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Cantinas sociais servem diariamente mais de quatro mil refeições só no distrito de Santarém

Cantinas sociais servem diariamente mais de quatro mil refeições só no distrito de Santarém

Santarém é actualmente o distrito do país com o maior número de cantinas sociais, num total de 113, seguido de Lisboa (111) e Portalegre (69), demonstrando assim duas evidências: as dificuldades em que vivem muitas famílias na região e a resposta da rede de instituições de apoio social que tutelam essas valências.

Edição de 20.11.2013 | Sociedade
Segundo dados da Direcção Distrital da Segurança Social de Santarém, as 113 cantinas sociais espalhadas por todo o distrito de Santarém servem uma média de 4395 refeições diárias a pessoas carenciadas. Um número que aumentou em relação ao ano anterior, altura em que o projecto de cantinas sociais arrancou em todo o país. Santarém fica em primeiro lugar como o concelho que serve mais refeições por dia (745), seguindo-se Ourém (435), Salvaterra de Magos (414) e Abrantes (410).O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, Mário Rebelo, explica a O MIRANTE que o número de refeições diárias servidas pela instituição tem aumentado “preocupantemente” de dia para dia. O projecto das cantinas sociais arrancou na Misericórdia de Santarém em Junho de 2012 com uma média de 92 refeições diárias. Desde Outubro deste ano que estão a servir uma média de 101 refeições por dia e a tendência é para aumentar. O MIRANTE falou com o provedor no dia 8 de Novembro (sexta-feira) e nesse dia o número de refeições diárias já ia em 116.“O aumento na procura de um prato de comida deve-se à situação complicada que o país atravessa. Quem vem pedir comida são pessoas que ficaram sem emprego e não têm qualquer tipo de apoio. Vêem-se muitos jovens que apesar de trabalharem têm empregos precários que não lhes permitem serem financeiramente independentes e pedem-nos ajuda”, explica o provedor Mário Rebelo.O Centro de Bem-Estar Social de Alcanena, a única instituição do concelho que disponibiliza o serviço das cantinas sociais, tem registado uma ligeira diminuição na procura de refeições. No final de Dezembro do ano passado forneciam 65 refeições diárias. Actualmente fornecem 51 refeições. A directora técnica da instituição, Adelaide Ferreira, diz que esta diminuição “provavelmente” deve-se ao facto de duas unidades fabris do concelho terem sido reactivadas, o que permitiu dar emprego a algumas pessoas. “As pessoas que continuam a vir são aquelas que estão inseridas já há muito tempo no Rendimento Social de Inserção. Além disso, vêm sobretudo doentes oncológicos, a maioria homens, que vivem sozinhos e não têm qualquer apoio familiar. Nota-se inclusive dificuldades financeiras para irem às consultas médicas. Não têm suporte familiar porque a grande maioria são imigrantes, que não têm dinheiro para voltar para os seus países”, explica Adelaide Ferreira.Na Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira, a Associação Popular de Apoio à Criança (APAC) fornece actualmente cerca de uma centena de refeições por dia nas cantinas sociais. A comida é levantada pelos utentes num espaço discreto da instituição, que funciona nas antigas instalações da Aripsi, também na Póvoa de Santa Iria. O presidente da APAC, José Casaleiro, refere que não têm sentido um aumento da procura. A maioria das pessoas que procuram as cantinas sociais fazem-no porque ficaram desempregadas e ficam com empréstimos para pagar e não têm como pagar as despesas nem ficam com dinheiro para comer.Cantinas sociais espalhadas pelo país já serviram este ano mais de 14 milhões de refeiçõesA nível nacional, apesar do Instituto da Segurança Social (ISS) não saber quantas são ao certo as pessoas que recorrem às cantinas sociais, alegando que esse é um dado que pertence a cada uma das instituições que tem um contrato com o Estado, com base no número de refeições pagas por dia a cada uma das cantinas é possível calcular que foram já pagas este ano 14.450.100 refeições.Um número que supera o total de refeições distribuídas em 2012, já que o ano passado o ISS contratualizou perto de 37 mil refeições/dia, o que dá à volta de 13.542.000 refeições em doze meses. Contas feitas, e tendo em conta que o Estado paga 2,5 euros por cada refeição, significa que em 2012 o ministério de Pedro Mota Soares pagou quase 34 milhões de euros. Um valor já ultrapassado em dez meses deste ano, uma vez que as mais de 14 milhões de refeições custaram mais de 36 milhões de euros.No início de Novembro, nas Comissões de Orçamento, Finanças e Administração Pública e de Segurança Social e Trabalho, o secretário de Estado da Solidariedade afirmou que o Governo triplicou em 2013 a verba destinada às cantinas sociais. Agostinho Branquinho garantiu, por outro lado, haver “verbas disponíveis para continuar a manter o programa das cantinas sociais”, bem como, caso seja necessário, para o alargar.A Segurança Social adianta também que desde o arranque do Programa de Emergência Alimentar, incluído no Programa de Emergência Social (PES), foram já celebrados 811 contratos com Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) em todo o território nacional. O ISS acrescenta ainda que as cantinas sociais funcionam em rede e que, “no caso de um beneficiário recorrer a uma instituição que se encontre no seu limite, o mesmo será encaminhado para outra que o poderá apoiar”.A 1 de Junho de 2012 havia já 210 instituições com cantina social, tendo o ano passado terminado com cerca de 590 cantinas distribuídas de norte a sul do país. No fim de Outubro de 2013, são já 811.
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