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Jornadas sobre o património deixam pistas aos municípios do Médio Tejo

Proceder à qualificação do espaço público e do património é um dos conselhos dirigidos aos municípios da região que saíram das primeiras Jornadas para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial do Médio Tejo.

Edição de 20.11.2013 | Sociedade
“O Rio e as suas Terras: gestos, saberes, sabores, memórias e futuros” foi o ponto de partida das primeiras Jornadas para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial do Médio Tejo que tiveram como objectivo promover o reconhecimento e promoção do património imaterial dessa região, como tradições, festas, gastronomia ou artes e ofícios, e a sua importância para o desenvolvimento do turismo.Para Luís Marques, antropólogo e presidente da Associação Portuguesa para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial é muito importante a valorização do património imaterial. “Tem de haver uma política ligada à especificidade do património imaterial com a elaboração de um plano ou projecto municipal”, defende.A mesma opinião é partilhada por Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, que afirmou, durante a sessão de abertura das Jornadas, que se deve valorizar o património “como âncora do desenvolvimento turístico” e que os municípios “devem fazer a requalificação e qualificação, não só do espaço público, como também do património”.Neste âmbito, as questões das acessibilidades e mobilidade, bem como do ordenamento do território e até da sinalética utilizada, são “preocupações que as autarquias devem ter em conta” porque “pensar a actividade do sector do turismo sem os aspectos patrimoniais não está condenado ao sucesso”, defende o presidente do Turismo Centro de Portugal.Por sua vez, Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação, afirmou que “há cada vez mais vantagens em que os municípios de associem no desenvolvimento do seu turismo”, principalmente estes concelhos ribeirinhos “que têm um vasto património a conservar”. Aliás, o autarca de Mação desafiou os municípios presentes a associarem-se ao projecto “Espaços de Memória” que pretende preservar a identidade de cada concelho. No âmbito dessa iniciativa, nasceu a Carta Gastronómica de Mação, “um documento histórico que, mais do que ter receitas, retrata como viviam as populações com aquilo que a terra lhes dava”, exemplificou o autarca.Linha SOS PatrimónioEm declarações a O MIRANTE, Luís Marques, presidente da associação organizadora destas jornadas, defendeu a criação de uma linha SOS para o património cultural imaterial em risco cujo objectivo será “responder às situações graves que estão no anonimato, tomando medidas de salvaguarda urgentes”.Um exemplo de uma situação grave ao nível do património cultural imaterial em risco de desaparecimento poderá ser dada pelo ofício do calafate, uma actividade tradicional das zonas ribeirinhas do Tejo que consiste na construção de barcos. Sérgio Silva, 43 anos, é barqueiro e calafate em Constância e foi um dos oradores presentes nas Jornadas do Património onde falou da sua actividade profissional que, hoje em dia, já tem poucos seguidores.As jornadas tiveram lugar na Casa-Memória de Camões, em Constância, tendo participado diversos investigadores que abordaram temas como a literatura oral tradicional; a importância da medicina popular como património cultural; a simbologia do culto à Nossa Senhora da Boa Viagem, em Constância; e a importância do rio Tejo como um elemento natural das comunidades ribeirinhas, entre outros. A sessão terminou com um momento musical pelo Grupo Renascentista do Centro Internacional do Carrilhão e do Órgão.

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