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Quem caça por gosto não cansa

Quem caça por gosto não cansa

Montaria ao javali na Bemposta junta dezenas de participantes, alguns vindos de bem longe

Todos os anos, durante a época da caça, a Associação de Caçadores da Bemposta realiza montarias ao javali que reúnem muitos entusiastas de diversos pontos do país. No sábado foram abatidos seis exemplares mas em Janeiro há nova jornada.

Edição de 27.11.2013 | Sociedade
O relógio marcava 7h30 da manhã de sábado quando começaram a chegar os primeiros caçadores ao recinto das festas da Bemposta, aldeia do concelho de Abrantes. Esse era o local marcado para a concentração dos participantes em mais uma montaria ao javali. Em grupo ou isolados, os caçadores iam chegando e todos com um gosto em comum: a caça, para além da troca de experiências e do convívio habituais neste tipo de eventos.Nem mesmo o frio agreste que se fazia sentir tolheu a vontade das dezenas de caçadores, alguns deles vindos de bem longe, que participaram na actividade organizada pela Associação de Caçadores da Bemposta “Os Patos Bravos”. Afinal de contas, quem caça por gosto não cansa. Miguel Soares veio, de propósito, do Porto para participar. Caçador há quase 30 anos, confessa a O MIRANTE que o que o trouxe à Bemposta foi “o gosto pela caça e pelo convívio”.À medida que iam chegando, cheios de expectativas para um dia em cheio, os caçadores faziam a sua inscrição e iam trocando impressões sobre as horas que se seguiriam. Pelas 9h00 da manhã teve início um pequeno briefing com a presença de todos os caçadores onde foram abordadas as normas de segurança a seguir à risca durante a montaria. Seguiu-se o chamado sorteio das 65 portas, local onde cada caçador ficará posicionado durante a caçada. À medida que ia sendo feita a chamada dos monteiros inscritos, cada um retirava um envelope com o número da porta que iria ocupar. A hora de partida para a caça aproximava-se. Cada monteiro ocupou o seu lugar na respectiva armada (veículo de transporte) que o iria deixar na sua porta sorteada. As armadas iam partindo uma a uma, cheias de monteiros que, pelo caminho, iam trocando histórias de montarias passadas.Já no campo, com todos os participantes posicionados, o lançamento de um morteiro assinalou o início da montaria. Entretanto foram largadas as matilhas de cães que desempenham um papel crucial para tirar os javalis dos seus refúgios e se tornem mais facilmente um alvo a abater. Rodeados por uma paisagem que remete para o Alentejo, com sobreiros e azinheiras, os caçadores só precisam de ser pacientes e aguardar um passo em falso do javali. Ao todo, foram abatidos 6 javalis, tendo dois deles sido apanhados pelos cães matilheiros.Fazer 300 km e não ver um javaliEram quase 15h00 quando foi lançado o morteiro que assinalou o fim da montaria. Era altura dos caçadores arrumarem as suas armas e esperarem que os fossem recolher de regresso à Bemposta. A pouco e pouco, foram chegando todas as armadas. A última trazia os troféus de um dia bem passado: seis javalis.Todos se juntaram em roda para observar de perto os animais abatidos, uns comentando que se ouviram 21 tiros de rajada quando foi avistada uma vara de javalis e outros lamentando que nem um único animal fosse avistado da porta onde estavam localizados.Para Fernando Farinha Pereira, que veio de Leiria, este foi “um dia fraco, só com uma vara de porcos, não havia porcos suficientes na mancha tendo em conta esta ser uma montaria com 65 portas”. Já Luís Statt Miller, caçador com vasta experiência, inclusive de safaris em África, elogiou o trabalho da organização da montaria e afirmou que esta caçada “só não teve mais sucesso talvez devido ao tempo, os animais devem ter ido para zonas mais recolhidas”.Miguel Soares, que percorreu quase 300 km para participar nesta montaria, vindo do Porto, mostrava-se agradavelmente surpreendido. Apesar de não ter entrado nenhum javali na zona onde estava localizado, salientou a O MIRANTE que “foi um dia fantástico, com um grupo de caçadores muito boa gente e conscienciosos”.Em jeito de balanço, António José Lourenço, director da montaria, salienta que “a caçada correu bem, com a presença de um grupo de 65 monteiros vindos de várias zonas do país que se comportaram de modo exemplar”. Após um farto almoço para recuperar forças, foi feito o habitual leilão dos animais abatidos que foram previamente analisados por uma veterinária. Todos gozavam de boa saúde. Já era noite quando a jornada terminou e os caçadores regressaram a casa, com a promessa de se reencontrarem em 19 de Janeiro de 2014, quando a Associação de Caçadores da Bemposta organiza a segunda montaria ao javali desta época venatória.Associação de Caçadores da Bemposta gere reserva de caça com 1477 hectaresCriada em 1991, a Associação de Caçadores “Os Patos Bravos”, localizada na freguesia da Bemposta, Abrantes, foi uma das primeiras reservas de caça associativa a ser constituída em Portugal. Actualmente conta com cerca de 65 associados, oriundos de diversos pontos do país. Entre as diversas actividades que promove, está a caça a espécies sedentárias, como a perdiz, o coelho e a lebre; a caça a espécies migratórias, como os pombos, tordos e galinholas; e as montarias ao javali, que trazem todos os anos à Bemposta, duas vezes por época venatória, dezenas de participantes vindos de diversas zonas do país.Com uma reserva de caça com cerca de 1477 hectares, a associação contou, desde o início, com o apoio dos proprietários da Herdade do Casalão e da Herdade do Caldeiro, bem como da Herdade do Pereiro, da Companhia Agrícola das Polvorosas e da Valeira, propriedade da empresa Altri, “que nos confiaram os seus terrenos para a prática da actividade cinegética”, explica António José Lourenço, membro da direcção da associação.As quotas dos associados são a principal fonte de receita da Associação de Caçadores. No entanto, a realização de alguns eventos que promovem, como as largadas no campo de treino de caça (integrado na reserva) ou as montarias, permitem à associação angariar verbas que depois são utilizadas para realizar investimentos na reserva, tais como a reprodução de coelhos em cativeiro, proceder aos repovoamentos das espécies e ainda para a realização de sementeiras. A Associação de Caçadores “Os Patos Bravos” tem a sua sede nas instalações da antiga escola primária da Bemposta e dispõe de uma habitação na Herdade do Casalão, onde realizam diversas actividades de apoio à caça.Matilhas têm papel fundamentalNa Bemposta estiveram quatro matilhas: a “Tempestade”, de Mora, composta por duas matilhas de cães lideradas pelo matilheiro António Silveira “Bêrras”; a matilha “Rio Sôr”, de Ponte de Sôr; e a matilha “Mata-Bicho”, de Vale das Mós, Abrantes;. Mário Oliveira é um dos responsáveis por esta última equipa de cães e reforçou a O MIRANTE o papel importante que estes animais desempenham durante a montaria. “É um trabalho fisicamente muito duro, de percorrer a vasta área da mancha” de caça, no entanto, “há dias fáceis e dias mais difíceis, mas é sempre um trabalho que dá muito prazer”, referiu o matilheiro que habitualmente se desloca à zona de Castelo Branco e Alcácer do Sal para participar em montarias com os seus 26 cães podengos e dogues argentinos.A largada dos cães matilheiros é antecedida por momentos de grande euforia por parte dos animais, desejosos de irem desempenhar a função a que estão ali destinados. Quando são abertas as portas dos transportes, os cães rapidamente desaparecem no mato com o desejo de encontrar javalis.
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