uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante
Cursos nos politécnicos da região abriram com menos vagas mas ainda ficaram muitas por preencher

Cursos nos politécnicos da região abriram com menos vagas mas ainda ficaram muitas por preencher

Crise económica não é alheia à diminuição de números de candidatos. Solução, para muitos, passa por recorrer ao apoio dos Serviços de Acção Social.

Edição de 20.11.2013 | Sociedade
No concurso nacional de acesso ao ensino superior do ano lectivo 2013/2014 existiam, para os 16 cursos do Instituto Politécnico de Tomar (IPT) um total de 515 vagas, menos cerca de 100 em relação ao ano passado. No final de Setembro, após a 3.ª fase de acesso, tinham entrado 130 alunos. No Instituto Politécnico de Santarém (IPS), o número de vagas era de 1062, tendo entrado um total de 501 alunos após as três fases de concurso. Os números subirão um pouco com ingressos através do regime especial de acesso “Maiores de 23”. A nível nacional, na terceira fase da candidatura, das 9494 vagas disponíveis ficaram por preencher 8473 vagas. Os números reflectem que, de ano para ano, são cada vez menos os alunos que concorrem para o ensino superior e os dois politécnicos da região não ficam de fora dessa realidade. Ao facto, não será alheia a crise que se instalou no país a partir de 2008. Inês Abrantes, aluna do 1.º ano de Conservação e Restauro no IPT mudou-se de armas e bagagens de Sintra para Tomar. “O dinheiro que se gasta a estudar fora de casa, especialmente com as propinas, é uma dificuldade”, conta a O MIRANTE enquanto é praxada, acrescentando que teve que alugar um quarto na cidade que divide com outra pessoa. Na mesma casa moram quatro pessoas, todas estudantes do IPT. Opinião idêntica tem António Guerra, 19 anos, que veio de Vila Real para Tomar. O aluno ficou alojado na Residência de Estudantes que existe junto ao Campus do IPT. “A primeira grande dificuldade que encontrei foram os transportes para chegar de Vila Real a Tomar, mas estou a gostar porque era o curso que queria. Fiquei longe de casa mas acho que vale a pena”, conta o aluno de Conservação e Restauro. O veterano Gonçalo Silva, com várias matrículas contadas, é da opinião que o número de caloiros no IPT decresce de ano para ano porque “não há dinheiro em lado nenhum”. Apesar de os novos alunos não se queixarem. “Esta é a última praxe que fazemos no ano lectivo e vai-lhes dar direito a trajar o traje académico. É também uma oportunidade para conhecerem outros colegas e até ajudarem-se entre si”, considera o elemento da comissão de praxe, acrescentando que os novos alunos têm bastante informação disponível sobre os apoios que podem requerer. Serviços de acção social desdobram-se para dar respostaO administrador dos Serviços de Acção Social (SAS) do Politécnico de Tomar, José Júlio Filipe, disse a O MIRANTE que, comparativamente com o ano lectivo 2011/12, o número de estudantes que até agora requereu a atribuição de bolsa de estudos desceu de 996 para 577 (os alunos também são em menor número), embora seja expectável que este último número ainda cresça até cerca de 700. Na presente data, 326 candidaturas a bolsas de estudo já foram validadas e aceites, 173 foram rejeitadas e as restantes 78 encontram-se pendentes de apreciação. No que concerne ao apoio das refeições em cantinas, trata-se de uma ajuda com “carácter genérico” a todos os estudantes do IPT e que é consubstanciado no fornecimento de refeições completas ao almoço e jantar. Os estudantes pagam uma pequena comparticipação no respectivo custo, financiando os serviços o restante. Quanto aos apoios indirectos, nas áreas da alimentação e alojamento, diz o responsável que os SAS nunca tiveram “qualquer dificuldade em corresponder às necessidades que se vão verificando e sem necessidade de recorrer a triagens dos seus beneficiários uma vez que temos sempre tido capacidade de resposta plena”.Mais de mil candidatos a bolsa de estudo em SantarémO administrador dos SAS do Politécnico de Santarém, António da Fonseca disse, por seu turno, a O MIRANTE que os pedidos de ajuda mais prementes inserem-se na área do alojamento, designadamente na dificuldade de alguns estudantes não bolseiros suportarem estes encargos. “A resolução desta situação tem passado pela implementação de planos de pagamento faseado, de acordo com as disponibilidades financeiras dos estudantes e na inclusão dos casos mais graves no protocolo com a Cruz Vermelha Portuguesa”, indica. No ano lectivo de 2012/2013 foram apoiados 747 alunos com bolsa de estudo, mais 107 do que no ano anterior. Até à presente data, candidataram-se a bolsa de estudo 1021 estudantes, tendo sido atribuído um total de 415 bolsas.O administrador ressalva que para colmatar situações de carência financeira grave, não enquadráveis no sistema oficial de atribuição de bolsas de estudo, os SAS do IPS têm um protocolo de cooperação com a Cruz Vermelha Portuguesa/Centro Humanitário de Santarém/Cartaxo, no âmbito do Programa “Portugal mais Feliz”. Este programa prevê a atribuição de apoios sociais extraordinários, a fundo perdido, a estudantes das escolas superiores do IPS, nas áreas do alojamento, alimentação, transportes e saúde, contemplando casos identificados de carência económica grave, no sentido de combater situações de abandono e insucesso escolar.
Cursos nos politécnicos da região abriram com menos vagas mas ainda ficaram muitas por preencher

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...