depois ao fim do dia regressa a casa. Coruche tem uma grande comunidade cigana e em tempos chegou a haver problemas devido a medidas da autarquia. Como é que vai acompanhar esta área?Temos consciência que este é um problema que o município sozinho não tem condições para resolver. Não tem condições de criar habitação social para as pessoas destes bairros de etnia. Mas poderá ser esse o caminho se houver participação do Governo. É importante a reintegração destas pessoas ainda que culturalmente exista por vezes uma recusa à integração. Se esta nunca se fizer nunca conseguiremos ter paz social. E há uma responsabilidade das forças de segurança no acompanhamento da estabilidade que por vezes possa não reinar. Temos inventariadas as famílias que vivem nestes bairros. Preto no brancoFato e gravata ou calças de ganga e t-shirt?Calças de ganga e t-shirt, sem dúvida. Sinto-me mais à vontade e mais confortável num traje casual do que propriamente de fato e gravata.Carne ou peixe?Tem dias. Gosto de alternar. Mas prefiro peixe.Benfica ou Sporting?Benfica, sem dúvida.Tourada ou futebol?Essa é difícil. Ambos. Como é que um homem do Ribatejo pode não viver a tourada e pode não sentir o seu clube. Aí não vou escolher. É obrigatoriamente tourada e futebol.Vinho ou cerveja?Vinho, de preferência tinto.Louras ou morenas?Não tem a ver com a cor do cabelo ou com a cor da pele, tem a ver com a personalidade. Mas diria que se calhar as loiras dão mais nas vistas, mais facilmente se detectam.Televisão ou rádio?O rádio faz-me companhia no gabinete, mas prefiro televisão.Livros ou jornais?Jornais. Mas acho que é importante ter hábitos de leitura e ler bons livros é fundamental.Charneca ou lezíria?Para mim são as duas. Estão interligadas e não vivem uma sem a outra. Não se pode separar o vale do Sorraia do montado. Estão ligados, de braço dado e eu não vou separá-los.Frio ou calor?Calor, sem dúvida.Caça ou pesca?Nem uma nem outra. Fui militar pára-quedista, dei alguns tiros mas a caça e a pesca não me entusiasmam.
Coruche tem um presidente novo mas já com muita rodagem na vida autárquica

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